Lucro do BB cresce 51% e atinge R$ 21 bi em 2021, com fechamento de 7 mil postos de trabalho

”Resultado do último trimestre foi construído à custa da saúde dos funcionários por ocasião da péssima gestão da pandemia”, afirma Getúlio Maciel do CEBB e Fetec SP

O Banco do Brasil atingiu lucro líquido ajustado de R$ 21,021 bilhões em 2021. O resultado representa alta de 51,4% em relação a 2020 e foi impactado, segundo a empresa, pela estabilidade das despesas administrativas, a redução da PCLD ampliada e o aumento da margem financeira bruta e das receitas de prestação de serviços.

O Lucro Líquido contábil somou R$ 19,710 bilhões, que corresponde a um crescimento de 55,2% em comparação a 2020. O retorno sobre o patrimônio líquido (RPSL) ajustado aumentou 4,4 pontos percentuais em doze meses, ficando em 14,8%.

Para Getúlio Maciel, dirigente do Banco do Brasil pela Fetec-CUT/SP e integrante da Comissão Executiva dos Funcionários do BB (CEBB), o fato negativo mais relevante é que o resultado do último trimestre foi construído à custa da saúde dos funcionários por ocasião da péssima gestão da pandemia de Covid-19, que gerou diversas ações judiciais ao redor do país, buscando assegurar maior segurança aos funcionários nas agências varejo, com redução da jornada e contingenciamento do atendimento, e também a fim de assegurar o teletrabalho aos colegas do grupo de risco e aos que trabalham em escritórios.

“Tristemente, a atual direção do BB apostou na imunidade de rebanho, comprometendo a saúde dos funcionários e de seus familiares, num claro alinhamento com a postura negacionista do desgoverno Bolsonaro. Nenhum lucro é mais importante que a saúde e a vida das pessoas. Em torno de 4 mil colegas foram contaminados no Brasil desde o último mês de janeiro, demonstrando a clara irresponsabilidade da empresa em relação ao tema”, lembra o dirigente.

Banco do Brasil fechou 7 mil postos de trabalho em 2021
O BB fechou 7.076 postos de trabalho em 2021, seguindo a trajetória de redução de empregos verificada nos últimos anos.
Em 2016, o Banco do Brasil tinha 64,7 milhões de clientes, número que saltou para os atuais 78,3 milhões no quarto trimestre de 2021. Um aumento de 20,8%. A quantidade de trabalhadores, por sua vez, reduziu 15,9% no mesmo período, passando de 100.622 para os atuais 84.597. Os dados são das Demonstrações Financeiras do Banco do Brasil.

Além disso, foram fechadas 388 agências tradicionais e abertos 8 postos de atendimento bancário em comparação a dezembro de 2020.
“Os dados mostram que, no governo Bolsonaro, o Banco do Brasil segue o caminho de encolhimento iniciado ainda no governo Temer, com redução de postos de trabalho, o que resulta em sobrecarga de trabalho, acúmulo de funções e adoecimentos para os funcionários remanescentes, e piora na qualidade do atendimento, tendo em vista o aumento do número de clientes no período. Este cenário é ideal para jogar a opinião da população contra a empresa pública. Uma estratégia orquestrada para forçar a privatização do banco. Tudo aquilo que os governos de orientação neoliberal e os bancos privados querem”, afirma Getúlio.

PDE aumentou despesas com pessoal
As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias alcançaram R$ 29,343 bilhões em 2021 (+2,2% em 12 meses), superando as projeções corporativas.

Já as despesas com pessoal, incluindo o pagamento da PLR, aumentaram 8,3% no ano, totalizando R$ 23,541 bilhões. Assim, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco foi de 124,6% no ano.

O aumento das despesas de pessoal se deu, especialmente, por conta das despesas com o Programa de Desligamento Extraordinário (PDE) anunciado em janeiro de 2021. Mesmo assim, só com a prestação de serviços e tarifas bancárias, o BB consegue pagar toda a sua folha de pagamento e ainda sobram R$ 5,8 bilhões.

Crescimento da carteira de crédito
A carteira de crédito ampliada teve crescimento de 17,8% em doze meses, totalizando R$ 874,9 bilhões em 2021. O segmento de Pessoas Física cresceu 15,8% (R$ 265,6 bilhões), com destaque para o saldo recorde do crédito consignado (R$ 106,8 bilhões).

No segmento de Pessoa Jurídica, o crescimento foi de 12,0%, totalizando R$ 317,8 bilhões, com destaque para o crédito voltado às Micro, Pequenas e Médias Empresas, que teve recorde de desembolsos (R$ 70,4 bilhões).

A carteira do Agronegócio (que representa 54% do segmento no país) também registrou recorde no ano, com crescimento de 29,4%, chegando a R$ 248 bilhões. Já a carteira externa registrou crescimento de 14,8% em doze meses, alcançando R$ 43,51 bilhões.

A provisão para créditos de liquidação duvidosa (PCLD) recuou 30,0% em comparação a 2020, totalizando R$ 17,9 bilhões. O índice de inadimplência para atrasos superiores a 90 dias foi de 1,75%, redução de 0,15 pontos percentuais na mesma comparação, abaixo da inadimplência do Sistema Financeiro Nacional (2,30%).

“O movimento sindical, os trabalhadores e a população exigem o fortalecimento do Banco do Brasil por meio da ampliação das contratações a fim de prestar um atendimento melhor, e reduzir a sobrecarga de trabalho e os adoecimentos. O Banco do Brasil é um patrimônio do povo brasileiro com mais de dois séculos de existência, e não uma propriedade para que o governo de plantão atue para sucateá-lo a fim de forçar uma privatização que só beneficiaria os bancos privados, que teriam ainda menos concorrência em um setor já extremamente concentrado. Por isto, os sindicatos e os funcionários seguirão na luta em defesa da empresa pública, uma luta que toda a sociedade deve encampar.”
Getúlio Maciel, dirigente do Banco do Brasil pela Fetec-CUT/SP e integrante da CEBB

Fonte: seeb sp

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