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Crise bancária internacional pode ‘asfixiar’ ainda mais o crédito no Brasil, afirma Pochmann

Segundo o economista e professor, seria fundamental o Banco Central reduzir as taxas de juros para aliviar o que ele classificou como “asfixia” de crédito

De acordo com o economista Marcio Pochmann, professor do Instituto de Economia da Unicamp, a ameaça de uma crise bancária internacional reforça a necessidade de reduzir as taxas de juros no Brasil.

Ele atribui a atual crise, que já arrastou dois bancos dos Estados Unidos, à falta de regulação do sistema bancário naquele país. Além disso, também é resultado do aumento da taxa de juros, que subiu o custo do dinheiro.

Para Pochmann, ainda há risco de “contaminação em cadeia” no sistema bancário internacional, e para a própria economia mundial.

Para evitar esse cenário, ele disse que os Bancos Centrais devem atuar, de maneira “imediata” para garantir a liquidez do sistema financeiro.

No Brasil, segundo ele, seria fundamental reduzir as taxas de juros para aliviar o que ele classificou como “asfixia” de crédito.

Além disso, ele também criticou a autonomia do Banco Central brasileiro. “A atual gestão do Banco Central não consegue, por exemplo, cumprir a meta de inflação. Tivemos alguns escândalos, inclusive contábeis no próprio banco. O BC se apresenta sempre com pouca transparência e tem um vínculo muito estreito com o capital financeiro”.

Assim, ele se alinha ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vem pressionando pela redução da taxa básica de juros – a Selic – fixada em 13,75% ao ano, desde agosto de 2022.

Pochmann também aponta para uma possível redução dos juros nos Estados Unidos, como forma de evitar o agravamento da crise bancária. Caso isso ocorra, as pressões sobre o presidente do BC, Roberto Campos Neto, devem se ampliar ainda mais.

Contradições do discurso liberal

Nesse sentido, o economista apontou as contradições do discurso liberal em momentos de crise. São contra políticas públicas que beneficiam a maioria da população, mas não se furtam a recorrer aos cofres públicos ao menor sinal de emergência. “É claro que o Estado tem que entrar para atuar, mas assim como ele entra para salvar banco ele, também precisa salvar a população”, disse Pochmann

Na última sexta-feira (10), o Silicon Valley Bank (SVB), dos Estados Unidos, que atuava financiando startups de tecnologia, entrou em colapso. O Federal Reserve (o banco central dos EUA) e o Tesouro tiveram que intervir para garantir os depósitos bancários. No mesmo dia, também faliu o Signature Bank, especializado no fornecimento de serviços bancários para escritórios de advocacia.

A crise também chegou à Europa. Ontem, as ações do Credit Suisse desabaram 24,24%, quando a instituição financeira informou ter identificado “fragilidades” em seus controles contábeis. Como resposta, o Banco Central da Suíça afirmou que vai oferecer suporte de liquidez ao banco. Hoje o Credit Suisse anunciou que vai tomar empréstimos de até US$ 54 bilhões do BC suíço, acalmando os mercados.

fonte RBA

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