Nesta quarta-feira (10), após três dias de paralisação dos trabalhadores sul-coreanos da Samsung Electronics, o sindicato nacional declarou, pela primeira vez na história da empresa, greve por tempo indeterminado para se enfrentar com a intransigência da multinacional em não atender suas demandas.
Desde o início do ano o sindicato vem tentando negociar com a empresa por aumento dos salários-base em 6,5%, melhores condições de trabalho, maior transparência nos pagamentos salariais e retorno dos benefícios que foram retirados pela Samsung. Porém, após a intransigência da empresa, os trabalhadores decidiram entrar em greve.
De acordo com Paulo Malerba, presidente do nosso sindicato, mesmo sendo conhecida por sua política antissindical, ela não conseguiu impedir a organização e mobilização dos trabalhadores por mais diálogo com o sindicato e melhores condições de trabalho: “Há uma incoerência no discurso da multinacional: ao mesmo tempo em que anuncia lucros astronômicos, afirma que está em apuros e não tem condições de melhorar os salários de seus empregados”, afirmou. “Na área de tecnologia a Samsung é avançada, mas no campo dos direitos trabalhistas ainda não saiu do século 19, o que é lamentável”, afirmou.
Em junho, houve uma tentativa de uma “semi-paralisação” de um dia, onde os trabalhadores coletivamente utilizaram seu dia de folga. Logo após isso, o sindicato anunciou uma paralisação de 3 dias no início de julho. Agora, após os três dias parados, que se iniciaram na segunda, foi anunciada greve por tempo indeterminado devido a contínua rejeição por parte da patronal de acatar as demandas dos trabalhadores. Essa é a primeira greve em 55 anos da existência da empresa. A Samsung é conhecida por suas políticas antissindicais, e até 2020 impedia os trabalhadores de se sindicalizarem.
Os empresários afirmam querer seguir em bom diálogo com o sindicato, porém seguem intransigentes. O presidente do sindicato denuncia que “por mais de dez anos, a companhia tem falado que estava em uma ’situação de crise’ para justificar reduzir benefícios, rejeitar aumento salariais e forçar sacrifícios nos seus empregados”. A Samsung Electronics é a maior fabricante de chips, celulares e televisões no mundo, sendo a principal unidade do conglomerado Samsung Group da Coreia do Sul. A empresa declarou que houve, no início do ano, um crescimento de 10 vezes nos seus lucros, e com a expectativa de aumento de 15 vezes no próximo período.
O Sindicato Nacional da Samsung Electronics representa quase um quinto de todos os trabalhadores da empresa. A polícia afirmou que o primeiro protesto da greve contou com mais de 3000 pessoas, e mais de 6500 trabalhadores anunciaram sua participação na greve. Apesar da Samsung dizer que a greve pouco afeta a produção, a paralisação já conta mais de 5000 trabalhadores das áreas de equipamentos, manufatura e processos de desenvolvimentos, sendo mais de 4000 destes em Giheung, Hwaseong e Pyeongtaek, plantas que são importante parte da linha de produção de semicondutores, parte central da linha de produção mais ampla da empresa.
Para além da greve de trabalhadores da Samsung, foram reportadas no último período na Coréia do Sul, greve de clínicas hospitalares, médicos de instituições públicas e professores de medicina, contra as reformas na saúde levadas pelo governo. Nesta quarta também tiveram greves de 8 horas de metalúrgicos, trabalhadores da Hyundai Motors, Kia e da GM Korea contra uma política do governo que busca punir trabalhadores que entrarem em greves consideradas ilegais.
Fonte: Esquerda Diário