Sindicato realiza palestra sobre Saúde dos Bancários

Evento, aberto ao público, acontece no próximo dia 24 de setembro, na sede do Sindicato.

Pela primeira vez, o esgotamento profissional, conhecido como Síndrome de Burnout, foi incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial de Saúde (OMS). A nova versão da classificação entra em vigor em 2022.

Para tratar desse e outros temas, o Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região realiza uma Palestra com Debate sobre a Saúde dos Bancários no próximo dia 24 de setembro, às 18 horas. O evento, aberto ao público, contará com presença do Secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT, Mauro Sallles Machado e dos diretores Silvio Rodrigues e Natal Gomes, atuantes na área de Saúde do Trabalhador e ex-presidentes do Conselho Gestor do Cerest Jundiaí.

Dados do extinto Ministério do Trabalho informam que os bancos respondem por apenas 1% dos empregos no país, mas foram os responsáveis por 5% do total de afastamentos entre 2012 e 2017.

Infelizmente, no Brasil, os bancos ainda tentam descaracterizar o problema, culpando o trabalhador e afirmando que o trabalho é coletivo e não há metas abusivas. “A verdade é que as metas são individuais e abusivas, transformando a rotina nos bancos em uma verdadeira tortura e levando os empregados ao esgotamento físico e mental. Tudo isso dentro das instituições que mais lucram no país’’, informa Silvio Rodrigues, diretor do Sindicato responsável pela área da Saúde.

O total de trabalhadores que tiveram benefícios acidentário ou previdenciário aumentou em 30%. Foi de 13.297 em 2009 para 17.310 em 2017. Mais de 50% dos casos referem-se a transtornos mentais (com aumento de 61,5%) e enfermidades relacionadas a lesões por esforço repetitivo (crescimento de 13%), segundo dados do INSS.

PALESTRA ACONTECE NA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA (24)

Saiba mais sobre a síndrome de Burnout

A síndrome de burnout é um distúrbio psíquico caracterizado pelo estado de tensão emocional e estresse provocados por condições de trabalho desgastantes. Professores, policiais, bancários e mulheres com dupla jornada estão entre as classes mais atingidas.

A Síndrome de Burnout também pode ser desencadeada pelo Assédio Moral, com cobranças de metas abusivas e ameaças de demissão. Bancários sindicalizados de nossa base, que estejam sofrendo assédio ou tenham colegas vítimas de assédio, devem fazer a denúncia ao Sindicato. O sigilo é absoluto.

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“Já pensei várias vezes em suicídio. Minha vida está acabada’’, afirma vítima de assédio em agência da região.

“Há cinco anos tive uma crise de pânico. Minha pressão subiu demais, tive dor no peito e muito mal estar. No momento em que colegas tentavam me socorrer, a pessoa que ocupava o cargo de chefia ordenou que eu voltasse ao meu posto para fechar o caixa antes de sair. Eu não conseguia me mexer e quase desmaiei. Colegas me levaram ao hospital e o diagnóstico foi de depressão e síndrome do pânico. O que seria um atestado do psiquiatra acabou se tornando um afastamento pelo INSS.

A partir daí minha vida se tornou um inferno muito além do que eu já passava dentro da agência, com tarefas que não faziam parte da minha função, cumprindo atribuições que eram da chefia e sendo obrigada a trabalhos humilhantes.

Eu só poderia retornar após a consulta e liberação do INSS (que na época estava em greve e tornou o processo mais moroso). Comecei a sofrer perseguição por outro gestor que me ligava dizendo que eu tinha que voltar. Eu repassava os números de protocolo do INSS e documentei tudo por e-mail. Sofri ameaças de não receber meu salário e de demissão. E esse gestor expunha a situação no facebook. Tenho tudo arquivado. 

 Há quatro anos luto com o INSS e os indeferimentos do pagamento. Já pensei em suicídio várias vezes. Não vejo saída pra mim. Não sei fazer outra coisa. Experiência de bancário não serve para outros segmentos. Estou na faixa dos 40 anos e sei que o mercado de trabalho é cruel com profissionais nessa idade. O desespero é tanto que já pensei em acabar com minha vida para terminar com esse sofrimento de ficar lutando por um direito que é meu.

Já passei fome porque fiquei sem pagamento. Diretores e funcionários do Sindicato me ajudaram nesse momento mais difícil. Estou com processo na Justiça que vai a passos de tartaruga. Já nem sei mais pelo que lutar. 

Minha conta está negativa e preciso pagar meu convênio para prosseguir com o tratamento, além de outras contas atrasadas. Tenho uma filha que teve dificuldade na fala por vivenciar meu sofrimento. Me culpo demais por isso. Tenho uma pessoa ao meu lado que me apoia e me entende.

Minha vida está acabada. Há quatro anos vejo minha vida passar pela janela. Não consigo entrar em lugares fechados, em lugares que precisam de senha. Vivo em função da minha filha. E por ela não fui até o fim na ideia do suicídio. A gente se torna um morto vivo. Estou vivendo no automático. Choro muito, mesmo com as medicações. 

