IR: veja quanto a defasagem da tabela faz você pagar a mais de imposto

Hoje, a faixa de isenção pega salários de até 1.903,98. Se a tabela fosse corrigida pela inflação, somente salários a partir de R$ 4.022,89 seriam tributados.

A falta de correção da tabela de Imposto de Renda faz com que as pessoas paguem muito mais tributo do que deveriam. Segundo cálculos do Sindifisco (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal), a defasagem chega a 113%.

Isso acontece porque a tabela não é reajustada de acordo com o IPCA, o indicador oficial de inflação do país. Essa disparidade acontece desde 1996. Desde então, a tabela de IR só foi corrigida em 13 desses 24 anos. A última reposição ocorreu em 2015.

O que isso significa? De cara, significa que um monte de gente que deveria estar isento de IR está pagando imposto.  Hoje, a faixa de isenção pega salários de até 1.903,98. Se a tabela fosse corrigida pela inflação, somente salários a partir de R$ 4.022,89 seriam tributados.

Mas não são apenas os isentos que pagam o pato. Hoje, salários acima de R$ 4,664,68 são tributados pela alíquota máxima de 27,5%. Se a tabela fosse corrigida, essa alíquota incidiria para remunerações superiores a R$ 9.996,73.

A partir desse levantamento do Sindifisco, o 6 Minutos produziu dois gráficos que vão te ajudar a perceber quanto o IR vem pesando a mais no seu bolso.

Trajetória da defasagem (1996-2020)

Agora, veja o quanto você paga a mais de Imposto de Renda por conta da falta de correção da tabela. O valor da mordida varia de acordo com o salário.

Para fazer o cálculo, escolha o valor que mais se aproxima do seu salário, clicando na página: https://bit.ly/3rfPE00

fonte: site 6 minutos

É por isso que a segunda barra só aparece em salários acima de R$ 4.022,89. Segundo os cálculos do Sindifisco, a faixa de isenção iria até esse valor.

Impacto na remuneração e no poder de compra

Para os trabalhadores com carteira assinada, a cada ano que a tabela não é corrigida, uma parte dos seus recursos passa a ser tributada – o Sindifisco chama isso de imposto inflacionário.

Um exemplo é o do trabalhador que está no limite de uma faixa de tributação do IR. Com a correção anual do salário, ele passa para a faixa seguinte e deve pagar mais de imposto, mesmo sem ter tido um ganho real na remuneração.

Quem ganha menos paga mais

Para Ayrton Bastos, vice-presidente do Sindifisco, a correção da tabela do Imposto de Renda seria uma forma de minimizar a injustiça fiscal no país, que penaliza os que ganham menos.

“O trabalhador brasileiro é extremamente tributado, principalmente porque ele gasta praticamente tudo o que ganha no consumo e o nosso modelo de tributação incide principalmente sobre esse setor”.

Entre as mudanças que ajudariam a mudar esse cenário, segundo ele, estão a tributação de lucros e dividendos, o pagamento de IPVA para sobre lanchas, jatinhos e helicópteros, imposto sobre grandes fortunas e o aumento na tributação de heranças — hoje em 4%.

Promessa do governo

O presidente Jair Bolsonaro disse no começo do ano que não conseguiria mexer na tabela do Imposto de Renda, afirmando que o Brasil estaria “quebrado”.

Em campanha eleitoral, Bolsonaro havia prometido subir a faixa de isenção para cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 4.770 na época. Já no ano passado, a promessa foi de uma ampliação menor: para R$ 3.000.

Sobre esta última possibilidade, o ministro Paulo Guedes afirmou que a mudança teria um custo de R$ 22 bilhões por ano aos cofres públicos. A proposta segue em estudo pela equipe econômica.

Quando questionada sobre o assunto, a Receita Federal declarou à redação do 6 Minutos que “não se manifesta sobre matéria ou atos ainda em discussão”.

fonte: 6 minutos

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