ITAÚ: Resoluções da conferencia nacional

Itaú: Insegurança e fim das metas na pauta de 2008

Os representantes dos funcionários do Itaú estiveram reunidos na última segunda-feira, dia 28, para pontuar os problemas mais graves enfrentados pelos bancários e que integrarão pauta específica de reivindicações. Dentre os pontos elencados estão: conseqüências das metas abusivas para a vida do trabalhador, insegurança nas agências e nos postos de atendimento, melhorias no plano de saúde e mudanças na previdência complementar.

Os dirigentes sindicais também reforçaram a importância de manter os quatro principais pontos deliberados no Planejamento da COE Itaú, ocorrida em janeiro deste ano. São eles: remuneração total, previdência complementar, enquadramento sindical e saúde e condições de trabalho.

A insegurança foi citada por quase todas as dez federações presentes, principalmente pela falta de câmeras de vigilância nas agências e postos de atendimento. Os relatos reforçam a multa imposta pela Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada (CCASP), coordenada pela Polícia Federal, que, multou o banco em R$ 460 mil, a maior condenação entre todos os bancos, justamente pela falta de segurança.

A Cultura de Performance imposta pelo banco também foi criticada, classificada como instrumento usado para legitimar sua forma de organização do trabalho. Esse programa está relacionado diretamente ao programa AGIR (Ação Gerencial Interna de Resultados) que interfere negativamente e de forma direta na qualidade de vida dos bancários.

Outro problema comum pontuado foi a falta de funcionários. Foram citados casos de agências que chegam a funcionar com apenas um trabalhador. O plano odontológico também foi alvo de reclamações de quase todas as federações presentes.

No período da tarde, o encontro foi dedicado inteiramente a previdência complementar no Itaú, especialmente para Plano de Aposentadoria Complementar (PAC). Após uma ampla exposição feita pelo responsável pelo fundo de pensão do Itaú, os trabalhadores fizeram questionamentos e deixaram clara a necessidade de instituir um benefício mínimo, benefício de pensão e alternativas para os mais de 10 mil funcionários que entraram no banco a partir de agosto de 2002 e que não estão contemplados com o benefício.

Reunião – Nesta terça-feira (29), os representes do CAPS (Comitê de Acompanhamento do Plano de Saúde) estiveram reunidos na sede da Contraf-CUT para fechar a minuta, com a contribuição de todas as federações, que será entregue ao banco no próximo dia 18 de agosto. A ata está disponível nos próximos dias para consulta dos sindicatos.

Bradesco: Funcionários elegem auxílio-educação como principal reivindicação

Os bancários do Bradesco decidiram intensificar as ações de mobilização durante a campanha nacional da categoria. A Idéia é cobrar do Bradesco o auxílio-educação já incorporado por outros grande bancos, em negociações específicas. Plano de cargos e salários, melhorias no plano de saúde, com a inclusão de pais, previdência complementar e a remuneração variável são outros pontos que integram a pauta específica dos bancários do Bradesco.

Na reunião, os funcionários assistiram a um vídeo com o balanço das atividades realizadas durante a campanha de valorização dos funcionários do bradesco, ocorrida em todo o Brasil. Foi divulgado também o resultado da consulta onde os bancários elegeram as questões prioritárias dentro do Bradesco e que fazem parte da minuta de reivindicações que será entregue no dia 13 de agosto à Fenaban.

Os dirigentes sindicais também aprovaram a organização de um seminário sobre Remuneração Variável. No que se refere ao plano de saúde foram relatadas as dificuldades regionais, devido à falta de rede credenciada.

Estamos lutando pela ampliação das especialidades contempladas no plano, com a inclusão dos pais, reembolso total das despesas de viagem quando não houver especialista na cidade e abono de ponto quando for necessário levar um dos familiares para outra cidade”, comentou Pedro Sardi, secretário-geral da FETEC/CUT-SP e funcionário do Bradesco.

O dirigente sindical frizou ainda a importância da mobilização dos trabalhadores do Bradesco em todas as questões encaminhadas. “Se quisermos resultados efetivos, precisaremos intensificar nossas ações, inclusive, desconstruindo essa imagem de empresa socialmente responsável e banco completo, afirmou Sardi.

O encontro dos trabalhadores aconteceu na última segunda-feira, dia 28, durante a 10ª Conferência Nacional dos Bancários.

Unibanco: Bancários definem temas específicos

Encerrada a primeira etapa da 10ª Conferência Nacional dos Bancários, os 830 delegados se reuniram para discutir as questões especificas de cada banco. Os temas decorrentes do Unibanco foram colocados em pauta na manhã desta segunda-feira (28). Remuneração, PCS, saúde, segurança e os fundos de pensão tiveram destaque nas discussões.

Outros problemas também foram evidenciados, como a questão do plano odontológico, perícia médica, falta de funcionários nas agências, o contrato de metas, doenças ocupacionais, entre outros.

