Vida não tem ‘valor infinito’, diz presidente do BB ao criticar quarentenas por coronavírus

”Economia deve servir às pessoas e não o contrário’’, diz Paulo Malerba, presidente do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, fez comentários críticos ao isolamento social, na mesma linha que o presidente Jair Bolsonaro. Em mensagem em um grupo de WhatsApp, Novaes disse que vida não tem “valor infinito”.

“Muita bobagem é feita e dita, inclusive por economistas, por julgarem que a vida tem valor infinito. O vírus tem que ser balanceado com a atividade econômica”, afirmou o executivo no aplicativo de mensagens.

A discussão sobre a necessidade de isolamento ganhou mais força com o pronunciamento do presidente na terça (24), contradizendo recomendações do próprio Ministério da Saúde e na contramão da maioria dos países que estão na batalha contra o vírus.

Perguntado sobre a afirmação que fez nas mensagens, Novaes disse que o lockdown [o confinamento, do termo em inglês] prolongado “causará depressão econômica com efeitos piores que os da epidemia”.

Afirmou também que “a questão não é apenas médica e mesmo alguns médicos concordam com a tese do presidente [Bolsonaro]”, disse ao Painel. “Depressão econômica também mata muita gente, principalmente entre os mais pobres.”

‘’É assustador saber que o presidente de um dos mais bancos mais respeitados do mundo considera a economia mais importante do que as vidas humanas. A economia deve servir às pessoas e não o contrário’’, diz Paulo Malerba, presidente do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região.

“Estamos atravessando um momento extremamente crítico, chocados com o número de mortes que surgem diariamente em países estruturados como Itália, Espanha e Estados Unidos. Infelizmente, a epidemia está apenas no começo no Brasil. Esperemos que as atitudes de autoridades sensatas consigam impedir a disseminação rápida, causando o menor impacto possível na saúde da população. Não podemos depender de Bolsonaro e sua equipe que não deram ouvidos para a ciência’’.

Dados atualizados

Dados atualizados do Ministério da Saúde nesta sexta-feira (27) mostram que o número de mortes chegou a 92, contra 77 registradas ontem(26). O resultado significa um aumento de 18% em relação a ontem. Em comparação com o início da semana, quando eram 25 óbitos, o número multiplicou por 3,68 vezes. A taxa de letalidade chegou ao máximo da semana, ficando em 2,7%. 

governo espanhol também anunciou nesta sexta-feira que 769 pessoas morreram vítimas de coronavírus nas últimas 24 horas, um recorde no país, que registra um total de 4.858 vítimas fatais e 64.059 casos confirmados.

Embora a Itália seja o país com o maior número absoluto de falecidos, quase 8.200 de acordo com o balanço mais recente, a Espanha apresenta um número diário superior, já que as autoridades italianas anunciaram 662 mortes na quinta-feira.

Fontes: Uol/ Revista Exame / Folha

foto divulgação: O vírus no mapa global


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