500 mil mortos: de cada 425 brasileiros, um foi levado pela pandemia

Brasil atingiu, neste fim de semana, uma marca desoladora, um número que é um choque e mostra quão fundo é o abismo da Covid-19 com meio milhão de mortos.

Mais de 500 mil pessoas que se foram e deixaram famílias despedaçadas, projetos à deriva, esperanças sufocadas, potenciais perdidos. Mais de 500 mil vidas que se apagaram.

O trágico número de 500 mil brasileiros mortos em decorrência da covid-19 registrados no sábado (19/6) e os protestos contra o presidente Jair Bolsonaro ocuparam as páginas dos principais veículos internacionais neste fim de semana.

A cobertura da imprensa internacional sobre os 500 mil mortos no Brasil e as marchas afirma que há uma indignação crescente dos brasileiros contra o presidente Jair Bolsonaro – apontado, nos protestos, como culpado pelo número alto de vítimas da pandemia no país. Também retrata a situação “crítica” do Brasil, onde a vacinação lenta e o descontrole do vírus pode levar a uma terceira onda e um número maior de mortos pelo vírus.

O que ainda nos aguarda pela frente?

Em busca de respostas, o portal G1 ouviu 106 médicos de duas especialidades fundamentais na pandemia entre os dias 8 e 14. O objetivo era responder quatro questões que apontam perspectivas para o 2° semestre no Brasil.

Os entrevistados são infectologistas (médicos especializados em doenças infecciosas e parasitárias) e epidemiologistas (especializados no controle de doenças em grupos populacionais) que apontam, em sua maioria, que:

 

Veja abaixo os detalhes de cada uma das perguntas que levaram ao apontamento destas perspectivas e, ao fim da reportagem, a metodologia e o nome dos médicos participantes.

1 – Qual percentual da população terá recebido a primeira dose até o fim do ano?

 

Qual percentual da população terá recebido a primeira dose até o fim do ano? — Foto: Arte/G1

Qual percentual da população terá recebido a primeira dose até o fim do ano? — Foto: Arte/G1

Entre 50 e 70% – “Outros países do mundo estão verificando essa dificuldade. A cobertura vacinal, talvez até o final do ano, não será de 100% da população. Talvez consigamos 70%, 75%, 80% no máximo da população de 18 anos com uma dose. E talvez uns 60% da população com duas doses. Isso atrapalha, mas é ao mesmo tempo um grande desafio. Vai possibilitar talvez oferecermos a vacina para toda população elegível acima de 18 anos porque, infelizmente, as coberturas vacinais não serão as ideais” – Renato Kfouri, infectologista, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

Apesar de a aplicação da 1ª dose ser um termômetro da disponibilidade de doses e do ritmo da vacinação no Brasil, os especialistas são unânimes em alertar que a imunidade contra a Covid só será conquistada com o regime completo com as duas doses.

“Temos que conseguir alta cobertura de duas doses e só a partir de 75-80% de cobertura da segunda dose conseguiremos controlar a pandemia. Antes disso não da para discutir imunidade coletiva ou controle da pandemia”, alerta Alfredo Scaff, epidemiologista da Fundação do Câncer.

 

2 – O Brasil vai começar a vacinar adolescentes acima de 12 anos ainda em 2021?

 

O Brasil vai começar a vacinar adolescentes acima de 12 anos ainda em 2021? — Foto: Arte/G1

O Brasil vai começar a vacinar adolescentes acima de 12 anos ainda em 2021? — Foto: Arte/G1

NÃO – “Por que não terá vacina suficiente para vacinar este grupo e possivelmente não terá finalizado a vacinação da população acima de 18 anos. Esse não é o grupo com maior risco de adoecimento e morte. Vacinar antes dos pais não será efetivo” – Carla Domingues, epidemiologista e ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde

3 – Será possível mudar os atuais protocolos (máscara, distanciamento e ventilação) com qual cobertura vacinal?

 

Será possível mudar os atuais protocolos (máscara, distanciamento e ventilação) com qual cobertura vacinal? — Foto: Arte/G1

Será possível mudar os atuais protocolos (máscara, distanciamento e ventilação) com qual cobertura vacinal? — Foto: Arte/G1

Entre 70% e 90% – “De acordo com o estudo feito em Serrana, foi necessário vacinar em torno de 70% da população da cidade para reduzir número de mortes e manifestações graves da doença Considerando que temos outras vacinas no PNI com eficácia global mais alta, talvez a porcentagem de vacinados para relaxamento destas medidas seja menor.” – Pedro Rodrigues Curi Hallal, epidemiologista e ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

4 – Entre março e maio de 2020, a média diária de mortes ficou acima de 2 mil. Teremos novo período com média acima desse número?

 

Entre março e maio de 2020, a média diária de mortes ficou acima de 2 mil. Teremos novo período com média acima desse número? — Foto: Arte/G1

Entre março e maio de 2020, a média diária de mortes ficou acima de 2 mil. Teremos novo período com média acima desse número? — Foto: Arte/G1

SIM – “Teremos um cenário de aumento de casos projetados, principalmente a partir da 2ª metade de julho/21 com o consequente aumento de óbitos em agosto; diversas instituições que projetam cenários e modelos epidemiológicos (como o Institute for Health Metrics and Evaluation – IHME), inferem que poderá haver até 3mil/óbitos/dia nesse período.” – Alfredo Scaff, epidemiologista da Fundação do Câncer.

Metodologia do levantamento

 

A consulta aos 106 especialistas foi realizada pela equipe do G1 entre terça-feira (8) e segunda-feira (14) por meio de um formulário on-line. Os especialistas foram acionados com a ressalva de que cada resposta individual seria anônima. Aquelas que foram citadas abertamente nesta reportagem foram autorizadas pelos autores. (fonte G1)

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