A saúde do trabalhador bancário foi o primeiro tema a ser debatido, com as seguintes propostas: Prevenção e reabilitação, Isonomia de direitos, Jornada de 6 horas diárias, Combater o assédio moral, Respeito à cláusula 79 da CCT e Cumprimento das normas de segurança.

Prevenção e reabilitação

Estabelecer uma política de prevenção, que trate da ergonomia e que discuta a organização do trabalho no banco. Outro problema é a não emissão do CAT pelos bancos (Comunicação de Acidente de Trabalho), não levando em conta também o Nexo Técnico Epidemiológico.

Foi proposto que haja uma melhor avaliação ao reabilitado, acompanhado por um médico do sindicato junto ao profissional do banco. O diretor da FETEC/CUT-SP, Jair Alves, lembra que há muitos trabalhadores lesionados que são demitidos ao retornar para o banco, como aqueles com doenças crônicas (AIDS e câncer, por exemplo).

Perícia

O descaso com o bancário licenciado por doenças ocupacionais é confirmado nas perícias. O trabalhador recebe alta e a previdência o manda de volta para o banco, deixando-o sem respaldo algum. Muitos pedem demissão por conta da situação.

Sobre isso, foi deliberada a realização de uma pesquisa para mapear quantos bancários existem na base da categoria. A semana de prevenção de doenças do trabalho, que será realizada pela Contraf/CUT, entre os dias 25 a 29 de agosto, também será utilizada para tratar de assuntos específicos do banco.

Segurança

Os tópicos ressaltados foram à inclusão de portas giratórias, as reformas que, durante sua execução, deixam agências mais vulneráveis e o problema de renovação das mobílias, já que há projetos apenas em alguns locais e não no país inteiro. Também foi ressaltada a falta de funcionários nas agências - há unidades com apenas quatro funcionários.

Combate ao assédio moral

Há diretores que assediam moralmente os clientes que chegam à agência questionando o que eles desejam e terminam deslocando-os aos terminais de auto-atendimento quando não se trata da venda de nenhum produto.

Fim das metas abusivas

No Unibanco há um programa de metas chamado Catavento. Trata-se de uma planilha enviada aos gerentes com metas diárias. Ao final do mês, deve ser apresentado um relatório ao gerente geral da agência. Caso as metas não sejam cumpridas, o bancário é demitido, o que levou muitos trabalhadores a deixar o banco.

“O contrato de metas é o grande vilão do trabalhador”, diz Jair, ao acrescdntar “os trabalhadores no callcenter do Unibanco são os bancários que mais sofrem com este processo. O ITM se tornou um grande foco de bancários com doenças ocupacionais. São três mil funcionários. Além disso, à questão das perícias, os médicos dão alta para todo mundo. É preciso ter ética médica”.

Entre os que deixam o banco, 70% dos bancários o fazem por conta própria, além de muitos outros que são demitidos por justa causa, recebendo cartas de advertência até culminar com a demissão.

Plano de Cargos e Salários

O Unibanco possui 28 mil funcionários, sendo que 82% atuam com a carga horária de 8 horas. 30% dos bancários possuem uma remuneração abaixo da faixa 1, sofrendo prejuízos com a PLR, remuneração variável, entre outros.

Fundos de Pensão

Atualmente o Unibanco possui o UBB Prev, chamado de fundo inteligente. São 12 mil associados em todo o conglomerado. “Há apenas cinco anos este tema vem sendo discutido pelo movimento sindical no que se refere aos bancos privados”, destaca Jair Alves.

Para ele, falta informação do investimento aos bancários, que tem dúvidas se é interessante ou não aderir. Para isto, será criado um seminário para aprofundar o tema entre os dirigentes sindicais, para que estejam prontos a discutir o tema com o trabalhador. Também será criada uma comissão eleitoral para debater o fundo de pensão.

Outra proposta é reavaliar a participação financeira no investimento. Atualmente, banco e trabalhador participam com aplicação de um mesmo valor, R$ 12,00.

Remuneração

O objetivo deste ano é atingir uma remuneração extra, de forma linear a todos os bancários, que será contemplada em uma minuta de reivindicações especificas, visando os acordos coletivos trabalhistas. Regulamentação de remuneração complementar linear será de 5%, sendo anualmente incorporada ao salário, com 1% ao ano.

Respeito à cláusula 79 da CCT

Intensificar a fiscalização no cumprimento da cláusula 79 da minuta. “Todo bancário demitido tem que passar por um exame demissional”, afirma a secretaria de Assuntos Socioeconômicos da Contraf/CUT e diretora do Sindicato de Belo Horizonte. “Os bancários estão sendo demitidos com exame periódico”.

Foi ressaltada também a isonomia de direitos entre os trabalhadores afastados e ativos e a dificuldade que o dirigente sindical possui em dialogar com o RH do banco.

Jornalista: Michele Amorim



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