A queda nos índices de inflação prosseguiu seu curso nas primeiras leituras de inflação divulgadas no mês de junho, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Na inflação no atacado, a primeira leitura do mês do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) apresentou deflação de 0,64%, puxado pela redução do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que saiu de -0,28% em maio para -1,32% na primeira leitura de junho. A queda reflete a acentuada deflação dos produtos agropecuários, que tiveram seu valor médio reduzido em 3,09% no período. Já no varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-M, apresentou alta de apenas 0,14%, ante alta de 0,64% no mesmo período do mês anterior. Outro índice de inflação ao consumidor divulgado nesta terça-feira, 10, o IPC-FIPE desacelerou de 0,25% para 0,22% na primeira medição de junho, também influenciado pela queda no grupo alimentação (que saiu de alta de 0,73% para elevação de 0,45%). Além das boas notícias no campo inflacionário, Brasil e Argentina anunciaram nesta terça-feira a renovação do acordo automotivo entre os dois países, o que deve dar previsibilidade aos produtores e aumentar a produção e comércio de peças e automóveis entre ambos.
Para o economista Guilherme Mello, da Fundação Perseu Abramo, a queda da inflação ao consumidor deve prosseguir ao longo do mês de junho, em grande medida pelo ajuste nos preços no atacado (particularmente dos produtos agropecuários, que sofreram um reajuste severo no início do ano por conta da estiagem). A deflação no atacado cria a perspectiva de que a redução de preços prossiga ainda no mês de julho, mas ainda é incerto qual será o impacto da Copa sobre os índices de preços (espera-se um impacto bastante limitado). O baixo crescimento econômico, a redução no ritmo geração de empregos e aumento da renda aliados ao encarecimento do crédito devem levar a inflação para um ritmo bastante controlado, salvo eventos extraordinários, como uma rápida desvalorização cambial decorrente de uma eventual alteração na política monetária dos EUA, ou mesmo um reajuste elevado no preço de combustíveis e/ou energia elétrica. Já o acordo comercial entre Brasil/Argentina pode dar um novo fôlego no comércio entre os países, elevando a exportação de manufaturados brasileiros e reduzindo o déficit atual de nossa balança comercial, que vem apresentando resultados positivos nas últimas semanas.
Fonte: Seeb Jundiaí com Fundação Perseu Abramo