“Hoje, o Brasil e o mundo vivem uma crise, mas não podemos apostar num cenário catastrófico, porque senão não saímos do lugar”. Esse foi o recado dado por Luiz Cláudio Marcolino, diretor executivo de Desenvolvimento Regional – ADESAMPA – da Secretaria do Trabalho do Município de SP, durante o primeiro painel do 10º Congresso da FETEC/CUT-SP, na manhã deste sábado 28, em Atibaia (SP).
“Para embasar a atuação sindical é preciso ter o olhar para o que outro lado está pensando”, sugeriu o ex-deputado estadual que também foi presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Como subsídio, Marcolino apresentou levantamento realizado pelo setor financeiro sobre a economia brasileira nos últimos anos e perspectivas futuras. Conforme os dados, entre 2002 e 2014, o Brasil avançou no combate ao desemprego, na geração de novos postos de trabalho, na elevação da massa salarial e consumo, na queda da informalidade, inclusão das mulheres no mercado de trabalho e na melhoria da educação, como reflexo das políticas públicas do governo federal.
A partir dos anos 2000, o PIB nacional passou a evoluir, sofrendo queda em 2009 face à crise financeira internacional. Em 2015, como consequência da crise política, os números despencaram, tendendo a uma trajetória de piora em 2016.
Desde a virada do milênio, a inflação segue sob controle. Conforme a análise dos bancos, os investimentos das instituições privadas na economia crescem, no entanto seguem aquém dos bancos estatais. Para o próximo ano, setor espera promover redução das taxas de juros.
Na ótica do sistema financeiro, o foco do ajuste fiscal adotado pelo governo brasileiro deveria ser baseado em medidas de médio e longo prazo, e não na busca desenfreada pelo superávit primário de curto prazo.
Os bancos ratificam a posição da FETEC-CUT/SP de que o ajuste fiscal não solucionará a crise econômica brasileira, pois, na medida em que se cortam gastos do governo, diminuem-se investimentos e a arrecadação, justamente as ferramentas motrizes do crescimento. Os bancos apostam na inversão dos números negativos e na retomada da economia nacional a partir de 2017.
“Se os banqueiros apostam no Brasil, o movimento sindical mais ainda deve olhar para tudo o que já fez, e intensificar sua atuação contra as desigualdades que ainda são enormes no Brasil”, ressaltou Marcolino. “Desde o governo Lula, nosso país avançou na inclusão social, mas ainda é o mais desigual em comparação aos demais integrantes da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico). Nosso desafio não é apenas representar os bancários, mas toda a classe trabalhadora e a nossa comunidade, ajudando a implementar as melhorias sociais”, salientou.
De acordo com Marcolino, ao longo últimos anos, a esquerda viveu a perspectiva de tornar o sonho, de construir um novo país, realidade. “Agora, diante dos inúmeros ataques da direita, mais do que nunca não podemos esquecer a nossa origem de trabalhador bancário. E, assim, criarmos a unidade de esquerda para superar essa crise, fortalecendo o movimento sindical sempre com a consciência da defesa da democracia. Pois este é o bem maior que nos permite negociar e seguir defendendo os nossos ideais”, reforçou.
Fonte: SEEB Jundiaí com Fetec-CUT/SP
