
Já ouviu falar em moeda social? Pois saiba que o desenvolvimento local de algumas bairros está ligado a essa ideia. A moeda social foi desenvolvida para beneficiar quem produz no local onde mora. A costureira que confecciona roupas e vende para a galera do bairro pode aceitar a moeda local, o que faz a economia gerar na mesma área, uma vez que a moeda social que ela recebeu do cliente será aceita somente naquela região. Entendeu?
O exemplo prático desse instrumento da economia solidária é o Sampaio, moeda social do Jardim Maria Sampaio, região do Capão Redondo em São Paulo. O Sampaio existe desde 2009 e movimenta a economia dos bairros. Comércios como o Açougue Silvestre, Marcela Modas, a Ótica Evolution e o Mercadinho do Cícero aceitam a moeda e fortalecem a economia dessa quebrada.
No evento de sábado (21) em São Paulo, o Festival Percurso – Periferia e Cultura em Rede Solidária – o Sampaio teve uma barraca para explicar aos visitantes do evento como funciona a moeda que circula pelos extremo sul de São Paulo. Hoje, a região já conta com o Banco Comunitário União Sampaio.
Cleberson Silva, agente do banco comunitário, explicou pro Muda Mais sobre as linhas de crédito. Ele já foi bancário em uma instituição financeira maior e hoje realiza o sonho de trabalhar em sua própria região em um banco solidário, justo e sustentável, exatamente o contrário das maiores instituiçôes financeiras brasileiras que pregam sustentabilidade somente em propagandas!
No União Sampaio a população conta com o crédito consumo, com valor máximo de S$ 300 (S$ = Sampaios). Dá pra pagar em até 4 meses com taxas de juros de 0%!!! Aí também rola o crédito produtivo, para quem produz algo no bairro. Tem ainda o crédito puxadinho, para quem quer dar um up grade na construção da casa e o crédito cultural.
O mais legal é a troca de serviços e horas que o União Sampaio administra. Se você quer gravar um disco mas não tem grana pro estúdio, por exemplo, e além de cantar você também passa roupa como ninguém, é só trocar sua mão de obra com alguém da Agência Popular Solano Trindade. O mesmo vale para o pedreiro que pode trocar suas habilidades por serviços de um eletricista, e por aí vai #ficaadica
Cleberson também ressaltou que a prioridade é emprestar para mulheres. A moeda Sampaio é um marco no projeto iniciado pela União Popular de Mulheres, que existe desde 1987. Entre as várias demandas da entidade, uma delas é a economia solidária. Por meio de diversas atividades, como o artesanato, a grana gira na comunidade e as empreendedoras locais se fortalecem. Uma bela alternativa social!
Não é só em São Paulo que existe moeda social, não, gente! Durante os 8 anos de governo do PT em Vázea Paulista, também existiu moeda social, além de outras polítias desenvolvidas através da Economia Solidária. Segundo a Secretaria Nacional de Economia Solidária, criada em 2003 no governo Lula, circulam no Brasil cerca de cem moedas sociais. Ver a riqueza gerada nos bairros sendo reinvestida em comércio local é muito gratificante. Nosso desejo é que projetos como o Sampaio continuem tomando forças, e pra isso, é preciso que o país continue mudando.
Fonte: Muda mais com Seeb Jundiaí