Bradesco lucra mais de R$ 19 bi em 2019 e planeja fechar 450 agências até 2020

O plano é fechar 150 agências nesse ano e 300 no ano que vem.

O Bradesco planeja fechar 450 agências até o ano que vem com uma das formas de conter o aumento de despesas da instituição, que estão subindo acima do planejado pela instituição financeira. Apesar da pressão de custos, o banco espera manter a rentabilidade e vê com boas perspectivas da economia para o ano que vem, com expansão do crédito e receitas geradas pela busca de produtos financeiros, como planos de previdência privada.   

— Não há uma região específica para o fechamento das agências. Fazemos um trabalho que leva em conta vários aspectos, como volume de pessoas. É algo pulverizado – explicou Octavio de Lazari, presidente do Bradesco, ao comentar os resultados do terceiro trimestre com jornalistas. 

O plano é fechar 150 agências nesse ano e 300 no ano que vem. Ao fim de setembro, o Bradesco contava com 4.567 agências, contanto as 50 que foram fechadas nos primeiros nove meses do ano. 
 

Lucro

O banco divulgou nesta quinta-feira os resultados do terceiro trimestre do ano. O lucro líquido foi de R$ 5,8 bilhões, uma alta de 16,5% na comparação com igual período de 2018. Já o recorrente, que exclui efeitos extraordinários, foi de R$ 6,5 bilhões, avanço de 19,6%. O resultado de janeiro a setembro, foi de R$ 17,7 bilhões (+26,4%) e o recorrente de R$ 19,2 bilhões (+22,3%). 

Apesar do lucro maior, o banco viu sua despesa operacional (administrativa e de pessoal), no acumulado do ano, somar R$ 31,9 bilhões, uma alta de 7,5%, acima da faixa de até 4% prevista nas projeções do banco.

Entre os fatores que contribuíram para esse elevação, que deve se manter no último trimestre, foi o plano de demissão voluntárias, que se encerra nessa quinta-feira e atingiu a adesão de mais de três mil funcionários. O banco também está revendo contratos com fornecedores. 

— Entendemos que temos que melhorar a linha de despesas e vamos tomar medidas. Já no PDD, já tivemos mais de três mil adesões e podemos afirmar que as despesas trabalhistas serão menores em 2020 — afirmou o executivo.

O Bradesco lucrou R$ 19,2 bilhões nos nove primeiros meses de 2019, um crescimento de 22,3%, em relação ao mesmo período de 2018 e de 1,2% comparado ao trimestre anterior. De acordo com os destaques do Dieese, o retorno sobre o Patrimônio Líquido médio anualizado (ROE) ficou em 20,5%, com aumento de 1,8 pontos percentuais em doze meses. Segundo o banco, esse crescimento do resultado se deve “a maior margem financeira, menores despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD – Expandida), crescimento das receitas com prestação de serviços e a contribuição das operações de seguros, previdência e capitalização”.

Para Magaly Fagundes, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, o balanço trimestral do banco mostra, mais uma vez, que as reivindicações dos funcionários podem ser atendidas. “Dentre as reivindicações está o auxílio educação e melhoria na remuneração (PCS). Esse resultado é fruto do compromisso e do profissionalismo dos trabalhadores.”

A carteira de crédito expandida do banco apresentou crescimento de 10,5% em doze meses e 3,2% no trimestre, atingindo R$ 578,3 bilhões. As operações com pessoas físicas (PF) cresceram 19% em relação a setembro de 2018, chegando a R$ 221,4 bilhões. Os destaques para PF foram o crédito pessoal (+36,2%), o crédito consignado (+24,1%), CDC/leasing veículos (+21,4%) e o financiamento imobiliário (+15,9%). Já as operações com pessoas jurídicas (PJ) alcançaram R$ 356,9 bilhões, com crescimento de 5,8% em doze meses. O segmento de grandes empresas cresceu 4,8%, enquanto a carteira de micro, pequenas e médias empresas cresceu 8,3%. O índice de inadimplência superior a 90 dias, em doze meses, manteve-se estável, ficando em 3,6%. As despesas com devedores duvidosos (PDD), por sua vez, caíram 2,7%, totalizando R$ 13,4 bilhões.

A receita com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceu 6,8% em doze meses, totalizando R$ 19,8 bilhões. As despesas de pessoal também cresceram no período (10,4%) atingindo R$ 16,2 bilhões. Segundo o banco, o crescimento das despesas de pessoal “está relacionado aos efeitos do acordo coletivo de 2018/2019 (reajuste de 4,31%), à evolução do quadro de funcionários, alocados, principalmente, nas áreas de negócios, a concessão de um programa de remuneração variável nas redes de agência, maiores despesas com treinamento e a alta da provisão para processos trabalhistas”. Assim, a cobertura destas despesas pelas receitas secundárias do banco, no período, foi de 121,6%. A holding encerrou setembro de 2019 com 99.272 empregados, com aumento de 1.113 postos de trabalho em doze meses. No período, foram fechadas 85 agências.

Fonte: ContrafCut/O Globo com edições Seeb Jundiaí

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