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Denúncias de assédio sexual no trabalho em São Paulo crescem 1.500% em quatro anos

Em 2022, o Ministério Público do Trabalho paulista recebeu 182 relatos. Só neste ano já foram recebidas 52 denúncias. Noticiário de casos de maior repercussão, como o do ex-presidente da Caixa Econômica Federal Pedro Guimarães, pode ter contribuído para encorajar algumas pessoas a denunciar

 

O número de denúncias de assédio sexual no ambiente de trabalho cresceu 1.500% de 2018 a 2022, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (8) pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). De 11 em 2018, o total saltou para 182 no ano passado. Neste ano, até hoje, Dia Internacional da Mulher, foram recebidas 52 denúncias.

A trajetória de alta só teve interrupção em 2020, devido à pandemia. De acordo com o MPT-SP, depois das 11 denúncias em 2018, o total saltou para 108 no ano seguinte e caiu para 74 em 2020. Voltou a subir em 2021 (126) e em 2022 (182 relatos).

Crime silenciado

Segundo a procuradora do Trabalho Sofia Vilela, o número de denúncias não corresponde, necessariamente, a aumento de casos. “O assédio sempre ocorreu, mas sempre foi silenciado no ambiente de trabalho, na esfera da justiça. É muito constrangedor para as mulheres fazerem esse tipo de denúncia porque muitas vezes não são ouvidas”, afirma.

Na avaliação da Procuradoria, o noticiário de casos de maior repercussão, como o do ex-presidente da Caixa Econômica Federal Pedro Guimarães, pode ter contribuído para encorajar algumas pessoas a denunciar. “Foram várias notícias sobre pessoas sendo afastadas, agressores sendo punidos”, observa Sofia Vilela. O MPT também promoveu ações e campanhas de conscientização. Leia abaixo recomendações do Ministério Público.

Como denunciar

Você está sofrendo ou é testemunha de algum caso de assédio sexual no trabalho? Antes mesmo de denunciar, procure um canal interno de denúncias na organização em que trabalha para registrar o caso (algumas pessoas não fazem isso por medo de represálias, o que é compreensível).

Depois, tente conseguir testemunhas do que está vivendo e nunca fique sozinha com seu agressor. Gravações em vídeo ou áudio também ajudam na hora de comprovar o assédio, mas não são obrigatórias. Não guarde para si: fale com amigos e familiares para obter apoio.

Para denunciar ao Ministério Público do Trabalho, que irá então abrir investigação contra a empresa: https://www.prt2.mpt.mp.br/servicos/balcao-virtual

 

foto: peita.me

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