Santander: Reivindicações apresentadas na visita de Emílio Botín

Bancários apresentam a Botín reivindicações e queixas, como metas abusivas
   
30/06/2010 10:40

Os bancários do Brasil tiveram nesta terça-feira, dia 29, a primeira reunião com o presidente mundial do Santander, Emílio Botín, em São Paulo. O encontro, solicitado há dois anos, foi agendado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo e contou com a participação da Contraf-CUT, Fetec-SP, Feeb-SP/MS e Afubesp.

Na oportunidade, os representantes dos trabalhadores apresentaram queixas e reivindicações sobre a política de metas nas agências, terceirizações nos centros administrativos e cobraram soluções para os passivos do pessoal do antigo Banespa. Botin propôs nova reunião daqui a dois meses.

O ponto de partida da reunião e das reivindicações é a constatação de que o Brasil responde pela maior parte dos lucros do Grupo e que merece ser tratado com respeito. Na exposição dos dirigentes sindicais, foi lembrado também o franco desenvolvimento econômico do Brasil e as boas expectativas para a próxima década.

“Cobramos que o Santander utilize no Brasil as boas práticas de gestão, se realmente quer ser o maior banco e o melhor para trabalhar, como aponta sua propaganda”,  disse o presidente da Afubesp, Paulo Salvador.

Política de metas

As entidades reconheceram que houve melhorias nas relações com o Santander e ressaltou que as principais queixas dos bancários referem-se à política de metas.

Baseado em pesquisas recentes o­nde os trabalhadores do grupo apontam a pressão por metas como o principal problema nas agências - associado à uma enorme carência de funcionários - geradora de constantes conflitos no clima organizacional e causadora de  problemas à saúde. 

Foi apontado como caminho para a solução, a adoção de metas coletivas e qualitativas, nas quais o funcionário pratica um atendimento humano e fideliza os clientes. “Botín afirmou que considera as metas necessárias, tanto individual como coletivas, e os executivos brasileiros reconheceram que mudanças foram e serão feitas para melhorar esta política”, destacou Paulo Salvador.

Terceirizações

Os dirigentes também abordaram a política de terceirizações, que vêm crescendo no banco. Eles apontaram que os desencontros e a falta de informações sobre as terceirizações para empresas do próprio grupo - Isban, Geoban e Global Facilities - geram angústia e apreensão.

Aproveitando o embalo da Copa do Mundo,  as entidades lançaram desafio ao banco. “Se o Santander vai bem no Brasil, por que mudar?”, relatou Salvador, que completou: “em time que está ganhando não se mexe”.

A resposta do também espanhol Marcial Portela, ao lado de Botín, seguiu a da direção brasileira: trata-se de política do grupo a criação das empresas e que no Brasil são apenas “estudos” e que não há data ou decisão a respeito.

Banespa

O passivo em relação ao pessoal do antigo Banespa também ocupou boa parte do espaço de reivindicações. Foram listados problemas com reajustes salariais do pessoal de antes de 1975, déficit do plano do pessoal pós-75, serviço passado, quitação das gratificações semestrais e dinamização da Cabesp. Mostrando desconhecer a situação dos “jubilados” (aposentados) do Banespa, Botín disse que iria discutir com seus pares a situação atual.

O presidente do Santander ouviu também as reivindicações dos brasileiros para a assinatura de um Acordo Marco Global, por meio do qual o Santander adotaria premissas comuns para os trabalhadores dos diversos países o­nde atua.

O executivo foi relutante e, embora tenha afirmado que poderia conversar mais a respeito, afirmou que tem por ora uma política de tratar cada país conforme suas características. “Pedimos que ele conheça melhor a proposta antes de fechar questão”, comenta a presidente da Afubesp. 

Também foram denunciadas as demissões e perseguição aos trabalhadores bancários norte-americanos, agora sob a presidência de Gabriel Jaramillo.

Ao final, o Sindicato deu a Botin uma camiseta com as cores da seleção brasileira e o livro sobre o sistema financeiro brasileiro recentemente editado em conjunto com professores da Unicamp. A reunião foi finalizada com a proposta à direção espanhola de mudar a sede do Grupo para o Brasil, de acordo com a importância do Santander (Brasil) no cenário mundial.

Participantes

Além de Paulo Salvador, também participaram da reunião a presidenta do Sindicato, Juvandia Leite, a diretora do Sindicato, Rita Berlofa, presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, o presidente da Fetec-CUT/SP, Luiz César de Freitas (Alemão), e o diretor da Feeb-SP/MS, Cristiano Meinbach.

Pelo Santander, além de Botín e Portela, participaram a vice-presidente de RH, Lilian Guimarães, e o superintendente de Relações Sindicais, Jerônimo dos Anjos.


Fonte: Afubesp

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