“Não há futuro para fundos de pensão se não houver futuro para economia”, afirma economista

“Para matar a doença, a Lava Jato matou o doente. Ela errou na dose do remédio. Há uma quebradeira generalizada de fundos”

 

“Não há futuro para os fundos de pensão se não houver futuro para a economia brasileira. Há seis anos, não só estamos andando pro lado como, em alguns casos, retrocedendo”. Essa foi a síntese da participação do diretor e economista do Reconta Aí, Sérgio Mendonça, em um debate promovido pela Fenae e Anapar sobre a participação em fundos de investimentos

Mendonça explica que desde 2015 um ciclo vicioso interrompeu o desenvolvimento brasileiro, o que coloca enormes desafios para os investimentos dos fundos.

“Os indicadores da economia real foram positivos [entre 2003 e 2014]. A taxa de investimento chegou a 25% entre 2010 e 2014. Hoje, para compararmos, está em 15%. Isso significa cerca de R$ 350 bilhões a menos anualmente de investimentos”, disse.

A nova realidade, entretanto, pode abrir uma brecha para que um novo período de desenvolvimento se imponha. Com juros baixos por conta da baixa atividade da economia, “a rentabilidade de títulos públicos é, no curto prazo, negativa”.

Em outras palavras, os fundos terão de deslocar sua atenção de investimentos de renda fixa – como títulos da dívida pública – para setores mais relacionados à economia real e produtiva, incluindo infraestrutura.

“Instituições conservadores como FMI e Banco Mundial dizem que nenhum governo deve recuar de apoio fiscal e que se deve realizar investimentos de infraestrutura com protagonismo do Estado”, apontou

Fundos de pensão, política e economia

Cláudia Ricaldoni, coordenadora regional da Anapar, ressaltou que um dos obstáculos para esse novo ciclo de crescimento é a política nacional.

“Tivemos um cavalo de pau na economia [a partir de 2016], que teve mais relação com a política do que com a economia. Estamos com um governo que faz uma defesa de posições neoliberais que nem os países neoliberais estão sustentando mais. Chamar nossos liberais de liberais é injusto com os liberais. Os nossos estão no mercantilismo, no feudalismo”, criticou.

Marcelo Wagner, da Previ, ressaltou que o passo inicial para um novo momento de grandes investimentos deve ser dado pelo Estado e, assim, “depende dos governantes”.

“O Brasil tem mais de 40 anos de déficit em investimentos em infraestrutura. Agora, tudo passa pela nossa capacidade de retomar o crescimento e isso depende de nossos governantes. O Brasil já precisava de um choque de investimento, agora é urgente”, ressaltou.

Outra questão política levantada no debate foi trazida por Fabiano Santos, advogado e doutorando em Direito na PUC-SP. Parte da operação Lava Jato, que levou até a abertura de uma CPI no Congresso, mirou em fundos de pensão.

Segundo o jurista, ao detectar desvios em fundos de investimentos, a operação teria mirado não só nos gestores diretos, mas também em investidores como os fundos de pensão, o que prejudicou a continuidade de investimentos desse tipo. Sem uma maior segurança e regulação jurídicas, Santos destacou esse fenômeno como um empecilho a aportes financeiros que possam auxiliar na retomada do crescimento.

“Para matar a doença, a Lava Jato matou o doente. Ela errou na dose do remédio. Há uma quebradeira generalizada de fundos”, lamentou.

FONTE RECONTAÍ

foto divulgação

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