Propostas em votação para os bancários e bancárias

Por Paulo Malerba, presidente do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região

No Brasil de agosto de 2020, para cada pessoa com carteira assinada há outras duas que recebem o auxílio emergencial do governo. Em números, são cerca de 33 milhões com carteira assinada e 66 milhões de beneficiários do auxílio.

Neste contexto, os bancários vivenciam a sua campanha nacional. Por certo, mesmo sem a pandemia, seria uma campanha difícil. A crise sanitária a tornou ainda mais árdua. A sociedade convive com recessão econômica, desemprego, aumento da informalidade, falências, falta de perspectivas. Infelizmente, o cenário é desolador.

Ao que se refere à categoria bancária, nos últimos anos se vive o medo do desemprego. Com a grave crise, o temor aumenta. O Santander, por exemplo, desrespeitou o Brasil e seus funcionários ao dispensar cerca de mil pessoas durante a pandemia. No BB e na CEF tampouco a situação é tranquila. Os posicionamentos emitidos pelo governo federal são no sentido de facilitar as demissões e promover as privatizações.

Na atual conjuntura, as propostas obtidas pela negociação nacional dos bancários alcançaram resultados importantes. Agora a categoria decide sobre elas.

Se, de um lado, os bancos são lucrativos e poderiam melhorar os termos, de outro lado, são poderosos e usam de suas forças para tentar rebaixar as condições da convenção da categoria. É uma disputa desigual. Com parte significativa dos bancários em home office, filas em agências e parcela importante da população com dificuldades, a campanha começou imprevisível. As ferramentas à disposição da organização e mobilização dos bancários eram, com efeito, mais limitadas neste ano.

No tocante à proposta, não há ilusões. Ela apresenta perda salarial em 2020: o reajuste de 1,5% não repõe a inflação entre setembro de 2019 e agosto de 2020, por volta de 2,7%. O abono em dinheiro, no valor de R$ 2000,00, ajuda, mas não compensa a defasagem e, sobre ele, incide imposto de renda. Por outro lado, os auxílios são reajustados pela inflação e, em 2021, fica garantido o reajuste dos salários e auxílios pela inflação e mais aumento real de 0,5%.

Na proposta da CEF há elevação nos custos no Saúde Caixa. A empresa queria ainda mais, no entanto, a negociação levou a um meio-termo. Pelo lado positivo, o plano mantém todas as coberturas e, importante, os novos empregados terão direito ao plano.

O essencial da negociação, e esse era um grande desafio, foi assegurar todos os direitos da categoria previstos na CCT. São mantidos auxílios, PLR, gratificações, proteções, estabilidades provisórias, entre outras. É algo considerável, porque a Convenção de Trabalho dos Bancários é uma das mais completas do país. A maioria das categorias amarga perdas históricas de direitos em seus acordos neste ano, seja no setor privado ou no setor público.

Diante desse quadro, é coerente defender a proposta e o acordo. Avançar além desse ponto pode ser muito mais arriscado do que benéfico. A categoria bancária mostra grande resiliência ao enfrentar a campanha salarial em uma conjuntura extremamente difícil e sair resguardada, em caso de aprovação do acordo.

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