Estados anunciam flexibilização em época de alta circulação de vírus respiratórios, aponta série da Fiocruz

Em Jundiaí, no auge da pandemia, centro da cidade lotado impressiona no primeiro dia de flexibilização do comércio. Cidade já registra 72 óbitos.

Os anúncios de flexibilização das medidas de isolamento contra a Covid-19, feitos em vários estados, estão ocorrendo na época em que há maior circulação de vírus respiratórios no país, segundo séries históricas do InfoGripe, sistema de monitoramento da Fiocruz.

Avaliando os dados dos últimos anos considerados “regulares” (período de 2010 a 2015 e o ano de 2017), a incidência de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que está associada à circulação dos vírus respiratórios, costuma ser maior exatamente nesta época na maior parte do país.

A incidência representa o número de casos de uma doença para cada 100 mil habitantes de uma determinada região.

Para entender padrões de circulação de vírus respiratórios, o país é classificado em quatro “regionais”: norte, sul, central e leste. Os períodos de maior ou menor circulação coincidem com características climáticas, explica Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe.

“Os padrões são distintos. A gente não tem um território homogêneo em termos de vírus respiratórios porque o clima não é homogêneo. Esse é o principal fator”, explica Gomes.

“Como tem um país continental, tem perfis climáticos diferentes. Se a gente olha o mapa climático do Brasil, consegue fazer uma divisão territorial que é similar ao que vê com base no perfil de circulação de síndromes respiratórias agudas graves”, esclarece.

Conforme esse padrão, na regional leste, a incidência de SRAG começa a aumentar de meados para final de abril (semana epidemiológica 17) e só começa a cair de meados para final de junho (semana 25), para ter uma queda maior em meados de julho (semana 29).

A semana epidemiológica é uma convenção usada internacionalmente que vai de domingo ao sábado de uma determinada semana. Nesta segunda-feira (1º), o Brasil entrou no segundo dia da semana epidemiológica 23.

Para Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe, um dos fatores que devem ser considerados ao considerar o relaxamento das medidas é, justamente, o número de novos casos. Se esse número ainda estiver aumentando ou mesmo se estabilizando, significa que o vírus ainda está presente.

Se ainda não começou a cair, é porque ainda não está sendo difícil para o vírus encontrar novos indivíduos para infectar”, avalia.

Um dia depois do anúncio de flexibilizações em São Paulo, por exemplo, o estado registrou o número mais alto de novos casoscasos para um período de 24 horas desde o início da pandemia: 6.382.

Outro fator a ser considerado na abertura é a capacidade hospitalar para atender novos pacientes, afirma Gomes.

Se ainda não está numa fase de declínio – não apenas decair, mas decair bastante o número de novos casos – a gente não deveria falar em flexibilização do isolamento social, porque a rede hospitalar ainda está sobrecarregada e a gente ainda está com o vírus circulando. Se flexibilizar, vai ter um aumento do número de novos casos com uma rede que não vai conseguir dar conta“, avalia.

fonte: G1(Bem-Estar) com edição Seeb Jundiaí

Confira a série completa da Fiocruz em https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/06/02/estados-anunciam-flexibilizacao-em-epoca-de-alta-circulacao-de-virus-respiratorios-apontam-series-historicas-da-fiocruz.ghtml

Em Jundiaí, centro lotado impressiona no 1o dia de flexibilização do comércio

Imagens do Centro de Jundiaí, captadas pelo site Tribuna de Jundiaí, na manhã desta segunda-feira (1), no primeiro dia de flexibilização do comércio na cidade, impressionaram o país inteiro pelo alto número de pessoas circulando nas ruas centrais, aglomeradas em filas e muitas sem máscara, no auge da pandemia.

Nesta segunda-feira (1), a prefeitura divulgou que a cidade já chegou a 72 óbitos. Jundiaí já ultrapassa os 900 casos de pessoas contaminadas.

fotos: Tribuna de Jundiaí

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