Golpe de 1964 completa 61 anos: não podemos esquecer

Marcar a data é essencial para que as gerações futuras nunca permitam que a história se repita

Em 31 de março de 1964, há exatos 61 anos, o Brasil vivia um dos momentos mais sombrios de sua história: o golpe militar que depôs o então presidente João Goulart e deu início a um regime autoritário que duraria até 1985. Por mais de duas décadas, o país enfrentou a supressão de direitos, censura, tortura e assassinatos de opositores políticos.

“O golpe de 1964 deixou marcas profundas no nosso país, algumas das quais ainda não foram superadas”, destacou Paulo Malerba, presidente do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região: “Apesar o processo de redemocratização e diferente de ouros países latinoamericanos (como a Argentina e o Chile, no Brasil ditadores, torturadores e outros promotores do golpe e das injustiças praticadas naquele período não foram devidamente julgados”, destacou. “A lei de Anistia de 1979 beneficiou os agentes do estado e, de certo modo, relativizou os crimes cometidos pela ditadura. Por isso essa história permanece inconclusa e mesmo que hajam avanços, nossa democracia, ainda é frágil”.

Parece absurdo, uma pessoa que defende a democracia pode ser vista como vilã no Brasil. Parte da população tem dificuldade de entender o papel da liberdade e dos movimentos sociais na luta por justiça”, afirmou Malerba: “Isso também é consequência do projeto político e ideológico dos militares, de tempos em tempos reavivado por segmentos avessos à liberdade”.

O que disseram os líderes dos três poderes no Brasil

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), utilizou sua conta na rede social X para enfatizar a importância da democracia, dos direitos humanos e da soberania popular. “Hoje é dia de lembrarmos da importância da democracia, dos direitos humanos e da soberania do povo para escolher nas urnas seus líderes e traçar o seu futuro. E de seguirmos fortes e unidos em sua defesa contra as ameaças autoritárias que, infelizmente, ainda insistem em sobreviver”, escreveu Lula. “Não existe um verdadeiro desenvolvimento inclusivo sem que a voz do povo seja ouvida e respeitada. Não existe justiça sem a garantia de que as instituições sejam sólidas, harmônicas e independentes”, pontuou.

O ministro Luiz Roberto Barroso, do Supremo, não se pronunciou de modo pessoal, mas o STF destacou, em sua conta no X “Há 61 anos, direitos fundamentais foram comprometidos no Brasil: era o início da ditadura militar, que perdurou por 21 anos. A Constituição Federal de 1988 foi o marco da redemocratização e restabeleceu garantias, princípios e diretrizes para reger o Estado Democrático de Direito. 31 de março de 1964: lembrar para que nunca mais se repita. Hoje e sempre, celebre a democracia e a Constituição Cidadã

Até a conclusão desta matéria, o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre não havia se pronunciado. O Senado, no entanto, relançou hoje a coleção História da Ditadura: do golpe militar à redemocratização.

Contraf-CUT

Para a secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT, Elaine Cutis, recordar o golpe é um compromisso com a verdade, a justiça e a democracia. “É fundamental honrar a resistência daqueles que lutaram pela liberdade e pelos direitos fundamentais, muitos dos quais pagaram com suas vidas”, afirmou.

Elaine Cutis também alertou sobre os perigos do revisionismo histórico que tenta minimizar os crimes cometidos durante a ditadura. “Num momento em que discursos revisionistas e negacionistas tentam minimizar os crimes da ditadura, é nosso dever reafirmar: ditadura nunca mais. O golpe militar de 1964 e suas consequências permanecem como um capítulo essencial da história do Brasil. Preservar a memória desse período é essencial para que as gerações futuras nunca permitam que a história se repita.”

Com informações do SEEB Jundiaí e Contraf-CUT

Compartilhe!

Seu Banco

Seu Sindicato