2025 foi um ano de muito trabalho para defendermos nossos direitos no dia a dia da categoria.
Preparamos uma retrospectiva com um pouco de tudo que aconteceu neste ano. Será que você se lembrava de tudo isso?
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Nosso sindicato iniciou o ano com uma pesquisa para conhecermos as expectativas da nossa base para 2025. Quase metade se mostrou otimista, embora 1/3 estivessem um pouco pessimistas. Quase 75% apontaram que o sindicato deveria priorizar o combate às metas abusivas em suas ações. Mais de 52,3% indicaram que a saúde era o que mais preocupava, enquanto 38,7% citaram o assédio moral. Aliás, como era de se esperar, ficou evidente a relação entre a
cobrança de metas e o assédio moral.
Um dos pedidos da pesquisa foi pela realização de cursos preparatórios para certificação, afinal, em 2026, entrarão em vigor as mudanças promovidas pela Anbima. Logo em janeiro sindicato orientou os bancários sobre o tema e organizou dois cursos preparatórios em 2025. O primeiro em maio, em parceria com a FETEC-CUT/SP, sobre CEA, e o segundo em novembro, sobre CPA-10 e 20.
Nos meses de maio e junho a Contraf-CUT lançou a Consulta Nacional 2025, para entender os desafios e traçar as estratégias do movimento sindical no âmbito nacional. A participação foi massiva e o resultado foi apresentado nas conferências estaduais e nacional, que aconteceram no mês de agosto. Um dos temas discutidos com ênfase nesses encontros foi o impacto da inteligência artificial no mundo do trabalho e no trabalho bancário. Em outubro, a CUT organizou uma conferência específica sobre IA, com a participação do nosso presidente, Douglas Yamagata.
As conferências aconteceram no contexto dos ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil com imposições de tarifas abusivas aos nossos produtos. O movimento sindical respondeu com a defesa do sistema financeiro nacional, dos bancos públicos e particularmente do Banco do Brasil.
Defesa do emprego, contra o fechamento de agências
Em 2025, os bancos privados acentuaram sua tendência de fechar agências ou transformá-las em unidades de negócio sem Caixas ou circulação de dinheiro físico, como vimos, por exemplo, no Itaú. Até mesmo os caixas eletrônicos estão sendo retirados das agências
No mês de fevereiro o Santander anunciou o fechamento da agência da Vila Hortolândia. Fizemos manifestações no local e, em âmbito nacional a Contraf-CUT lançou uma campanha com o tema: “Você está sendo enganado”. O Santander continuou com essa prática, anunciando, em abril, o fechamento da agência da Vila Arens, a última “agência de bairro” na cidade. Em um dia, mais de 400 pessoas assinaram o abaixo-assinado contra o fechamento. A Câmara Municipal aprovou uma moção, o sindicato foi ao prefeito, mas o banco se mostrou irredutível na sua estratégia de alcance nacional: reduzir agências e demitir. Movimento sindical denuncia a fraude trabalhista promovida pelo banco, que demite, terceiriza e recontrata trabalhadores sem os direitos de bancários.
No Bradesco o mesmo tem ocorrido e dias de luta, manifestações e paralizações foram realizados em todo Brasil para denunciar essa prática. No Itaú, assim como nos demais bancos, o tema também esteve na pauta das mesas de negociação da Comissão de Empregados com a direção do banco.
Frear o movimento de fechamento de agências, especialmente nas cidades do inte

rior, é um desafio que envolve uma ação mais ampla, por isso, inclusive o movimento sindical também propõe ações no âmbito legislativo.
Em setembro, o Itaú surpreendeu a todos com a demissão de mais de 1200 funcionários que trabalhavam remotamente. A r
esposta do movimento sindical foi imediata, com manifestações em todo o Brasil e, ao final, um acordo foi fechado para garantir indenizações que chegam a dez salários.
No mês de dezembro surgiram rumores que o Santander fecharia a agência na cidade de Jarinu. Realizamos, no dia 5, um importante movimento na cidade, com distribuição de material nas cinco principais agências, para conscientizar a população sobre a importância de se manifestar contra o fechamento de agência. Em um dia, coletamos centenas de assinaturas nas ruas e pela internet.
Práticas abusivas, assédio e saúde
Um dos reflexos do fechamento de agências e das demissões é a pressão sobre os funcionários nas agências. A cobrança de metas abusivas e o adoecimento foram pautas prioritárias do Banco do Brasil neste ano.
Dados do INSS apontaram o que o movimento sindical já denuncia: que a saúde mental foi a principal causa de afastamento na categoria bancária, em 2024. O tema tem sido debatido desde o diálogo com as bases até as mesas com a Fenaban.
No mês de fevereiro, o sindicato denunciou que o Banco Mercantil estava pressionando seus funcionários com exigências que poderiam levar a práticas como vendas casadas. No mês seguinte denunciamos o caos na agência do Mercantil de Jundiaí por conta de sua falta de estrutura para o pagamento do INSS.
