Novo presidente do Itaú quer rápida transformação digital

Milton Maluhy, que assume o cargo em fevereiro no lugar de Candido Bracher, tem a missão de posicionar o maior banco privado da América Latina no processo de transformação digital

O próximo presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, que assume o cargo em fevereiro no lugar de Candido Bracher, já anunciou o seu comitê executivo, que terá à frente a missão de posicionar o maior banco privado da América Latina no processo de transformação digital.

Em comunicado interno, Maluhy diz que a nova configuração tem “como objetivo central aproximar ainda mais o Comitê Executivo dos negócios e, assim, simplificar a operação e modelo de gestão, possibilitando maior autonomia e rapidez na tomada de decisão”. Nessa configuração sai a figura do “vice-presidente”.

Maluhy diz, ainda no comunicado, que o grupo terá o trabalho de liderar as transformações necessárias para a “rápida evolução nas frentes de satisfação dos clientes, cultura digital, experiência dos colaboradores, crescimento e geração de resultados sustentáveis”.

O racional por trás é de deixar o banco, que possui R$ 2 trilhões de ativos, mais leve e simplificar a operação, possibilitando maior autonomia e rapidez na tomada de decisão.

Maluhy, apontado ao posto mais alto no banco no mês passado, teve liberdade para a formação de seu comitê, o que foi possível após a saída de dois executivos longevos de casa: Márcio Schettini, no cargo diretor-geral de varejo e Caio Ibrahim David, no comando do atacado. Ambos deixam o banco na virada do ano, quando o novo comitê assume.

Os cargos ocupados por eles deixam de existir nessa nova configuração. Já Bracher passará o bastão a Maluhy em fevereiro, após a divulgação do resultado anual da instituição.

O Comitê também cresceu e passou agora para doze cadeiras. No grupo sênior estão Alexandre Zancani, que será o responsável pelas áreas de Veículos, Crédito Imobiliário e Consórcio; André Rodrigues ficará à frente do Banco de Varejo; Marcos Magalhães irá ajudar na transição das áreas de crédito (pessoas físicas e empresas). Já André Sapoznik, que comandava a área de tecnologia e que já estava no comitê executivo, será o responsável pela nova área de Pagamentos. Ele continuará no comando das áreas de Operações e Atendimento e passará a incorporar a área de Marketing do banco.

Carlos Constantini será responsável pela área de gestão de fortunas, englobando as áreas de Asset Management. Flávio Souza ficará à frente do Itaú BBA. André Gailey passará a coordenar as operações do Cone Sul; Alexsandro Broedel será o diretor financeiro do banco, ocupando o lugar que era de Maluhy. Leila Mello será a responsável pelas áreas do Jurídico, Ouvidoria, Comunicação Institucional, Sustentabilidade e Relações Governamentais, substituindo Claudia Politanski, que também está deixando o banco. Leila seguirá como única representante feminina do grupo. Matias Granata será o responsável pela área de Riscos de Mercado. Ricardo Guerra ficará com a área de Tecnologia e Sérgio Fajerman, com Pessoas.

Uma nova área criada por Maluhy, que englobará Tesouraria, ainda aguarda o indicado.

fonte Seeb Santos

Grandes bancos privados fecham mil agências e cortam 11 mil vagas em 2020

Trata-se de uma aceleração em relação a 2019, quando bancos encerraram 430 agências e cortaram 7 mil vagas

Estadão Conteúdo

Com a pandemia acelerando a digitalização em diversos setores, uma tendência ganhou impulso entre os bancos privados brasileiros: o encerramento de agências.

Só em 2020, cerca de mil pontos de Itaú, Bradesco e Santander fecharam as portas, resultando na demissão de 11 mil funcionários. Trata-se de uma forte aceleração em relação ao ano passado, quando esses mesmos bancos encerraram 430 agências e cortaram 7 mil vagas.

Além de reduzir a quantidade de espaços ociosos, à medida que eles se tornam cada vez menos necessários, os bancos também têm feito um esforço para usar essa presença física para prestar um serviço ao cliente. O Santander, por exemplo, já tem espaços com coworkings e café, enquanto o Bradesco agora vê as antigas agências de outra maneira, passando a classificá-las como unidades de negócio.

No segundo maior banco privado do País, essa é uma tendência que deve ganhar força. Segundo o diretor executivo e de relações com investidores do Bradesco, Leandro Miranda, 500 das 700 conversões previstas para 2020 já foram realizadas.

A grande diferença desse modelo é a inexistência do caixas, o que reduz, segundo o Bradesco, os custos em 30% a 40% em relação a uma agência convencional, especialmente no quesito segurança.

O Santander anunciou recentemente que vai criar um ambiente de convivência nos estacionamentos de suas agências, em parceria com seu portal automotivo Webmotors. Além de pontos de encontro para venda de carros, os estacionamentos poderão receber opções de lazer e alimentação, como food trucks. O desenho permite até academias de pequeno porte.

O banco Itaú também vem fechando agências, mas, em nota, disse que ainda vê a relevância da relação presencial. “É evidente a transformação tecnológica recente e a procura cada vez maior pelos canais digitais, mas nossa rede física de agências segue cumprindo um papel muito relevante (…) como um espaço mais humanizado de relacionamento e consultoria”, afirmou a instituição financeira.

Coordenador do curso de economia da Fundação Getulio Vargas, Joelson Sampaio lembra que os bancos já vinham trabalhando na otimização das agências físicas mesmo antes da recente onda de digitalização.

Ele lembra que, anos atrás, uma onda de consolidação de bancos no País fez com que um mesmo banco ficasse com um número excessivo de pontos. Ele ressalta, porém, que as pessoas mais velhas, que muitas vezes têm dificuldade com o mundo digital, ainda contam com a existência das agências.

Pesquisa de 2019 do Instituto QualiBest mostrou que 81% das pessoas considera importante a existência de agências físicas, mesmo que a frequência das visitas seja baixa. Cerca de 70% dos entrevistados disseram que vão cerca de uma vez por mês a uma agência física.

Bancos públicos

Entre as instituições estatais, o Banco do Brasil tem seguido de perto a tendência de Itaú, Santander e Bradesco. Nos 12 meses encerrados em setembro, o BB fechou 227 agências, enquanto abriu 56 pontos que classifica como unidades especializadas.

Já a Caixa Econômica Federal vê necessidade de uma rede presencial mais robusta. Ainda que o Caixa Tem, aplicativo de celular usado para distribuição do auxílio emergencial, seja um passo em direção à digitalização, o banco não tem seguido a tendência de encerramentos. Ao fim do primeiro semestre, a Caixa tinha 53,7 mil pontos de atendimento, número praticamente estável em relação ao mesmo período de 2019.

“Por sua função de repassadora de benefícios do governo à população, a atuação da Caixa exige a manutenção de agências, especialmente para pessoas de regiões onde o acesso à tecnologia é menor”, diz o professor de finanças da FGV-Eaesp, Rafael Schiozer.

Entretanto, ele acredita que, à medida que o acesso ao digital entre a população aumente, a Caixa também acelere a revisão de espaços físicos. “A médio e longo prazo isso deve acontecer, haja vista a capacidade que o banco teve de distribuir o auxílio emergencial por meio de aplicativo.”

*As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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