O relatório do Dieese destaca avanços, mas a desigualdade ainda é imensa e seu corte é de gênero e raça
O DIEESE divulgou na última quarta-feira (06) o Boletim Especial Mulheres no mercado de trabalho: desafios e desigualdades constantes, que comparou a inserção das mulheres no mercado de trabalho entre o 4º trimestre de 2022 e o mesmo trimestre de 2023, por meio dos dados da PnadC (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O relatório destaca que para as mulheres as taxas de desemprego são mais altas e os salários menores, há mais dificuldades de crescimento profissional e maior informalidade.
A inserção feminina entre o 4º trimestre de 2022 e 2023
A taxa de desocupação das mulheres diminuiu de 9,8% para 9,2% entre os 4º trimestres de 2022 e 2023, o que correspondeu à saída de 271 mil trabalhadoras do contingente de desocupados. Já a dos homens passou de 6,5% para 6,0%, redução de 219 mil pessoas. Porém, no 4º trimestre de 2023, as mulheres representavam a maioria dos desocupados (54,3%) e 35,5% delas eram negras e 18,9%, não negras.
No 4º trimestre de 2023, havia 2,865 milhões de mulheres negras desocupadas, o que correspondia a uma taxa de desocupação de 11,1%. Já as não negras desocupadas totalizaram 1,526 milhão, o equivalente a 7,0% de desocupação
(Gráfico 1)
Desigualdade salarial
O rendimento médio mensal das mulheres (R$ 2.562) no 4º trimestre de 2023 foi 22,3% menor do que o recebido pelos homens (R$ 3.323).
Entre todas as ocupadas, 39,9% recebiam no máximo um salário mínimo e, entre as negras, metade ganhava até esse valor (49,4%), enquanto essa proporção era de 29,1% entre as não negras e de 29,8% entre os homens.
Já entre aqueles que terminaram o ensino superior, elas ganhavam, em média, R$ 4.701, 35,5% a menos do que eles
(R$ 7.283).
Quatro de cada 10 pessoas (39,6%) ocupadas como diretoras ou gerentes eram do sexo feminino, mas quando se observa o rendimento de homens e mulheres nessa função, nota-se que elas (R$ 5.900) recebiam 29,5% a menos do que eles (R$ 8.363), no 4º trimestre de 2023.
Avanços
O relatório aponta que que a promulgação da lei da igualdade salarial criou parâmetros para enfrentar desigualdade salarial entre homens e mulheres. Também considerou que o ambiente democrático, pós-eleição de 2022, propiciou condições para o avanço de negociações coletivas que redundaram numa em melhores salários e discussão de cláusulas de igualdade de gênero em diversas categorias.
Resumo
O Dieese também lançou um Infográfico que resume a situação apresentada no relatório e apresenta dados por região:
Nos links você confere a íntegra do Boletim e o Infográfico completo, com dados por região:
– Boletim Mulheres no mercado de trabalho: desafios e desigualdades constantes
– Infográfico Brasil e regiões: Mulheres – inserção no mercado de trabalho
Com informações do Dieese


