Bradesco lucra R$ 5,031 bilhões no 3º trimestre

Entre o final de março e o de setembro, foram fechados 1.300 postos de trabalho, apesar do compromisso público assumido pelo Bradesco de não demitir na pandemia

O Bradesco lucrou R$ 5,031 bilhões no 3º trimestre de 2020, resultado que representa crescimento de 29,9% em relação ao trimestre anterior. O lucro do banco nos primeiros nove meses do ano soma R$ 12,657 bilhões, com queda de 34,2%, em relação ao mesmo período de 2019.  Entretanto, o resultado foi fortemente impactado pela chamada Provisão para Devedores Duvidosos (PDD), a despesa feita pelos bancos para cobrir possíveis calotes. Por conta da crise do coronavírus, em 12 meses o banco aumentou o PDD em 68,9%, mesmo que no mesmo período o índice de inadimplência superior a 90 dias tenha registrado queda de 1.3 ponto percentual, ficando em 2,3%. 

Bradesco encerrou os primeiros nove meses de ano com redução de 3.338 postos de trabalho em doze meses e 772 agências fechadas no período

Mesmo continuando lucrando alto, com um grande crescimento do segundo para o terceiro trimestre, e registrando diversos indicadores positivos no seu balanço, o Bradesco encerrou os primeiros nove meses de ano com 95.934 empregados, com redução de 3.338 postos de trabalho em doze meses e 772 agências fechadas no período. Entre o final de março e o de setembro, foram fechados 1.300 postos de trabalho, apesar do compromisso assumido pelo banco de não demitir durante a pandemia e 605 agências.

“O Bradesco segue lucrando alto. No primeiro semestre chegou a ser considerada a empresa de capital aberto mais lucrativa da América Latina. Apesar do resultado acumulado apresentar queda no lucro em relação ao ano passado, fruto de um PDD quase 70% maior, vemos que o banco registra altas expressivas em todos os segmentos da carteira de crédito no mesmo período”, enfatiza a secretária-geral do Sindicato e bancária do Bradesco, Neiva Ribeiro. 

Para a diretora do Sindicato, os números mostram que o Bradesco teria todas as condições de honrar o compromisso de não demitir na pandemia. 

“Os bancos, incluído o Bradesco, fazem parte de um setor que continua lucrando alto, mesmo em meio à pandemia. Portanto, o Bradesco, assim como os demais bancos privados, deveria ter responsabilidade social, colaborando para a difícil retomada econômica, e não demitir bancários, aumentando ainda mais a já elevada taxa de desemprego no país e onerando a seguridade social. É um absurdo que neste momento difícil para o país e o mundo, o banco demita milhares de trabalhadores – que construíram o resultado da empresa, muitas vezes arriscando a própria saúde – e o presidente do banco fale em ‘cortar o mato alto’ para ajustar as despesas. Parte deste ‘mato alto’ a que se refere são pais e mães de família, que dificilmente conseguirão se realocar no mercado neste momento”, critica Neiva, acrescentando ainda que o Sindicato irá intensificar suas atividades de protesto até que o Bradesco interrompa as demissões.

Somente com o que arrecada com serviços e tarifas bancárias, receita secundária, o Bradesco cobre em 135,4% o total das suas despesas com pessoal, incluindo a PLR.

Carteira de crédito 

A carteira de crédito expandida do banco apresentou alta de 11,7% em doze meses e 0,5% no trimestre, atingindo R$ 664,4 bilhões. As operações com pessoas físicas (PF) cresceram 9,6% em doze meses, chegando a R$ 243,4 bilhões. Os destaques no segmento foram o financiamento imobiliário (+21,8%) e o crédito consignado (+10,2%). Já as operações com pessoas jurídicas (PJ) alcançaram R$421,0 bilhões, com crescimento de 12,9% em doze meses.O segmento de grandes empresas cresceu 11,5%, enquanto a carteira de Micro, Pequenas e Médias Empresas teve alta de 16,3%. 

Fonte: SPBancários com edições SeebJundiaí

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