O Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região abriu processo no Ministério Público do Trabalho para que o Itaú seja autuado pelo desvio de funções. De acordo com o Sindicato, em vários Postos de Atendimento Bancário (PABs) fiscalizados pela DRT (Delegacia Regional do Trabalho), há apenas um funcionário exercendo inúmeras funções. Em todos eles foi constatado pelos fiscais do Ministério do Trabalho que um único bancário, que possui o cargo de Caixa, exerce tripla função: caixa, supervisor e agente de negócios. Tudo isso sem remuneração condizente com os cargos de chefia.
“Sabemos que o banco está demitindo em várias áreas, tornando-se uma forte pressão em cima de todos os funcionários, causando pânico constante nas agências e facilitando os desvios de funções”, informa a diretoria do Sindicato.
O Sindicato ressalta que a imagem imaculada do Itaú em suas propagandas não mostra os ataques de seus diretores sobre os bancários, para conseguir resultados expressivos de receita para o banco, mesmo que seus clientes sejam “contemplados” com produtos de baixa rentabilidade econômica e não necessários para estes no momento. A diretoria informa que é fácil constatar esse movimento. Basta conferir o número significativo de cancelamentos de produtos vendidos a estes clientes nos PABs e agências.
O Sindicato está atento aos problemas da categoria e relata que, embora haja dificuldades em comprovar desvios de funções, está atuando para que a máscara de bom patrão do Itaú caia e que todos realmente possam enxergar as práticas reprováveis executadas contra os bancários e a população brasileira.
Itaú é também o que mais demite
Em vistoria, a DRT, Delegacia Regional do Trabalho, ouviu relatos dos bancários, constatando que as condições de trabalho são desumanas. “Os bancos só visam o lucro, enquanto isso, as metas abusivas e o assédio moral vão deixando nossa categoria cada vez mais doente”, relata a diretoria, lembrando que o Itaú é também o que mais demite por justa causa. “Só em nossa região foram mais de dez demissões”.
Outro pesadelo é a implantação das agências digitais. “Os bancos querem ganhar de forma instantânea, mas ignoram o fato de que os programas digitais não só impactam na vida do funcionário, aumentando a quantidade de serviço e reduzindo o número de vagas, mas também é um transtorno para os clientes, que vivem cheios de dúvidas e problemas com os novos sistemas”, afirmam os diretores.