O banco me ajudou a conquistar muita coisa. Mas levou embora minha saúde. Nenhuma conquista vale a dor e sofrimento que tenho agora.

Uma pessoa achou que por ter uma promoção no banco poderia abusar dos subordinados. Sofri um assédio brutal e descobri que além de eu fazer todo o serviço sofri difamação por essa chefia que poderia ter me ajudado a crescer ao invés de me assediar. Outro gestor teve a coragem de me ligar e propor, no ápice da minha crise, que eu voltasse a trabalhar durante a perícia. Ele conseguiu piorar muito a situação. 

Vivo a base de remédios. Espero que meu relato consiga ajudar algumas pessoas. Enquanto os ‘grandões’ ganham fortunas, nós, da base, que fazemos tudo, somos humilhados, inclusive por clientes. E tudo isso, após anos dedicados ao banco, pra chegar a esse ponto em que cheguei. Isso acabou comigo’’. 

De acordo com a direção do Sindicato esse caso continua sendo acompanhado e que, infelizmente, há mais profissionais procurando a entidade em decorrência de assédio moral. 

As 12 fases do Burnout

  • Ambição excessiva: Comum para quem está iniciando em um novo emprego ou realizando uma nova tarefa. Muita ambição pode levar ao esgotamento.
  • Trabalhar mais do que deve: Fazer  mais do que de fato precisa, muitas vezes por pressão interna.
  • Negligenciar suas necessidades: Sacrificar o autocuidado,  como dormir, exercitar-se e comer bem.
  • Culpar os outros e gerar conflitos: Pressionando, o empregado começa a culpar o chefe, as exigências do trabalho ou colegas por seus problemas.
  • Sem tempo para quem ama: Evita convites sociais e passeios com a família para se ater ao trabalho
  • Negação: Impaciente, a vítima de Burnout não assume a responsabilidade por seus comportamentos e passa a culpar os outros, vendo-os como preguiçosos e arrogantes.
  • Exclusão.O trabalhador começa a se excluir do convívio familiar e dos amigos.
  • Mudança de comportamento: A vítima de Burnout pode se tornar agressiva e brigar com pessoas próximas sem nenhum motivo.
  • Despersonalização: A pessoa começa a sentir-se separada da sua vida e da sua capacidade de controlá-la.
  • Sentimento de vazio e ansiedade: O burnout pode desencadear comportamentos de busca por emoções para lidar com o problema, como uso de substâncias, jogos de azar ou comer demais.
  • Depressão: A vida perde seu significado e o profissional começa a se sentir sem esperança.
  • Colapso mental e físico: O problema pode afetar sua capacidade de lidar com você e com as pessoas. Torna-se necessário orientação médica, psiquiátrica e terapêutica.

Como prevenir o burnout

  • Pratique algum exercício físico. Se movimentar, inclusive em caminhadas curtas, também nos dá impulso emocional.
  • Alimentar-se bem, ingerindo alimentos saudáveis, podem ajudar muito na nossa saúde mental. Alimentos ricos em  em ômega-3, como óleo de linhaça, nozes e peixes, pois o nutriente ajuda a dar um impulso em seu humor.

Bons hábitos de sono

  • Nosso corpo precisa de tempo para descansar e se reernegizar, e é por isso que hábitos saudáveis ​​de sono são essenciais para nosso bem-estar. Evite cafeína antes de dormir, estabeleça um ritual relaxante antes de ir para a cama e desligue os celulares para que seu sono tenha qualidade. Peça ajuda!

Desalento 

‘’Nunca foi fácil ser trabalhador no Brasil’’, diz doutora em Psicologia

Estudo do IBGE aponta que o número de desalentados atingiu 4,9 milhões de brasileiros em fevereiro deste ano. Mais de 13 milhões de pessoas estão desempregadas e outras 23 milhões estão trabalhando por conta própria.

O impacto do desemprego sobre o bem-estar psicológico dos trabalhadores é notório. 

De acordo com Rita Cerioni, doutora em Psicologia que atua em Jundiaí, o atual cenário político e econômico do país tem contribuído muito para o adoecimento psíquico ligado ao trabalho.

‘’Nunca foi fácil ser trabalhador nesse país. Mas já foi mais seguro. Desde 2016, com o desmonte dos direitos trabalhistas e a insegurança do mercado financeiro e do mercado de trabalho, o trabalhador sofre triplamente com sua desvalorização, em função de muita procura e pouca oferta, a pressão desmedida para cumprir metas, com ameaça de perda do emprego e massificação da mão de obra, sujeitando o trabalhador a situações precárias e muitas vezes, constrangedoras’’, avalia. 

A psicóloga destaca que essas condições geram uma perda de energia e vitalidade, manifestadas, muitas vezes, na forma de depressão e a ansiedade, ligada ao medo do futuro, ocasionando o adoecimento psicossomático. ‘’É quando a mente não dá conta e joga para o corpo o sofrimento’’. ‘’É muito desolador ver que as empresas se ocupem mais na preservação, manutenção e desenvolvimento das máquinas do que dos seus funcionários’’, conclui.

(fontes: Uol / Drauzio Varela / Seeb SP/ Seeb Jundiaí)


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