No Dia do Bancário, país precisa reconhecer importância da categoria frente à pandemia

Ficou clara e evidente a importância da categoria bancária nos momentos de crise. Um exemplo são os empregados da Caixa que têm trabalhado exaustivamente para o pagamento do auxílio emergencial

Estamos num luto de escala mundial. Até o momento, mais de 820 mil pessoas já perderam a vida, vítimas da Covid-19. Só em nosso país, 118 mil brasileiros foram levados pela doença. São milhares de pessoas perdendo familiares, perdendo emprego, perdendo a esperança. São ainda, milhares de trabalhadores, que mesmo com uma pandemia devastadora, precisam sair de suas casas e correr o risco de contágio para garantir o sustento da família, ou ainda, trabalhar de casa para garantir sua renda e emprego.

Entre esses milhares de mortos e doentes contaminados, estão profissionais dos chamados serviços essenciais. É o caso de médicos, enfermeiros, bombeiros, coveiros, policiais. É o caso também dos bancários. Nesse dia 28 de agosto, data em que celebramos o Dia do Bancário, apesar do momento de extrema tristeza e preocupação, não podíamos deixar de parabenizar essa categoria que tem sido guerreira por também fazer parte da linha de frente da pandemia.

Desde março, quando a doença avançou de surto para epidemia e, em seguida, para pandemia mundial, o serviço bancário foi confirmado como serviço essencial. Não havia a mínima possibilidade de os bancos interromperem suas atividades. As pessoas precisavam pagar suas contas, receber seus salários e seus benefícios.

Sindicato alerta população sobre risco de contágio nas agências

E como manter o serviço funcionando com a garantia de que os bancários, terceirizados e clientes não fossem contaminados?

Houve aí o início de uma árdua luta dos sindicatos e trabalhadores para assegurar o sistema home office aos grupos de risco, equipamentos de proteção (EPIs) para quem permaneceu nas agências e contingenciamento da entrada dos clientes para evitar aglomerações.

Após várias negociações, os bancos concordaram em garantir esse protocolo de segurança, inclusive fechando agências para higienização e mantendo quarentena quando há suspeita ou casos confirmados de Covid entre os funcionários.

Ficou clara e evidente a importância da categoria bancária nos momentos de crise. Um exemplo são os empregados da Caixa que têm trabalhado exaustivamente para o pagamento do auxílio emergencial aprovado pelo Congresso Nacional.  Mesmo assim, durante nossa Campanha Salarial de 2020, iniciada em julho, os bancos não enxergam essa importância e não consideram que a categoria seja merecedora de ter direitos históricos protegidos.

Agências da Caixa lotam para pagamento do auxílio emergencial

Os bancos também são extremamente contraditórios, porque consideram que mesmo durante uma pandemia, com milhares de mortos e desempregados, seja uma boa ideia pressionar os bancários a cumprirem metas de vendas e a constrangerem seus clientes, empurrando produtos que não fazem o menor sentido de se obter num momento de crise mundial. Em contrapartida, dizem que a pandemia reduziu o lucro de suas instituições e que, portanto, não é hora de falar em aumento. Pelo contrário, propõem ‘aumento zero’ com redução de direitos, como a PLR.

Não bastando desconhecer a categoria como essencial nesse ‘front de guerra’, os bancos Santander e Mercantil descumprem um acordo assinado entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários de não haver demissões durante a pandemia. Só no Santander (e só no Brasil) já foram quase mil demissões. E a direção do banco, sem o menor pudor, já sinalizou a demissão de mais 10 mil.

Santander desrespeita acordo e demite mesmo durante a pandemia

Os profissionais que atuam in loco, nas agências, estão apavorados com a situação. Medo do contágio, medo da demissão, desespero no cumprimento de metas. Do outro lado estão os funcionários do grupo de risco. E que, de uma hora para outra, tiveram que se adaptar ao chamado home office. Uma conquista dos sindicatos para proteger quem precisava ficar em casa. Mas também um sistema que pode sair do status de exceção e se tornar regra, já que os bancos sonham em jogar o custo do trabalho, como espaço, luz, internet e equipamentos, para a conta do trabalhador.  

Exaustos e descontentes, os bancários teriam todo o direito em cruzar os braços exigindo garantia das conquistas, aumento real, segurança no trabalho, condições mínimas para o home office, fim do assédio moral e da pressão por metas e garantia de emprego por, pelo menos, toda a pandemia. Mas a categoria compreende que atua num serviço essencial. Inclusive, em todas as greves, houve essa responsabilidade dos trabalhadores e dos sindicatos em manter ações consideradas fundamentais.

’O que queremos’’, como enfatiza o presidente do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região, Paulo Malerba, funcionário do Banco do Brasil, ‘’não é nada extraordinário. Nada além do que a categoria já conquistou, a duras penas, como direito’’.

Diante desse cenário, resta aos bancos, à sociedade, e também à imprensa, reconhecer o papel fundamental dos mais de 400 mil bancários do país. Dos mais de 400 mil pais, mães, filhos e irmãos que, apesar do desrespeito e da desvalorização, continuam se posicionando na linha de frente dessa guerra, dentro ou fora das agências.

A esses trabalhadores e trabalhadoras, nossos aplausos e nosso muito obrigado!

Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região

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