Bancários, bancárias e trabalhadores de diversas categorias se reuniram na sede do nosso sindicato para discutir duas pautas caras à sociedade: isenção do Imposto de Renda e previdência social, com a presença de Ricardo Berzoini, ex-ministro e especialista em políticas públicas.
“Berzoini, que também é bancário e já presidiu a FETEC-CUT-SP, entende bem os desafios do mundo do trabalho e propõe uma análise e ações à luz dos embates mais amplos que ocorrem na nossa sociedade”, destacou Paulo Malerba, presidente do sindicato. “Não existe uma categoria isolada no mundo. Toda discussão passa pelas disputas no campo político e econômico”.
O encontro aconteceu no dia 21 de maio, às 19 horas, e fez parte das atividades do mês do trabalhador e da trabalhadora, organizado pelo Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região em parceria com a Subsede da CUT-SP em Jundiaí.
“Contamos com a presença de bancários e bancárias de Jundiaí e de outras regiões, mas também de professores, metalúrgicos, aposentados e trabalhadores de outras categorias, mostrando que a união está sempre em pauta”, disse Douglas Yamagata, coordenador da subsede da CUT e organizador do evento: “A luta pela dignidade e pelo respeito dos trabalhadores exige essa união, caso contrário, seremos reféns de um mundo que gira em torno do lucro”, discorreu.
Isenção do IR
Berzoini destacou a importância do governo federal ter proposto a isenção do IR para quem ganha até R$ 5.000,00 mensais e descontos progressivos, mas entende que ainda é preciso avançar, indicando que trabalhadores que ganham um pouco mais também poderiam ser beneficiados. “É um milagre Lula conseguir governar com esse congresso”, afirmou, “por isso, a aprovação desse projeto é um importante passo”.
O ex-deputado federal defendeu a taxação das grandes fortunas e dos dividendos. Ao ser perguntado sobre a isenção da PLR, mostrou-se favorável à pauta, indicando a necessidade dos trabalhadores incluírem esse tema numa emenda ao projeto que tramita no congresso. Criticou duramente as emendas impositivas e secretas, que drenam recursos do orçamento, transformam os mandatos parlamentares em empresas e dificultam a relação do governo com o congresso”.
Previdência
O ex-ministro entende que o mercado faz muito alarde quanto a supostos déficits da previdência. “A necessidade de uma gestão previdenciária responsável é inquestionável, mas nossa constituição garante orçamento para a previdência, algo que nunca foi, de fato, levado a sério”, questionou: “Se não fosse previdência e programas como o bolsa família, seríamos um país com uma maioria de pessoas na miséria. Não estou falando na faixa da pobreza. Estou dizendo na miséria, mesmo. Isso por conta da natureza predatória do capitalismo desenvolvido aqui”.
Ao ser questionado sobre as recém descobertas fraudes no INSS, Berzoini foi direto: “A investigação não pode demorar, o ressarcimento deve ser célere”, destacou. Esclareceu que as fraudes só foram possíveis por conta da reforma trabalhista do Temer e da criação de empresas de fachada por criminosos, durante o governo Bolsonaro: “Precisamos apontar os responsáveis sem, contudo, penalizar as associações sérias, históricas, que desenvolvem um excelente trabalho junto à população e as pessoas aposentadas”.
Futuro do trabalho
Berzoini também questionou o recente mito de que as pessoas não querem trabalhar pela CLT: “Se as empresas pagarem um bom salário, com todos os benefícios da lei, as pessoas certamente vão querer trabalhar com carteira assinada. Acontece que se paga muito mal aqui no Brasil”, criticou, “e isso precisa mudar”.
Ao discorrer sobre o futuro do mundo trabalho ele entende que as mudanças causadas pela tecnologia não serão barradas, mas precisam ser reguladas: “Precisamos pautar com seriedade a jornada de trabalho. Derrubar a escala 6×1 é um começo, mas temos que avançar muito mais, reduzindo a jornada semanal e diária para preservar o emprego e a dignidade de grande parte da população”.
Bancário aposentado, Ricardo Berzoini também reafirmou caminhos necessários à categoria: “O Brasil precisa debater um novo modelo sindical, que permita a reunião de diversas categorias num mesmo sindicato, respeitando as especificidades de cada uma delas. No caso do ramo financeiro, precisamos avançar na reunião dos trabalhadores das diversas empresas que compõem esse ramo. Ao somarmos força a lura conjunta dos trabalhadores é fortalecida”, concluiu.
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