Empresários pró-Bolsonaro pagam milhões de mensagens no WhatsApp

Esquema ilegal é revelado pelo jornal Folha de São Paulo. Partido dos Trabalhadores pede ao Tribunal Superior Eleitoral que investigue o caso.

Uma investigação do jornal brasileiro Folha de São Paulo revelou esta quinta-feira que há empresas a contratar o envio, através da rede WhatsApp, de centenas de milhões de mensagens e notícias falsas contra o candidato presidencial do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, num esforço para beneficiar Jair Bolsonaro a pouco mais de uma semana do segundo turno das eleições, marcado para 28 de Outubro.

Entre as empresas sob suspeita está a Havan, cujo proprietário Luciano Hang é um conhecido apoiante de Bolsonaro, inclusive já tendo sido filmado a coagir os seus funcionários a votar no candidato de extrema-direita.

PT avança com pedido de investigação junto do Tribunal Superior Eleitoral

O PT (por meio da senadora Gleisi Hoffmann) avançou com um pedido de investigação judicial no Tribunal Superior Eleitoral para averiguar o suposto abuso de poder econômico e político e uso indevido de meios de comunicação. A este esquema, Hoffmann chamou de “fábrica de mentiras” de Bolsonaro, cita a Folha de São Paulo. “Isso mostra que a onda que se teve não foi uma onda de convencimento do eleitorado pelas causas ou pela proposta do candidato, mas foi construída nos subterrâneos da internet”, completou a senadora.

Nesta quinta-feira, e em reação à reportagem da Folha, Fernando Haddad já tinha anunciado que iria recorrer à justiça criminal e eleitoral contra Bolsonaro, acusando-o de montar uma organização criminosa para influenciar o resultado das eleições.

“Vamos pedir providências para que esses empresários corruptos sejam imediatamente presos para parar com essas mensagens de WhatsApp”, disse Haddad numa conferência de imprensa. “Espero que a democracia resista ao que está a acontecer.”

Escândalo de mensagens anti-PT no WhatsApp constrange TSE

Magistrados acusam Rosa Weber de pouco jogo de cintura ao lidar com a situação

O escândalo do disparo de mensagens anti-PT nas redes bancado por empresas de forma ilegal, revelado pela Folha, e a disseminação generalizada de fake news nas eleições já está causando constrangimento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que não consegue responder ao fenômeno.
Em meio à confusão, magistrados acusam a presidente do TSE, Rosa Weber, de pouco jogo de cintura ao lidar com a situação e com os próprios colegas.

Na quarta (17), Rosa fez reunião com os representantes das campanhas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) e convidou apenas dois ministros para o encontro: Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, que são também, como ela, integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal).

Os outros magistrados, que integram também outros tribunais ou que representam a advocacia, foram preteridos.

Um deles afirmou à coluna, sob a condição de anonimato, que Rosa revelou preconceito e que “não existem castas de ministros no TSE”. O barco, se um dia afundar, diz ele, leva todos os magistrados juntos.

Um outro diz que ficou perplexo com o fato de ela nem sequer convidar os magistrados responsáveis por analisar processos de propaganda eleitoral para o encontro.

fonte: Folha de S.Paulo/Uol

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