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Silvio Santos pode fazer forte venda de ativos para cobrir dívida no Panamericano

O futuro do grupo Silvio Santos poderá envolver a venda de ativos da companhia. Essa hipótese está em discussão há quase dois meses, desde que o empresário Silvio Santos tomou conhecimento dos problemas no Banco PanAmericano. Silvio só começará a pagar em 2013 o empréstimo de R$ 2,5 bilhões que fez no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para cobrir o buraco no banco, mas, segundo uma fonte da empresa, planeja desde já o que fazer.

Está claro que a venda dos ativos não financeiros - são 16 empresas -não será suficiente para cobrir nem metade do rombo. Em 2009, o grupo faturou R$ 4,6 bilhões e registrou prejuízo de R$ 7,8 milhões.

Ontem, Silvio Santos foi tranquilamente cortar o cabelo em seu salão preferido, o Jassa, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. Segundo fontes próximas ao empresário, ele soube do problema em setembro e no mesmo dia ligou para o presidente Lula para falar sobre o assunto e colocar as demais empresas do grupo a disposição para cobrir o rombo. A emissora de TV, os hotéis da rede Jequitimar, a empresa de vendas diretas Jequiti, as Lojas do Baú e o próprio PanAmericano, formam o grupo SS, com 9 mil funcionários.

O empresário e apresentador de TV tem gravado normalmente seus programas, mas está abalado e se sente traído. Foi usando a expressão “punhalada nas costas” que ele se referiu ao episódio, segundo um empresário amigo. “Ele se orgulha de ser uma pessoa corretíssima, o maior pagador de imposto de renda pessoa física do país”, diz o amigo.

A decisão do empresário de colocar todo seu patrimônio como garantia ao FGC, assumindo a responsabilidade pela contabilidade irregular, foi uma solução inédita na história do sistema financeiro do país. 

Os prejuízos de gestões fraudulentas em geral são assumidos, em última instância, pelo Tesouro Nacional. Hoje o balanço de BC ainda registra créditos contra bancos sob liquidação da ordem de R$ 50 bilhões, decorrentes do programa de reestruturação do sistema bancário, o Proer.

“Atuo no sistema financeiro há 50 anos e nunca vi nada parecido. Um empresário financeiro entregar seu patrimônio para evitar uma liquidação. Em geral eles fazem o oposto, uma blindagem. Foi um comportamento exemplar”, disse Gabriel Jorge Ferreira, presidente do conselho de administração do FGC.


Fonte: Valor Econômico

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