Máscara deixa de ser obrigatória em locais abertos de SP nesta quarta (9)

De acordo com Vacinômetro do governo, atualizados às 11h50 da sexta, indicavam que 89,26% de toda a população acima de cinco anos está com o esquema vacinal completo.

 

A partir desta quarta (9), o uso de máscara não será mais obrigatório em espaços abertos no estado de São Paulo, inclusive nas escolas da rede pública e privada. A medida foi anunciada pelo governador João Doria (PSDB) em entrevista coletiva nesta quarta-feira (9).

O uso continuará sendo exigido em ambientes fechados como transporte público, estações de metrô e trem, por exemplo. A liberação total do uso de máscara, inclusive nesses ambientes fechados, poderá ocorrer até o final de março, segundo o governador.

Nas escolas, o uso de máscara só poderá ser desobrigado em ambientes abertos como quadras esportivas e o pátio. O item deve ser utilizado nas salas de aulas, por exemplo.

A Folha havia publicado na última sexta (4) que Doria optaria pela flexibilização em ambientes abertos, como ruas, praças, parques e estabelecimentos comerciais. Ao mesmo tempo, deveria manter a obrigação do equipamento em ambientes fechados como forma de prevenção ao coronavírus.

O governo de São Paulo decidiu retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre em todo o estado a partir desta quarta (9).

Outra medida, anunciada pelo governador nesta quarta, é a volta da capacidade total de público nos eventos culturais e de lazer, além das praças esportivas – os frequentadores deverão apresentar o comprovante de vacina.Até então, os estádios de futebol poderiam receber até 70% da sua capacidade de público. A presença da torcida nos estádios chegou a ser proibida no início da pandemia, em março de 2020.

O uso de máscara é obrigatório desde maio de 2020 como forma de combate e prevenção ao coronavírus, sob pena de multa e inclusive prisão. O novo decreto será publicado em edição extra do Diário Oficial na tarde desta quarta.

“É um novo momento na vida e no trabalho. Depois de dois anos e dois meses de pandemia e de perdas, nós podemos tomar uma medida com esta importância e dimensão”, disse Doria, que durante o anúncio chegou a retirar a sua máscara no jardim do Palácio dos Bandeirantes.

A mudança é impulsionada por dois indicadores, o de queda de casos de infecção e óbitos e os dados de avanço da campanha de imunização. Esta última será uma cartada de Doria, que é o pré-candidato do PSDB à eleição presidencial em outubro deste ano.

Desde o começo da semana, os assessores do tucano têm se empenhado em fazer vídeos sobre o fim da necessidade de vestir máscara.

De acordo com Vacinômetro do governo, atualizados às 11h50 desta sexta, indicavam que 89,26% de toda a população acima de cinco anos está com o esquema vacinal completo.

“A decisão desta 4a feira se deve fundamentalmente ao avanço da vacinação. São Paulo é o estado que mais vacina no Brasil. A decisão está respaldada na ciência, na saúde e no respeito pela vida”, afirmou Doria.

Segundo Rossieli Soares, secretário estadual de educação, a máscara não será exigida mesmo nas quadras esportivas cobertas e com aberturas pelas laterais. A medida é válida para os 645 municípios do estado, independentemente do nível de imunização em crianças e adolescentes em cada cidade.

Em reunião na terça (8), o Comitê Científico do estado havia deliberado por criar uma regra para definir em quais escolas o uso de máscara deixaria de ser obrigatório nas áreas abertas e em quais a exigência seguiria. Na ocasião, ficou definido que a liberação ocorreria nas cidades onde a vacinação com a primeira dose tivesse alcançado, no mínimo, 80% das crianças.

Em nova reunião nesta quarta, pouco antes do anúncio oficial do governo estadual, a ideia foi engavetada, e decidiu-se por liberar todas as áreas externas dos colégios.

A expectativa do governo é que, nas próximas duas semanas, se reúna novamente com o comitê para reavaliar os indicadores e, com isso, adotará o fim da obrigatoriedade em definitivo do uso de máscara, inclusive nos ambientes fechados e no transporte coletivo.

“Com o crescimento da vacinação de crianças de 5 a 11 anos, poderemos em duas semanas avaliar a liberação completa”, afirmou Doria.

“Com a continuidade das melhorias dos nossos indicadores podemos ampliar a flexibilização nos ambientes fechados”, disse João Gabbardo, coordenador-executivo do comitê científico.

De acordo com o secretário estadual de saúde, Jean Gorinchteyn, a taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em todo o estado caiu 37% e houve queda de 42% nas notificações de casos positivos do coronavírus na última semana. Também houve redução de 56% dos óbitos relacionados à doença no último mês.

 

Cuidados adicionais

O médico e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) Renato Grinbaum diz ser favorável à flexibilização do uso da máscara neste momento. “É uma medida, sim, oportuna, mas é preciso que tenhamos cuidados adicionais com a liberação da máscara em ambientes com aglomeração seja em estádio de futebol ou em shows, como neste [Lollapalooza] que teremos no final do mês em São Paulo com mais da metade do público vinda de fora da cidade”, diz o infectologista.

 

O ritmo da campanha de imunização entre crianças e adolescentes tem sido uma preocupação de Doria, que pelo menos desde fevereiro tem telefonado para os prefeitos e cobrado publicamente um avanço, como fez ao prefeito de Lorena, Sylvinho Ballerini (PSDB), no último dia 25 durante a inauguração de uma unidade do Poupatempo.

Na ocasião, Lorena (a 190 km da capital paulista) aplicou apenas 41% das doses recebidas para a população infantil, na ocasião.

fonte Folha de S.Paulo

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