Campanha Salarial: Paralisações em agências bancárias em todo país

Nesta quinta-feira (15), a categoria bancária está realizando mais um dia nacional de luta. Agências bancárias tiveram suas atividades paralisadas em todo o país. O objetivo foi pressionar os bancos para formalizarem sua proposta para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) na próxima mesa de negociações, agendada para terça-feira (20).

As manifestações são uma resposta à postura da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na última rodada de negociações com o Comando Nacional dos Bancários.

“Entregamos nossa pauta de reivindicações para a Fenaban em 18 de julho e até agora não houve resposta quanto as cláusulas econômicas”, esclarece Paulo Malerba, presidente do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região. “A data base da categoria é 1º de setembro e entendemos que estender a negociação para além desse prazo não é bom para ninguém: bancos, bancários e clientes”, completou.

Na região de Jundiaí, o sindicato paralisou por algumas horas as agências do Bradesco, Itaú e Santander em Francisco Morato e Franco da Rocha.

Reivindicações

As reivindicações da categoria bancária foram elaboradas com base na Consulta Nacional dos Bancários, realizada com quase 47 mil trabalhadores. A minuta também foi submetida à aprovação pela 26ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro e em assembleias realizadas em todo o país, com adesão de mais de 95% dos votantes.

Após a entrega da minuta, foram realizados uma série de encontros entre os representantes dos trabalhadores e dos bancos. “Em cada rodada, defendemos, ponto a ponto, as reivindicações da minuta, com base em dados sobre a realidade do mercado e a capacidade dos bancos. Dos 8.809 setores no país que fizeram negociações salariais, neste ano, 86% tiveram aumento real. Vários deles convivem com concorrência e tem lucros e rentabilidade muito inferiores aos dos bancos, a exemplo de comércio, agropecuária, serviços médicos hospitalares e energia elétrica”, reforçou Juvandia Moreira, presidente da Contraf-CUT, confederação que representa a maioria da categoria e compõe o Comando Nacional dos Bancários.

Cláusulas econômicas

– Aumento salarial acima da inflação (reposição da inflação, pelo INPC acumulado entre setembro de 2023 e agosto de 2024, acrescido do aumento real de 5%).
– Melhorias na Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Dieese alerta que os percentuais de distribuição da PLR dos bancos caíram ao longo dos últimos anos, mesmo após reajustes, introdução da parcela adicional e mudanças de parâmetros dos cálculos de distribuição. Além disso, a distribuição da participação nos lucros não vem acompanhando o crescimento dos lucros no setor, ficando, na maioria dos bancos, abaixo do teto de 15% previsto na CCT.
– Aumento nas demais verbas, incluindo VA/VR, auxílio babá e auxílio creche.

Cláusulas sociais

– Igualdade de oportunidades e igualdade salarial, entre gênero e raça.
– Mais mulheres no setor de Tecnologia da Informação (TI) dos bancos.
– Olhar especial para bancárias e bancários transexuais, dada a vulnerabilidade social desse grupo com menor expectativa de vida no país, por conta da violência e preconceito que também dificultam o acesso e permanência no mercado de trabalho.
– Combate ao assédio moral e sexual.

Saúde

– Direito às pessoas com deficiência (PCDs) e neurodivergentes, para que tenham garantia de ambiente de trabalho adaptado e condições de ascensão profissional.
– Direito à desconexão.
– Combate à gestão por metas abusivas e que impacta na saúde e nas condições de trabalho.

E ainda

– Garantia de emprego e dos direitos conquistados.
– Fim das terceirizações.
– Retorno da homologação nos sindicatos, para que as entidades possam acompanhar de perto todo o processo, e garantir direitos dos desligados.
– Qualificação e requalificação profissional, sobretudo diante da revolução tecnológica.
– Indenização adicional em caso de demissão.
– Garantias para mães e pais de PCDs, quando necessitarem acompanhar filhos nos atendimentos médicos e educacionais.
– Segurança nos ambientes físicos e digitais do sistema financeiro.

Fontes: Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região e Contraf-CUT

 

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