Presidente da Federação das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) vê desgaste na imagem do banco e reforça preocupação com a segunda parcela
A desorganização do governo, que não descentralizou o processo de pagamento do auxílio emergencial de R$ 600, está desgastando a imagem da Caixa e colocando em risco os funcionários do banco, na visão do novo presidente da Federação das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto, que assumiu o posto no início do mês. Para ele, essas preocupações são reforçadas com o pagamento da segunda parcela.
Ao Valor, ele disse que o número de empregados contaminados tem crescido e que a possibilidade de mudanças no sistema de pagamento preocupa.“Agora vai começar segunda parcela e o governo está mudando regras e todo mundo vai recebê-la através de conta digital, o que é uma preocupação muito grande. As pessoas receberam a primeira parcela de uma forma, nosso receio é de que mudar isso agora gere caos e
nova corrida nas agências”, disse.
Ele afirmou que essa falta de participação de outros bancos, hoje limitada apenas ao repasse de valores para quem é correntista nessas instituições, e a falta de informações têm provocado filas e aglomerações. Isso, explica, coloca em risco os beneficiários e os funcionários do banco. Para ele, outros bancos também poderiam pagar a quem não é cliente. “Seria perfeitamente viável”, disse
“Há um número muito grande de pessoas desbancarizadas, por isso defendemos a descentralização dos pagamentos porque seria um número muito grande de pessoas para se cadastrar e ter informação. Só que a desorganização do governo, a falta de planejamento levou a esse tumulto, aglomeração nas agências. E a imagem que era boa acaba sendo desgastada. Parece que a Caixa é responsável pelo processamento e análise e não é”, disse. “É um momento muito difícil para os empregados e para a
imagem da Caixa”, completou.
Takemoto disse que 60% das pessoas nas agências foram atrás de informações e por isso houve aglomeração e que por isso a entidade tem demandado campanhas de esclarecimento. Além disso, ele afirmou que tem sido cobrado da direção da Caixa outras medidas como contratação de empregados e agendamento de atendimento.
Essas demandas, diz, não foram atendidas e sobrecarregaram as agências.
Em seu mandato, o líder sindical disse que uma linha importante de atuação será no combate ao processo de privatização de subsidiárias da Caixa. Segundo ele, esse movimento – anunciado pelo atual comando do banco e interrompido por conta do coronavírus – deve voltar após a pandemia e acabará por enfraquecer a instituição.
Isso porque, explica, ao privatizar as partes mais rentáveis da instituição, ela se enfraquece e perde capacidade de financiar suas políticas sociais.
Para Takemoto, o discurso de que a venda parcial das subsidiárias fortalece o banco é para desmobilizar o movimento contrário, mas na prática, explica, a lógica passa a ser o acionista privado e não o melhor resultado para a sociedade.
Outro esforço da Fenae será para pressionar o banco a ampliar sua atuação no crédito a empresas de menor porte. “Banco público tem que atuar de forma contra-cíclica”, salientou. Segundo ele, está faltando dinheiro para essas empresas e isso representa um problema sério para a economia. Segundo ele, o governo deveria entrar com subsídios para não sobrecarregar a Caixa.
Caixa
A Caixa informou ao Valor que a decisão de pagar o auxílio emergencial de R$ 600 via conta digital não se aplica aos beneficiários do Bolsa-Família. “Os beneficiários do Bolsa-Família elegíveis para receber o auxílio poderão sacar em espécie, da mesma forma do benefício regular, conforme o número final do Número de Identificação Social (NIS).
O calendário para este público já se inicia nesta segunda-feira (18)”, disse o banco em nota.
Para os demais beneficiários, inclusive para quem indicou conta em outros bancos, a instituição explica que a segunda parcela será depositada na conta digital. “Esses recursos vão poder ser usados digitalmente para pagamentos de contas, boletos e compras por meio de cartão de débito virtual”, diz a nota. “Em um segundo momento, conforme calendário divulgado hoje, os recursos restantes nessa poupança serão
transferidos automaticamente para a conta que o trabalhador indicou ao fazer o cadastro”, completou.
A medida vai alterar a sistemática para 3 milhões de pessoas, que tinham conta na Caixa ou outro banco e as indicaram para o recebimento do benefício.
Segundo a Caixa, a nova sistemática e o novo cronograma de saques foram feitos para reduzir a procura diária nas agências da Caixa e, consequentemente, as filas. A data de saque em espécie será por mês de aniversário
fonte: Jornal Valor
foto Estadão