O auditório do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região foi palco, na última sexta-feira (26), do Seminário LGBT+: História, Política e Desafios. A iniciativa, coordenada pela dirigente Juliana Martinelli, secretária de formação do sindicato, reuniu dezenas de participantes e contou com uma programação que mesclou resgate histórico, reflexão política, humor e acolhimento: “No último seminário de formação da CUT entendemos a necessidade de realizarmos encontros para a formação em diversas áreas relacionadas à inclusão e cidadania”, compartilhou Juliana.
A presidenta Letícia Mariano deu as boas-vindas e recordou que, embora seja a primeira vez que a entidade organiza um seminário específico sobre o tema, o apoio à causa LGBT+ não é novo: “Foi Paulo Malerba, ex-presidente do sindicato, então, vereador, quem propôs a lei que incluiu a Parada do Orgulho LGBT no calendário oficial de Jundiaí”. Douglas Yamagata, coordenador da subsede da CUT, reforçou a urgência do debate diante das violências enfrentadas pela comunidade no mundo do trabalho, nas ruas e nas redes sociais.
A bancária e comediante Duda Silva, empregada da Caixa, abriu as falas com leveza e bom humor, propondo um “letramento” sobre a sigla LGBTQIAPN+ e destacando a importância de a comunidade ocupar espaços com orgulho e voz ativa. Em seguida, Rose Gouvea, advogada, militante histórica e assessora parlamentar da vereadora Mariana Janeiro (PT), fez um resgate dos 20 anos de luta do movimento LGBT em Jundiaí, lembrando os tempos de repressão policial, matérias preconceituosas na imprensa local e o pioneirismo da primeira Parada do Orgulho, em 2006. Ela também celebrou conquistas como a lei municipal da inclusão da Parada LGBT, em 2015, a recente lei de combate à homofobia e a garantia do uso do nome social.
Tiana Cauton, comunicadora política, ativista e assessora parlamentar da deputada federal Erika Hilton, compartilhou sua trajetória como mulher travesti preta de periferia e defendeu o protagonismo político da comunidade: “Quando uma de nós vence, todas vencemos”. Ela também apontou a arte, a cultura pop e as redes sociais como ferramentas estratégicas para dialogar com a juventude e enfrentar o avanço da extrema direita.
O sociólogo e bancário Anderson Pirota, dirigente do Sindicato dos Bancários de São Pauo, encerrou as falas com uma reflexão sobre direitos humanos e a perigosa disseminação de discursos de ódio e intolerância. Ele mostrou como a mentira é usada como projeto político — a exemplo da chamada “ideologia de gênero” — e convocou a comunidade a se organizar politicamente e usar o voto consciente como instrumento de transformação.
O debate com o público foi igualmente potente. Antonio Cortezani, bancário aposentado e ex-dirigente, elogiou a profundidade das falas e a qualidade das informações. Thaís Menezes, bancária e vice-presidenta do PT de Cajamar, compartilhou a frustração com a invisibilidade das pautas LGBT em sua cidade e ressaltou a importância do evento. Alice, de Francisco Morato, relatou os desafios de estruturar políticas culturais de acolhimento na região. Rosaura Almeida, presidenta do PT de Jundiaí, trouxe à memória a história de Elvis, uma bancária trans que, há 40 anos, era obrigada por seu gerente a trabalhar à noite para não ser vista — e celebrou o fato de que hoje há gerentes abertamente trans no setor bancário.
Fé Juncal, assistente social aposentada e diretora da Associação dos Aposentados de Jundiaí e Região, indicou a necessidade de cobrarmos políticas públicas para o envelhecimento LGBT com dignidade e lembrou da discriminação que presenciava em plantões hospitalares. Renan e Ana Clara, jovens participantes, trouxeram perguntas práticas sobre atuação nas redes sociais e sobre como levar debates como esse para dentro das escolas.
A diretoria do sindicato agradeceu a todos os palestrantes e participantes, reafirmando que o aprendizado e o letramento devem ser constantes para que a luta por direitos e respeito à diversidade se fortaleça dentro e fora do ambiente bancário.
O seminário deixou a certeza de que este é apenas o primeiro de muitos encontros dedicados à construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e fraterna.