Resultados comprovam que não há motivo para vender o banco, nem suas subsidiárias
O Banco do Brasil obteve lucro líquido ajustado de R$ 13,2 bilhões,
nos primeiros nove meses de 2019, crescimento de 36,8% com relação ao
mesmo período de 2018. Segundo o banco, o resultado do trimestre foi
influenciado pelos aumentos da margem financeira bruta e da recuperação
de crédito, que impactaram na redução da despesa com provisões para
devedores duvidosos (PDD). O retorno sobre o patrimônio líquido (RPSL)
ajustado cresceu 3,1 pontos percentuais em doze meses, ficando em 14,9%.
“O
BB apresenta lucro em cima de lucro e é altamente rentável. Os
resultados comprovam que não existe qualquer motivo para que o governo
insista em vender o banco, seja a empresa mãe, seja as subsidiárias”,
afirmou o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco
do Brasil (CEBB), João Fukunaga. “A única justificativa seria a
existência de interesses escusos, que não podem ser revelados para a
sociedade”, completou.
Tarifas, agências e emprego
As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram
7,3% em um ano, alcançando R$ 21,7 bilhões, enquanto, as despesas com
pessoal, incluindo o pagamento da PLR, cresceram 11,7% no mesmo período,
totalizando a R$ 18,5 bilhões. Assim, a cobertura dessas despesas pelas
receitas secundárias do banco foi de 117,06% em setembro de 2019.
“Somente
com o montante das tarifas que o banco cobra de seus clientes, que é
irrisório perto do que o banco arrecada com outras fontes de receita,
ele consegue pagar toda a folha de pagamento e ainda sobra
17,06%”observou Fukunaga. “As tarifas estão altas, os funcionários estão
sobrecarregados e são mal remunerados. Isso é o que dá para perceber
analisando esse dado”, completou.
Ao fim do 3º trimestre de
2019, o BB contava com 93.872 funcionários. O quadro de funcionários
sofreu uma redução de 3.360 postos de trabalho em doze meses. Segundo análise realizada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese),
a grande redução do quadro de funcionários se deve ao Programa de
Adequação de Quadros (PAQ), anunciado ao final de julho de 2019, e que,
de acordo com o relatório do banco, resultou no desligamento de 2.367
funcionários, gerando uma despesa de R$ 250 milhões. No período, também
em função do PAQ, foram fechadas 462 agências e abertos 98 postos de
atendimento.
“A população é fortemente afetada tanto pela
redução do quadro de funcionários quanto pelo fechamento de agências. É
cada vez maior o número de cidades brasileiras sem qualquer tipo de
atendimento bancário. Além de ter que se deslocar por grandes distâncias
até encontrar uma agência, quando encontra as pessoas precisam
enfrentar grandes filas em função da falta de funcionários para prestar
atendimento”, explicou o coordenador da CEBB. “A população mal atendida e
os funcionários estressados, sobrecarregados e sob grande pressão são
as consequências desta política adotada pela atual gestão, que prejudica
a população e leva os trabalhadores ao adoecimento”, concluiu Fukunaga.
Crédito
A carteira de crédito ampliada diminuiu 0,7% em doze meses, totalizando saldo de R$ 686,7 bilhões. Em relação ao trimestre anterior a carteira permaneceu estável. O crédito para Pessoa Jurídica teve queda de 5,4% em relação a setembro de 2018, com redução maior nas linhas para Grandes Empresas (-17,8%) e Governo (-1,4%). O destaque positivo no segmento PJ ocorreu nas linhas de financiamento para Micro, Pequenas e Médias Empresas (alta de 8,9% no período). O crédito para Pessoa Física cresceu 9,3% em doze meses, totalizando R$ 209,6 bilhões e com destaques para os empréstimos pessoais (alta de 73,2%) e o crédito renegociado (crescimento de 17,2%), enquanto o microcrédito caiu 13,5% e as linhas de financiamento a veículos tiveram queda de 5,1% em doze meses. A carteira de crédito para o Agronegócio (que representa 65,1% do segmento no país) caiu 3% em doze meses, chegando a R$184,5 bilhões.
As despesas com provisão para créditos de liquidação duvidosa (PCLD) caíram 4,1% em relação a setembro de 2018, totalizando cerca de R$ 14,7 bilhões. O índice de inadimplência para atrasos superiores a 90 dias foi de 3,47%, com queda de 0,66 pontos percentuais em relação a junho de 2018.

Fonte: Contraf-CUT