Ministro da Saúde admite, pela 1ª vez, que cloroquina não funciona para tratar covid-19

Ministro da Saúde depõe pela segunda vez no Senado. Na segunda, ele minimizou risco de o Brasil sediar a Copa América, que ocorrerá em “ambiente controlado”

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, depõe pela segunda vez à CPI da Pandemia na manhã desta terça-feira. Na segunda, ele apresentou nesta segunda-feira o protocolo de segurança contra a covid-19 para a realização da Copa América no Brasil.

Pela primeira vez, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que não encontra provas de que medicamentos como cloroquina e ivermectina funcionem no tratamento do coronavírus.

“Para mim não há evidência comprovada da eficácia desses medicamentos”, respondeu ao ser indagado sobre o posicionamento da secretária de Trabalho do Ministério, Mayra Aguiar, conhecida como capitã cloroquina.

Queiroga afirmou que Aguiar não atua diretamente na indicação de medicamentos. E ela segue na função por ser a responsável pelo programa Médicos pelo Brasil, que substituiu o Mais Médicos. Aguiar está na função desde 1º de janeiro de 2019, quando o ministro era Luiz Henrique Mandetta.

Respondendo a críticas sobre o Brasil sediar o campeonato em meio à pandemia de coronavírus, ele afirmou que o torneio ocorrerá em “ambiente sanitário controlado” e que não há motivo para impedir a sua ocorrência. Segundo ele, com 28 jogos e 10 times que vão sendo eliminados ao longo da competição, a Copa América “não é um campeonato de grande dimensão” —as partidas começam no próximo domingo, 13 de junho, e terminam em 10 de julho. O Brasil somava até a segunda 474.414 mortes causadas pela covid-19 desde o início da pandemia.

O ministro  disse que na sua equipe direta do Ministério da Saúde não há nenhum infectologista para assessorá-lo. “O Ministério da Saúde, nos últimos anos, tem perdido quadros. Não temos no Ministério da Saúde médicos infectologistas”, afirmou.

Na sequência, ele afirmou que conhece apenas uma médica infectologista que está cedida à pasta pela Controladoria Geral da União. O tema ganhou força quando a médica infectologista Luana Araújo disse à Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia que ela era a única especialista na função. Araújo foi demitida por Queiroga antes mesmo de ser nomeada. Houve pressão para a sua saída por conta de seu posicionamento contra o uso de cloroquina.

Quando Luana Araújo esteve na comissão, o senador bolsonarista Luiz Carlos Heinze disse que havia outros sete infectologistas na pasta. Hoje, diante dessa informação, Queiroga reforçou que em sua equipe direta não há nenhum, mas ele se comprometeu a levantar os dados e fornecê-los à comissão.

O ministro, contudo, disse que tem recorrido a consultores infectologistas para debater temas relacionados à pandemia. Citou nominalmente Clóvis Arns, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, e Carlos Carvalho, professor da Universidade de São Paulo (USP).

Ao responder aos questionamentos do senador Humberto Costa (PT-PE), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que não considera que o Brasil já esteja enfrentando uma terceira onda de infecções pelo novo coronavírus.

“O senhor está produzindo uma pseudovacinação no Brasil”, acusa o senador Otto Alencar
O senador Otto Alencar (PSD-BA), que tem se destacado na CPI da Pandemia pelos questionamentos médicos aos depoentes (é ortopedista), enervou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ao questionar se ele leu todas as bulas das vacinas contra covid-19 aplicadas no Brasil. “O senhor está produzindo uma pseudovacinação no Brasil”, acusou Alencar, ao ouvir do ministro que ele não leu as bulas. As acusações de Alencar foram feitas após ele se defender das críticas por supostamente ter inquirido de forma desrespeitosa a médica Nise Yamaguchi, que depôs à CPI na semana passada. Após bate-boca, a sessão foi suspensa mais uma vez.

cobertura ao vivo do El País na CPI da Covid

https://brasil.elpais.com/brasil/2021-06-08/noticias-sobre-a-covid-19-e-a-crise-politica-ao-vivo.html

 

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