Banco público celebra aniversário com crescimento de 50% no lucro em 2025, mas sindicatos denunciam “esvaziamento” da rede física e intensificam mobilizações nas agências.
JUNDIAÍ – A Caixa Econômica Federal chega aos seus 165 anos nesta segunda-feira (12) em uma situação de profunda dualidade. De um lado, o banco apresenta números que fariam inveja ao setor privado, com ativos que somam R$ 2,2 trilhões. De outro, enfrenta uma onda de críticas pelo encerramento de agências e pela redução do quadro de funcionários, o que especialistas e representantes da categoria chamam de “abandono da função social”.
Mobilização:
Como parte do dia nacional de luta, o Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região marcou presença ativa nas unidades. Dirigentes do sindicato realizaram uma reunião com os funcionários e funcionárias da agência Centro, em Jundiaí, para ouvir as demandas e organizar a resistência contra a precarização.
A ação no Centro é apenas o começo: o Sindicato informou que irá percorrer todas as agências da base territorial para conversar diretamente com os trabalhadores sobre os problemas enfrentados, desde a sobrecarga de metas até os impactos das reestruturações.
O “Custo” da Rentabilidade
No acumulado de janeiro a setembro de 2025, a Caixa atingiu um lucro líquido contábil de R$ 13,5 bilhões — um salto de 50,3% em relação ao ano anterior. Entretanto, o movimento sindical alerta que esse desempenho financeiro ocorre em paralelo a um encolhimento da presença territorial.
Somente em 2024 e nos primeiros meses de 2025, o banco encerrou 163 agências. Desde 2015, a rede física perdeu quase 200 unidades. Para Mayara Siqueira, dirigente sindical e funcionara do banco o impacto é direto na população mais pobre: “Cada agência fechada é uma porta do Estado que deixa de existir para quem mais necessita”, afirma.
Impacto nas Comunidades e no Comércio
O fechamento de unidades não afeta apenas os clientes. Dirigentes ressaltam que as agências funcionam como polos econômicos. Em pequenos municípios e bairros periféricos, a saída da Caixa provoca um “esvaziamento econômico”, prejudicando o comércio local.
Para Mayara Siqueira, diretora do sindicato, a celebração dos 165 anos exige reflexão. A pauta urgente inclui a suspensão do fechamento de agências e a sustentabilidade do Saúde Caixa. O consenso entre as entidades, reforçado pelas reuniões de base em Jundiaí, é claro: não há como celebrar lucros recordes se eles forem construídos sobre o distanciamento das comunidades e o esgotamento dos bancários.
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