Conquistas da mobilização
Uma das principais pautas do ano foi a isenção do IR e a redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1. No mês de março o Governo Federal entregou ao Congresso Nacional a proposta de isenção do IR. A proposta foi elogiada por tributaristas e abraçada pela classe trabalhadora como um todo. Em maio nosso sindicato organizou um encontro com o ex-ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini e em junho começou o Plebiscito Popular 2025. A organização das coletas das assinaturas em Jundiaí foi coordenada pelo Sindicato dos Bancários, com adesão maciça da população. As assinaturas de todo Brasil foram entregues ao presidente Lula em outubro e o projeto foi aprovado pelo congresso em novembro e sancionado pelo presidente Lula no final do mesmo mês. Para grande parte dos brasileiros, a isenção vai representar um 14º salário no ano (veja a calculadora). Para que ela fosse possível, a proposta incluiu o início de um processo de taxação de super-ricos, algo que ainda precisa ser aprimorado.
Outras lutas ainda estão em pauta, como a regulamentação e taxação das fintechs, essencial para que a competição no setor financeiro seja menos injusta; o fim da escala 6×1, que pressiona nossa categoria a trabalhar mais horas e mais dias, taxação das bets.
No Banco do Brasil conquistamos uma reivindicação histórica: trabalhadores de bancos incorporados conquistaram o direito de migrar para a Cassi e Previ.
2025 foi um ano de intensas manifestações em defesa do Saúde Caixa. As manifestações começaram no primeiro semestre e depois de muita mobilização e negociação, a resistência do movimento sindical proporcionou a conquista do reajuste zero. No Banco do Brasil, a suspensão das substituições temporárias foi revertida após forte reação dos funcionários.
Conquistas de Ações Coletivas na justiça
Em uma vitória significativa para a categoria, o sindicato ganhou uma ação coletiva de R$ 22 milhões contra o Banco do Brasil, que exigia duas horas extras diárias não remuneradas de funcionários com jornada contratual de seis horas. Paralelamente, garantiu o pagamento de quinze minutos de repouso não concedidos a empregadas da Caixa, além da ação pela quebra de caixa. Essas conquistas, fruto da organização coletiva, se somam a vitórias anteriores no Bradesco, Itaú e Safra, e reforçam a luta sindical por condições dignas e respeito às jornadas contratuais em todos os bancos.
Mulheres e igualdade de gênero
No mês de março, para comemorar o Mês das Mulheres, o sindicato lançou uma série de matérias e vídeos com o título: Mulheres que inspiram, homenageando três mulheres: Maria da Penha, Maria Conceição Tavares e Amelinha Teles. Confira aqui a Playlist. No A programação do mês das mulheres incluiu ainda sorteios e debates sobre igualdade de gênero no trabalho e na categoria bancária. Confira aqui um resumo do mês.
Ainda em março a Contraf-CUT anunciou a abertura de vagas para os cursos do programa Mais Mulheres na TI, uma conquista da Campanha Nacional 2024. Durante o ano, foram oferecidas centenas de bolsas de estudos com o objetivo de capacitar mulheres para trabalhar na área de tecnologia.
Em setembro foi a vez do Sarau das Margaridas, um belíssimo encontro com música, teatro, poesia e outras expressões culturais.
Antes de terminar o ano participamos dos 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher, e marcamos presença na Marcha das Mulheres Negras em Brasília.
Cidadania e meio ambiente em pauta
Ainda em janeiro aconteceu a 5ª Conferência Nacional Livre do Meio Ambiente, que reuniu a categoria bancária na preparação COP-30. Em abril participamos da Jornada Nacional de Debates com foco no trabalho digno, meio ambiente e transição justa rumo à COP 30, promovida pela CUT e pelo DIEESE.
Em novembro o movimento sindical participou ativamente da COP-30, que chamou a atenção para o desafio das mudanças climáticas e sua relação com mundo do trabalho.
O sindicato também atuou em pautas locais de cidadania e solidariedade, como a campanha para doação de sangue, em julho e campanhas como Setembro Amarelo e Outubro Rosa.
Em setembro, organizamos um seminário sobre os desafios da comunicação no campo progressista.
Em outubro, nossas diretoras participaram do Fórum da Visibilidade Negra no sistema financeiro e em novembro o sindicato se engajou na Marcha da Consciência Negra.
Festa dos Bancários e mudança na direção do sindicato
No mês de agosto foi marcado pela mudança na direção do sindicato. Após quase sete anos na presidência, Paulo Malerba deixou a direção do sindicato para assumir um novo trabalho concursado na Finep, empresa pública de financiamento à pesquisa e inovação. Quem assumiu a presidência foi Douglas Yamagata e Dayane Pereira assumiu a secretaria geral do sindicato.

A Festa dos Bancários 2025 foi um sucesso. Ela aconteceu no sábado, 30 de agosto, e contou com a participação de cerca de 500 convidados e convidadas, no Espaço Paraíso Campo Limpo Paulista. As fotos estão no Centro Histórico Digital.
Relembrar o passado e lançar as bases para a construção do futuro
No mês de junho nosso sindicato lançou o Centro Histórico Digital, um acervo com milhares de fotos de momentos que fazem parte da história do nosso sindicato e da categoria bancária em Jundiaí e região.
Aliás, 2025 foi um ano de preparação para a comemoração dos 40 anos do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região. Preparamos a marca comemorativa e já estamos planejando um ano cheio de novidades para nossos associados e associadas.
2026 trará consigo grandes desafios: prevemos uma campanha salarial difícil e a mobilização de todos será fundamental para evitarmos retrocessos e avançarmos num excelente Acordo Coletivo.
