Sindicato faz ato contra assédio e demissões no Santander. Clientes aplaudem ação

Junto com sindicatos de todos o país, Seeb Jundiaí fez manifesto na agência central. Banco tentou fazer represália ao ato adiando abertura da agência e gerando fila imensa do lado de fora

 

Acompanhando as manifestações do Comando Nacional dos Bancários, federações e sindicatos de todo o Brasil, o Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região também se manifestou contra os ataques do banco Santander que, mesmo durante a crise sanitária, não parou de demitir pais e mães de família, acentuando a pressão por metas e apavorando funcionários com vendas inatingíveis e ameaças de demissão.

Para chamar a atenção dos bancários e clientes, o Sindicato fez uma ação com balões negros, caixão e atores representando o alto índice de demissões. Só durante a pandemia, foram mais de quatro mil no país, com fechamento, só neste ano, de 144 agências, 72 Postos de Atendimento e 371 caixas eletrônicos.

Na agência central de Jundiaí, que fica no calçadão da Rua Barão, o banco escancarou sua entrada, retirando as portas de segurança, deixando clientes e funcionários ainda mais vulneráveis a furtos e assaltos.

Mesmo com uma manifestação pacífica em frente à agência, a gestão local deixou dezenas de clientes do lado de fora, alegando haver falha no sistema. “É muita coincidência que justamente no dia em que o Sindicato está realizando manifestação a agência venha alegar que está sem sistema, deixando clientes e usuários sem atendimento”, disse Douglas Yamagata, secretário geral do Sindicato.

A direção do Sindicato acredita que a gerência tentou colocar os clientes contra o Sindicato ao adiar a abertura do banco justamente durante o dia de  manifestação.

Douglas Yamagata contesta fila gigante no exterior da agência

”Os clientes precisam entender que esse não é apenas um ato contra as demissões e o assédio moral, mas também um grito contra o atendimento precário que o banco oferece ao mandar tantos trabalhadores para a rua”, disse, sob aplausos da população que se amontoava na fila imensa que ia se formando do lado de fora do banco.

O presidente do Sindicato, Paulo Malerba, também se indignou contra a ação arbitrária do banco em tentar ”castigar” os clientes atrasando o atendimento e, consequentemente, tentando imputar responsabilidade do atraso ao Sindicato.

”Isso demonstra o quão irresponsável pode ser o banco, ao deixar dezenas de pessoas, incluindo idosos, do lado de fora para tentar depreciar a imagem do Sindicato, que realizava uma justa manifestação. Mas, felizmente, as pessoas entenderam a ação do Sindicato, em defesa de empregados e clientes, e perceberam que o banco tentou fazer uma represália ao nosso ato”.

Sindicato auxilia clientes a entrarem no banco após longa espera fora da agência

 

Direção do Seeb Jundiaí com caixão representando assédio e demissões

 

Banco já foi condenado por demissões na pandemia

Em ação movida pelo Sindicato de SP, o Santander foi condenado em R$ 50 milhões por demissões durante a pandemia; por ataques aos participantes dos planos Cabesp e Banesprev; e perseguição aos dirigentes sindicais. A decisão é considerada inédita na história da Justiça do Trabalho de São Paulo.

O Santander obteve lucro líquido gerencial de R$ 12,467 bilhões nos nove primeiros meses de 2021, crescimento de 29,4% em relação ao mesmo período de 2020 e de 4,1% no trimestre.

O banco também foi o primeiro a retomar o funcionamento das agências em horário normal. O resultado tem sido concentração de usuários de serviços bancários após as 14 horas , uma vez que os demais bancos ainda estão encerrando o expediente às 14h.

”Isso tem ocasionado filas enormes, com aglomerações de clientes e sobrecarga de trabalho e adoecimento dos funcionários. Tudo isso em plena pandemia”, informa Natal Gomes, diretor do Sindicato.

 

#SomosBancários
“Com a criação de empresas e a realocação de bancários para trabalhar nestas empresas o Santander promove uma clara interferência na organização sindical dos trabalhadores”, disse o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT)Mario Raia ao destacar que a categoria bancária é organizada nacionalmente e, por isso, tem força para lutar pelos direitos e por novas reivindicações dos trabalhadores.

“O banco busca enfraquecer a organização dos trabalhadores. E, com a realocação dos bancários nestas empresas, aumenta ainda mais seus lucros e o poder de negociação dos trabalhadores, que perdem em organização, representação e força”, completou o dirigente da Contraf-CUT.

fonte Seeb Jundiaí

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