Como imaginar a Caixa sem suas grandes ações sociais que mudam a vida de milhares de famílias em todo o país? E a agricultura familiar sem o Banco do Brasil?

Os diretores do Sindicato, Paulo Malerba, funcionário do BB e Paulo Mendonça, empregado da Caixa, comentam o retrocesso que o país poderá enfrentar com as privatizações e as reestruturações defendida pelo governo Temer.

 

Quais seriam as consequências se a Caixa e/ ou o BB sofressem uma privatização?

Mendonça –  A principal consequência é que o Brasil estará perdendo importantes instituições para a condução das políticas sociais e de desenvolvimento do país. A privatização seria um enorme dano para os brasileiros. O governo perderia bancos com capacidade de investir em obras de interesse social para se tornar apenas fonte de lucro para especuladores.

Qual o papel de cada banco público hoje? Não estão competindo entre eles?

Malerba – Os dois bancos são lucrativos e viáveis. Ou seja, geram recursos para a união. Suas funções são complementares do ponto de vista social e de desenvolvimento. Vejamos, no caso da CEF a população tem acesso ao crédito imobiliário, educacional, programas de habitação popular, rede de atendimento e programas sociais. No caso do Banco do Brasil, ele financia 70% da produção de alimentos consumidos no país. Assim como o crédito rural de grande escala. As empresas e pessoas podem ter acesso a linhas de crédito produtivo e pessoal exclusivas do BB. São fundamentais as parcerias com setores públicos em vários níveis e temas, em particular no desenvolvimento regional e sustentável.

Por que o governo Temer defende tanto as privatizações?

Mendonça –  Temer chegou ao poder através de um “grande acordo nacional”, que envolveu, entre vários outros, os grandes banqueiros e donos do mercado financeiro. Esse governo deve fidelidade a esses capitalistas que agora estão cobrando a fatura. Vale lembrar que o PSDB apoiou o golpe e defende a política do ‘estado mínimo’, ou seja, privatizar tudo o que for possível. Os banqueiros têm interesse nessas empresas.

A reestruturação do BB é um passo para a privatização?

Malerba – Digamos que a reestruturação facilita esse objetivo. A direção do banco e o governo não falam claramente, mas esse corte de custos, redução de funcionários e agências, tudo realizado de forma pouco criteriosa e prejudicial aos negócios do BB, sinalizam com grande preocupação esse cenário. Como pode um banco querer crescer e disputar mercado apenas realizando cortes?

Como os trabalhadores tem atuado para conter esse processo?

Mendonça – Os trabalhadores, não só os empregados da CAIXA e do BB, têm travado uma batalha dura contra o desmonte promovido pelo governo Temer, com mobilizações por todo o país e apoio da comunidade. Os sindicatos têm realizado audiências públicas em muitos lugares do Brasil para esclarecer a população. Conseguimos organizar a frente parlamentar em defesa dos bancos públicos no Congresso. É fundamental dialogar, mostrar a importância das instituições e envolver os brasileiros nesse propósito.

fonte: Seeb Jundiaí

Paulão e Malerba durante evento contra a reforma da Previdência em Jundiaí

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