Setembro Amarelo: Campanha alerta para o alto índice de suicídio no país

Categoria bancária está entre as mais atingidas pelo suicídio

O Setembro Amarelo, campanha de conscientização criada pelo Centro de Valorização da Vida, CVV, e que tem como foco alertar a população sobre a realidade do suicídio no Brasil, revela dados assustadores. Pelos números oficiais, cerca de 32 brasileiros por dia perdem suas vidas para o suicídio. Esse mal silencioso também tem atingido em cheio a categoria bancária. As péssimas condições de trabalho nos bancos estão levando centenas de trabalhadores ao suicídio

Uma pesquisa da UnB, Universidade de Brasília, com informações do Ministério da Saúde, registrou um suicídio bancário a cada 20 dias (dados de 1993 a 2005). A pesquisa realizada pelo mestre em administração Marcelo Finazzi, também estimou uma ocorrência diária de tentativa de suicídio não consumada.

Entre as principais causas que levam o trabalhador a tomar essa medida extrema estão a pressão para o cumprimento de metas, falta de funcionários para muitas tarefas, humilhação, prática de assédio moral e perseguições gratuitas.

A crise atual no Brasil, acompanhada das reestruturações dos bancos, com descomissionamentos abruptos e fechamentos de agência, além das retaliações e o medo do desemprego, também abre uma enorme brecha para o sofrimento.

Natalício Gomes, diretor do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região, lembra que a categoria bancária é campeã de afastamentos por transtornos mentais pelo INSS. Segundo ele, as metas abusivas junto à falta de treinamento dos gestores para lidar com os conflitos elevam o quadro de transtornos mentais entre os trabalhadores. “O bancário acaba se rendendo a essa violência do trabalho e o desfecho pode acabar em tragédia”.

Para o autor da pesquisa da UnB, Universidade de Brasília, o fator mais determinante que leva o empregado à desestabilização e à perda da vontade de viver é a falta de reconhecimento por todo o esforço despendido para a realização das tarefas. “O trabalho é poderosa fonte de identidade e pertencimento social: o que os sujeitos esperam, no mínimo, é a valorização do que está sendo feito em prol dos objetivos organizacionais. O problema é que, em algumas ocasiões, o sujeito se dedica durante 10, 20, 30 anos, desenvolve laços afetivos com a empresa e, de repente, é convidado a se retirar ou é excluído compulsoriamente, como se toda a dedicação incondicional não tivesse valor algum”, conclui.

Cartilha Especial

Por conta da expansão do assédio moral nos bancos, o Sindicato lança neste mês uma cartilha específica sobre saúde, abordando as doenças que tem levado tantos trabalhadores ao estresse, depressão e, em alguns casos, a tentativas de suicídio.

A Cartilha Especial de Saúde terá versão impressa e também a versão virtual em nosso site. Acompanhe em www.bancariosjundiai.com.br

Mais informações sobre o Setembro Amarelo podem ser obtidas no site oficial da Campanha

www.setembroamarelo.org.br

 

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