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SANTANDER/REAL

= Santander-Real une rede em 2010, mas não dá garantia de manutenção de empregos
   
30/12/2008 10:34

A fusão de direção e gestão dos bancos Santander e Real foi concluída em apenas cinco meses, após a aprovação pelo banco central holandês da compra do ABN AMRO pelo grupo espanhol, em 22 de julho. Mas ela ainda não é visível para os clientes e público em geral porque a integração dos 3,5 mil pontos de venda e da oferta de produtos só vai ocorrer em 2010, quando houver a unificação dos sistemas. Quando isso ocorrer, será possível também adotar apenas uma marca, a do Santander.

Enquanto divulga as medidas para os clientes e fala de agressividade e inovação comercial, a diretoria do Santander ignora completamente a preocupação dos funcionários, que é a de manter os empregos nas duas instituições. Na Semana Internacional de Lutas no Santander e do Real, organizada pela UNI América Finanças e pelo Comitê de Finanças da Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSC) em dezembro, o SindBancários distribuiu exemplares da edição do jornal Rede Global Bancária, que trata exclusivamente da defesa do emprego e condições de trabalho durante o processo de fusão dos bancos.

A mobilização visa a combater também as possíveis demissões que possam ocorrer por conta da crise financeira internacional. No dia 12 de dezembro, o movimento sindical, representado por diversas entidades, entregou ao Banco Santander um documento dirigido ao presidente mundial da instituição, Emilio Botín, reivindicando garantias de proteção ao emprego, melhoria nas condições de trabalho e liberdade sindical no Brasil e na América Latina.

Um dos principais objetivos da Campanha Internacional sobre Proteção do Emprego e Condições de Trabalho é a assinatura de um Acordo Marco Internacional que garanta e sele uma relação de respeito entre as partes afim de que o Grupo Santander seja uma empresa socialmente responsável no trato com seus trabalhadores.

A campanha acontecerá durante o ano de 2009 em vários países no sistema financeiro, focando os bancos que estão organizados em redes, entre eles os grupos Santander e ABN Amro.

Clientes - A integração também caminha bem do ponto de vista cultural, disse ao jornal Valor Econômico o presidente do grupo Santander Brasil, Fábio Barbosa. Um comitê formado por quatro executivos provenientes do Santander e quatro do Real, comandados por Barbosa, dirige o grupo. Barbosa quer combinar a agressividade e inovação comercial do Santander com a preocupação com a sustentabilidade e relacionamento com os clientes do Real. “Criaremos provavelmente uma terceira cultura.”

A integração será facilitada quando a sede do banco mudar para o prédio novo, perto da marginal do rio Pinheiros, no segundo trimestre de 2009. O grupo ficará então distribuído em apenas dois prédios, o novo e o de Santo Amaro, e não mais espalhado pelos seis atuais. O prédio da Paulista, sede tradicional do Real, será “disponibilizado”.

O banco acaba de aumentar em 50% as linhas de comércio exterior para o Brasil, que cresceram US$ 2 bilhões para US$ 6 bilhões.

Negociação - Na próxima terça-feira, dia 6 de janeiro de 2009, ocorre nova negociação entre representantes das Comissões de Organização dos Empregados (COEs) e os bancos Santander e Real sobre o processo de fusão. A rodada será realizada às 15 horas, no Salão Nobre do prédio do Edifício Banespa, na Praça Antônio Prado, 6, no Centro de São Paulo.

Na parte da manhã, às 11 horas, os dirigentes sindicais se reúnem, no Auditório Amarelo do Sindicato dos Bancários de São Paulo e Região, para a definição de estratégias e participação na negociação.

“Um dos temas em discussão com os dois bancos será a proposta de antecipação incentivada da aposentadoria, o chamado pijama, já implantado anos atrás no Santander Banespa, a exemplo da Espanha, como forma de evitar demissões e proteger os empregos”, destaca o diretor do SindBancários e da Contraf-CUT, Paulo Stekel.

“Também será debatida a redação final do aditivo à convenção coletiva e do Programa de Participação nos Resultados (PPR), a fim de que os sindicatos possam debater os avanços com os trabalhadores e convocar as assembléias para a deliberação acerca da assinatura do instrumento”, ressalta o diretor do SindBancários e da Afubesp, Ademir Wiederkehr.


Fonte: Imprensa/SindBancários com Valor Econômico

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