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Trabalhadores não podem ser empurrados para as encostas dos morros, criticam centrais

Entidades cobram ampliação de programas habitacionais para a população de baixa renda

Os recentes deslizamentos no litoral norte de São Paulo, que mataram dezenas de pessoas e desabrigaram ou desalojaram centenas, reforçam a necessidade de programas habitacionais, afirmam dirigentes de centrais, em nota divulgada nesta quinta-feira (23). As entidades dizem que “não é possível que o trabalhador e suas famílias continuem sendo empurrados para as perigosas encostas de morros por falta de um programa habitacional justo”.

Assim, os sindicalistas “exigem que os governos municipais, estaduais e federal ampliem, com urgência, políticas públicas habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida, que atendam a população de baixa renda, uma vez que essas são as principais vítimas”. E reforçam: “Encosta de morro não pode servir de moradia para nenhuma família”.

Fatores ambientais

Para os dirigentes, também é preciso considerar os fatores ambientais, um debate que talvez seja “impopular” para gestores públicos, mas que está amadurecido na sociedade. Na nota, as centrais citam ainda várias ocorrências trágicas dos últimos anos, na Bahia, em Santa Catarina e no Rio de Janeiro. Tragédias anunciadas, como a do litoral paulista.

As centrais ainda recomendam às entidades filiadas que ofereçam suas colônias de férias para acolher desabrigados. Foi o que já fez o Sindicato dos Padeiros de São Paulo, que tem colônia em Caraguatatuba e a colocou à disposição da prefeitura de São Sebastião.

“É uma questão humanitária emergencial, para ajudar quem nesta tragédia perdeu familiares e amigos e/ou ficou sem moradia, comida e recursos”, afirmou o presidente da entidade, Francisco Pereira de Sousa, o Chiquinho dos Padeiros.

Confira a nota das centrais.

Enxurradas e deslizamentos no Litoral Norte de São Paulo: uma tragédia anunciada

A série de desastres desencadeada pelas fortes chuvas que devastaram o Litoral Norte de São Paulo, com dezenas de mortos, feridos e desabrigados em um conjunto incontável de perdas que enlutou o País é,
infelizmente, um fenômeno que se repete a cada verão e que tem como principais causas os abusos ambientais e sociais na forma de ocupações irregulares e falta de condições e infraestrutura para a população local.

Autoridades e especialistas chamam a atenção para o volume de chuva, que bate recordes conforme a ganância especulativa avança de forma desordenada. O fator humano na raiz do desastre não está sendo
negligenciado, mas cabe reforçá-lo para não deixar que o argumento baseado na abundância de água torne-se um pretexto para empurrar a solução para um futuro incerto.

Enfrentar e combater crimes ambientais é um trabalho de longo prazo que gera impopularidade uma vez que seus efeitos estão em descompasso com o tempo de cargos eletivos e uma vez que gera atritos com interesses particulares, comumente colocados à frente dos interesses coletivos.

Entretanto, este é um debate urgente e que está na ordem do dia. Acreditamos que atualmente a questão ambiental e todos os fenômenos sociais e sanitários em torno dela estão mais amadurecidos na sociedade.
Acreditamos, sobretudo, que o respeito e a preservação ao meio ambiente são atitudes promissoras do ponto de vista do desenvolvimento.

Por tudo isso, as Centrais Sindicais exigem que os governos municipais, estaduais e federal ampliem, com urgência, políticas públicas habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida, que atendam a população de baixa renda, uma vez que essas são as principais vítimas. Encosta de morro não pode servir de moradia para nenhuma família.

Essa tragédia, já vinha sendo anunciada há anos, com o desastre de Nova Friburgo e Teresópolis (2011), as tempestades no Vale do Itajaí, Santa Catarina (2020), as enchentes da Bahia (2022), as chuvas em Petrópolis
(2022), entre outras.

É necessário dar um basta nessa situação! As Centrais Sindicais, que representam mais de 50 milhões de trabalhadores, EXIGEM a implantação de um programa habitacional para atender os mais necessitados, pois
não é possível que o trabalhador e suas famílias continuem sendo empurrados para as perigosas encostas de morros por falta de um programa habitacional justo.

É preciso que haja uma solução!

São Paulo, 23 de fevereiro de 2023

Sérgio Nobre, presidente da CUT – Central Única dos Trabalhadores
Miguel Torres, presidente da Força Sindical
Ricardo Patah, presidente da UGT – União Geral dos Trabalhadores
Adilson Araújo, presidente da CTB – Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
Moacyr Auersvald, presidente da NCST – Nova Central Sindical de Trabalhadores
Antonio Neto, presidente da CSB – Central de Sindicatos Brasileiros

 

fonte RBA

FOTO: Rovena Rosa/Agência Brasil

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