”É alarmante o processo de adoecimento psíquico. O bancário trabalha a base de remédio para enfrentar as demandas do dia a dia”, diz especialista da Contraf.
O Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região promoveu na última terça-feira (24), palestra com os diretores do Sindicato, Sílvio Rodrigues e Natal Gomes, em conjunto com o Secretário de Saúde da Contraf, Mauro Salles.
Durante a palestra, Sílvio Rodrigues e Natal Gomes falaram sobre a atual realidade vivida pelo bancário adoecido e sobre a importância do reconhecimento da doença, pelo INSS, como sendo decorrente do trabalho.
“O trabalhador diagnosticado com algum distúrbio de saúde mental, adquirido no exercício da função, deve reunir provas documentais (relatório médico, exames e receituários) para o reconhecimento como doença do trabalho junto ao INSS. Tomadas as medidas judiciais necessárias, a situação dele pode ser revertida, inclusive com reintegração” informa Sílvio.

Para Mauro Salles, a saúde do trabalhador deve ser priorizada nas entidades. “É alarmante o processo de adoecimento psíquico. O bancário trabalha a base de medicamentos para enfrentar as demandas do dia a dia. Pesquisas apontam que ocorre um suicídio a cada quinze dias na categoria bancária. Deve haver, portanto, uma ação sindical urgente para conter isso” alerta Salles.
Prevenção é principal ferramenta de combate ao problema
Debater com os bancos sobre a pressão e metas abusivas, o assédio moral, garantir um ambiente favorável para que as pessoas procurem ajuda precocemente, sem ameaça de demissão, e sem perda salarial, são algumas medidas que podem prevenir o adoecimento da categoria.
Segundo Paulo Malerba, presidente do Sindicato, as principais queixas dos bancários são a pressão em cima dos números que os trabalhadores devem cumprir diariamente e a forma como os bancos organizam o trabalho, com excesso de cobranças. “Para tudo existem metas (seguros, previdência, investimentos, empréstimos etc.) e quando não são atingidas, é grande o risco de perder o cargo de confiança, ou seja, o gerente de um banco pode voltar a ser escriturário, seu cargo inicial, ou até mesmo ser demitido” declara Malerba.
O grande desafio do Sindicato é conscientizar e manter o bancário informado, provando que se as metas não forem reduzidas, muita gente vai adoecer e consequentemente, perder o emprego. E, ainda, que a pressão e o stress a que são submetidos os trabalhadores não pode ser ignorada ou omitida. ”A partir daí vamos construindo propostas, junto aos trabalhadores, que criem parâmetros na conduta dos gestores e atendimento de saúde adequado à toda a categoria”, conclui Silvio.
por Glaucia Motta – Equipe Tarantina