Trabalhadores lutam contra demissões, fechamento de agências e projeto de privatização do Banco do Brasil; assembleias, realizadas em todo o país, contaram, em média, com 80% de aprovação do estado de greve
Funcionários do Banco do Brasil em todo o país participaram na noite desta sexta-feira de assembleias realizadas pela internet e aprovaram o Estado de Greve.
“Os funcionários mostraram que querem negociar. Exigem que o banco seja transparente com relação ao plano que está em implantação. Queremos saber quantas e quais agências serão fechadas, quantos funcionários serão afetados e o que o banco pretende fazer para que os trabalhadores não sejam, mais uma vez, prejudicados”, disse o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga.
O Estado de Greve é um alerta para que a direção do banco e o governo se atente para as reivindicações dos trabalhadores e abram negociação para que se evite a deflagração da greve.
Na base de Jundiaí e região, o Sindicato fará reuniões e entregará material específico aos funcionários do BB.
Os bancários do Banco do Brasil já realizaram atos nacionais no dia 15 e no dia 21 de janeiro. Em 29 de janeiro foi realizada uma paralisação de 24 horas. Também houve mobilizações nas redes todos estes dias.
“Temos que estar preparados para o pior, pois temos no comando do país um governo que, declaradamente, quer acabar com os diretos dos trabalhadores e que vê o funcionalismo como um problema para seu projeto privatista. Um governo que quer, a qualquer custo, acabar com o Banco do Brasil”, completou a secretária de Juventude e representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) na CEBB, Fernanda Lopes.
Pressão
Os funcionários estão pressionando o banco para que o mesmo seja transparente e abra negociações com relação ao plano que prevê a demissão de 5 mil funcionários (em plena pandemia), além do fechamento de 112 agências, 242 postos de atendimento e sete escritórios.
Na quarta-feira (3), os funcionários realizaram reunião com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para pedir intervenção do órgão na busca de informações. “Procuramos a intermediação do MPT porque a direção do banco, pela primeira vez, se recusou a nos informar sobre mudanças que afetam os funcionários de forma contundente”, afirmou o coordenador da CEBB, João Fukunaga.
O banco se comprometeu na reunião a submeter a pauta com os pontos destacados pela Contraf-CUT à instância superior e trazer a resposta até a próxima audiência com o MPT, na segunda-feira (8).
“Os funcionários exigem negociação e transparência”, informam os sindicatos do país. Após a paralisação do dia 29, quando houve forte adesão da categoria ao protesto, novamente os bancários reforçaram que não irão aceitar passivamente odesmantelamento do BB.
Encolhimento do Banco do Brasil
A reestruturação pretende demitir 5 mil bancarios por PDV, fechar 361 unidades – sendo 112 agências, 7 escritórios e 242 postos de atendimento –, e descomissionar centenas de funções.
O aumento da digitalização bancária é o principal argumento do governo federal para colocar em prática a reestruturação.
Esse processo crescente de digitalização inclui as classes média e alta, mas exclui as camadas mais vulneráveis. Ao tomar esta decisão, a direção do banco está tirando o atendimento dessas pessoas de renda mais baixa e atacando diretamente o papel do BB de indutor da economia, principalmente para as micro e pequenas empresas.
BB é essencial nas crises
Durante a crise causada pelo coronavírus, o Banco do Brasil concedeu R$ 6,6 bilhões em crédito para 110 mil micro e pequenas empresas por meio do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). Para efeito de comparação, por meio do mesmo programa, o Itaú concedeu R$ 3,9 bilhões para 42 mil empresas.
Redução dos bancos públicos
Por outro lado, entre 2014 e 2020 o Banco do Brasil fechou 19,5 mil postos de trabalho (variação negativa de 17,5%) e a Caixa 16,9 mil (variação negativa de 16,9%), enquanto o Bradesco abriu 414 vagas (variação positiva de 0,4%), o Itaú fechou 1.920 (-5,1%), e o Santander 4,1 mil (-8,4%).
Mais lucro, menos funcionários e exclusão bancária
Entre 2016 e 2019, o lucro líquido ajustado do BB apresentou crescimento de 122%, passando de R$ 8,033 bilhões em 2016 para R$ 17,848 bilhões em 2019. No mesmo período, o banco fechou 19% das agências e reduziu o quadro de funcionários em 16%.
“A redução de milhares de postos de trabalho, o fechamento de centenas de unidades e a extinção da função do cargo de caixa resultará, para a sociedade, no enfraquecimento da função social do banco público, bem como na elitização do seu atendimento. Para os bancários, representará mais sobrecarga de trabalho e rebaixamento de cargos. É um processo que favorece a classe alta e os acionistas e não beneficia nem os funcionários e muito menos a população”, afirma Adriana Ferreira, do Sindicato de São Paulo.
O Sindicato destaca que muitos municípios brasileiros só contam com agências do Banco do Brasil, porque não interessa aos bancos privados atuar em localidades que não trazem retorno.
Mobilização de todos
Os sindicatos enfatizam a importância da adesão dos bancários à paralisação, assim como o diálogo e a mobilização com a sociedade em defesa da função pública do banco. “A luta em defesa da função social do banco é de toda a sociedade”.
fontes: Contraf CUT e Seeb SP