Saiba como foi o 14º. CONCUT: Eleições, plano de Luta e mais!

No ano em que completa 40 anos, a CUT, maior central sindical da América Latina e quinta maior central do mundo, reuniu mais de dois mil delegados e delegadas de todo país em São Paulo no 14º. Congresso Nacional da CUT (CONCUT), com o tema “Luta, direitos e democracia que transformam vidas”.

O encontro ocorreu nos dias 19 a 22 de outubro e foi o primeiro pós-pandemia. Além dos delegados e delegadas a abertura contou com aproximadamente 200 convidados internacionais da Europa, África, Ásia e as Américas Latina e do Sul.

O secretário geral do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região, Douglas Yamagata, que também é coordenador da sub-sede da CUT em Jundiaí, participou do evento e destacou a importância da discussão dos principais desafios da classe trabalhadora no Brasil e a definição das ações para o próximo período.

Carta do Presidente Lula

Na abertura do congresso o Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, leu uma carta do presidente, que não pôde comparecer por conta da recuperação de uma cirurgia.

Na mensagem, o presidente abordou todos os temas tratados durante as mesas que antecederam a abertura oficial do encontro e destacou que, após seis anos seguidos de ataques à CLT e ao direito à organização sindical, o terceiro mandato do presidente retomava discussões sobre antigos desafios, como a melhoria da organização de base da classe trabalhadora e condições de salário, vida e trabalho. Mas também novos como a digitalização da economia que podem varrer milhares de vagas de emprego e precarizar ainda mais as relações trabalhistas.

Eleição

O metalúrgico do ABC, Sérgio Nobre, foi reeleito presidente da maior central sindical da América Latina e quinta do mundo, para o período 2023- 2027.

O pleito, que resultou também na eleição da bancária Juvandia Moreira na vice-presidência da entidade, ocorreu neste sábado (21), durante o “14º Congresso Nacional da CUT – Luta, direitos e democracia que transformam vidas”, realizado na capital de São Paulo.

Sérgio Nobre agradeceu a todas as lideranças dos ramos, dos estados que ajudaram a eleger, em suas palavras, uma chapa de qualidade, combativa, que vai ter a tarefa de conduzir a Central nos próximos quatro anos.

“Muito obrigado a todos e todas que nos ajudaram a construir a unidade. Essa unidade é fundamental para a gente enfrentar essa conjuntura difícil. Quero agradecer muito de coração os companheiros e companheiras que estão deixando mandato neste momento. Podem ter certeza que estão deixando sua missão cumprida, contribuíram muito na nossa trajetória até aqui”.

Em seu agradecimento Nobre lembrou que a trajetória da CUT nesses 40 anos é um legado que tem de ter continuidade.

“É uma grande responsabilidade para os novos que estão entrando, mas “todos são muito tarimbados, qualificados para representar a nossa central nesse período. Quero dizer a todos vocês que nós vamos buscar conquistar aquilo que nós debatemos aqui, a mudança no nosso modelo sindical para proteger 100% da classe trabalhadora, de investir pesado nas brigadas digitais, investir pesado na criação dos comitês de luta e tenho certeza que nós em 2026 vamos ajudar muito a reeleger o nosso presidente Lula, pela quarta vez no nosso país, para que possamos seguir com democracia, com justiça social e a classe trabalhadora no centro. E tenho certeza que no 15º Congresso Nacional da CUT essa direção vai deixar um legado de luta, de vitórias para a próxima geração”, finalizou.

Plano de Lutas

No último dia do Concut, neste domingo (22), foram aprovados o Plano de Lutas e resoluções (moções) para a Central nos próximos quatro anos. O Plano de Lutas inclui aprofundar o diálogo com a sociedade, a partir de campanhas educativas sobre a importância social dos sindicatos na garantia de direitos do trabalhador, a luta por democracia e desenvolvimento sustentável, emprego digno, reforma agrária, segurança alimentar e economia solidária.

Ao final dos votos sobre as moções e o Plano de Lutas, o presidente reeleito da CUT, Sérgio Nobre, ao lado da recém-eleita vice-presidenta da entidade, Juvandia Moreira, agradeceu aos delegados e delegadas, que vieram de todos os estados do país, comentou sobre as dificuldades do movimento sindical nos últimos anos e também ressaltou a “garra dos companheiros que realizaram o congresso”.

“Um grande desafio que a gente tem, da classe trabalhadora, é o de reconstruir o Brasil, de pensar um país com direitos, de pensar um país com sindicatos fortes, um país com a democracia forte, um país com desenvolvimento econômico, sustentável, para o meio ambiente e também que promova a inclusão social”, explicou Juvandia Moreira, sobre os desafios do próximo quadriênio. “Esse desenvolvimento tem que contemplar as várias regiões do país, contemplar os vários ramos”, completou.

Estratégia internacional

Para o secretário adjunto de Relações Internacionais da CUT, Quintino Severo, a Central deve contribuir com o fortalecimento das organizações do movimento sindical internacional, como a Confederação Sindical Internacional (CSI), a Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), Federações Globais, a Internacional Progressista e também dos fóruns e redes que reúnem os mais diversos movimentos sociais da classe trabalhadora e populares.

“No plano internacional, a estratégia da CUT deve estar alicerçada no tripé de fortalecimento do movimento e da organização sindical, para enfrentarmos as mudanças do mundo do trabalho, de defesa da democracia, pois só existirá movimento sindical se a democracia prevalecer; e de defesa do desenvolvimento sustentável e do meio ambiente”, disse Quintino.

Estratégia nacional

Para a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, vivemos um período muito difícil que nos traz um aprendizado que pode influenciar nossa ação sindical daqui para frente.

“O movimento sindical tem que saber como a extrema direita se comunica com a população, acompanhar a narrativa deles, saber das mentiras, as fakes news, como ela usa as ferramentas de comunicação para manipular a opinião pública para que a gente possa combater tudo isso”, disse Juvandia. “Não é à toa que o congresso tem como lema ‘Luta, Direitos e Democracia que Transformam Vidas’”.

“É importante reativarmos os comitês de luta e as brigadas digitais para organizarmos a luta da classe trabalhadora e ampliarmos nossa atuação junto às nossas bases”, completou a professora e secretária de Mobilização e Relação com os Movimentos Sociais da CUT Brasil, Janeslei Albuquerque.

O texto base com as estratégias da CUT é público e está disponível no site da entidade. Para ler a íntegra, clique aqui.

Homenagem

Fernanda Otero, organizadora do livro “A Nova Ordem – Luiz Gushiken”, compôs a mesa de abertura do último dia do CONCUT. O livro conta com o depoimento de 67  pessoas que viveram momentos marcantes com Gushiken, e enfrentaram os mesmos desafios e lutas. Trata-se de um trabalho biográfico e um registro da história do país, da esquerda, do movimento sindical no Brasil.

“Decidi organizar esse relato no meio da pandemia porque foi um momento em que a ausência do Gushi foi sentida com muita força. Ele me ajudou a enxergar o mundo de outra forma, a lutar pelo direito dos imigrantes, das pessoas vulnerabilizadas, e eu acredito que esse espírito deve ser transmitido também para outras pessoas e gerações”, afirmou Fernanda.

 

Com informações da CUT-Brasil e Contraf-CUT

 

 

 

 

 

 

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