Monzani: “Existem boas perspectivas para o movimento sindical internacional”

Márcio Monzane, coordenador mundial da UNI Finanças, ressaltou na manhã de sábado (28), durante o 10º Congresso da FETEC-CUT/SP, que existem muitos ataques ao movimento sindical e aos direitos trabalhistas na Europa, mas existem boas expectativas para o movimento sindical.

Hoje, ocorrem demissões na Comunidade Europeia e os postos de trabalho são transferidos para países da África e da Ásia, onde não existe proteção social. “Isso traz uma perspectiva positiva. Existe um espaço enorme para o movimento sindical atuar na organização dos trabalhadores na Europa e aumentar sua presença em países onde não tínhamos atuação”.

Para Monzane, é importante entender o motivo dos ataques. “Eles querem acabar com os direitos sociais, findar com tudo o que é benefício da classe trabalhadora. Para isso, tem que reduzir a capacidade de organização e mobilização dos sindicatos”, explicou Monzane.

A maneira como se busca reduzir o poder de organização dos sindicatos na Europa passa pelo novo acordo de livre comércio e pela redução linear, nivelando por baixo os direitos trabalhistas, com apoio dos Estados Unidos.

“Estão redefinindo quais são os direitos de greve e querendo impedir que todos os trabalhadores de serviços públicos possam fazer paralisações, ao classificar os serviços como essenciais”, afirmou Monzane.

Como exemplo de ataque aos direitos trabalhistas e de organização de classe, o coordenador mundial da UNI Finanças destacou a reedição, na Espanha, de um decreto da ditadura franquista, que impede a realização de piquetes. “Sindicalistas de base foram presos por fazer greve. Isso danifica a relação dos sindicatos com os trabalhadores. E estamos falando da Espanha, não do Cazaquistão ou outros países da Ásia e do Leste Europeu”, disse Monzane.

Ao falar para uma categoria que acabou de sair de um duro processo de negociação salarial, que culminou em uma greve de 21 dias, Monzane disse que, na Inglaterra, existe uma nova lei que obriga a aprovação da greve por toda a base sindical, com votação feita por correio. Se o sindicato conseguir declarar a greve, deve avisar ao patronado com sete dias de antecedência. A empresa pode contratar trabalhadores temporários para substituir os grevistas.

Na Itália, as paralisações têm que ser por período determinado e não podem ser declaradas nas segundas e sextas-feiras.

A recém eleita presidente da UNI Finanças, Rita Berlofa, do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, lembrou que os ataques aos direitos dos trabalhadores não ocorrem apenas na Europa. “Na Costa Rica, o movimento sindical foi proibido de fazer acordos. Estes passaram a ser feitos por uma comissão composta pelos ministérios do Trabalho e da Fazenda”.

BRASIL COMO EXEMPLO

Recentemente, com um Congresso Nacional conservador, a pauta também foi de ataques aos direitos dos trabalhadores, mas, nos últimos 10 anos, tivemos no Brasil um aumento da sindicalização, dos direitos trabalhistas e de redução da desigualdade social. “Em todas as reuniões que estamos presentes nos perguntam como conseguimos estes avanços. Querem saber qual o processo foi realizado para se obter essas conquistas”, afirma Monzane.

Para Monzane, a Europa redescobriu o sindicalismo de massas. “É um momento importante para discutirmos o papel dos sindicatos”.

Fonte: SEEB Jundiaí com Fetec-CUT/SP

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