Bilionários do Brasil concentram mais renda do que oligarcas russos

De acordo com ranking, Brasil é o 17º país mais desigual do mundo, enquanto a Rússia ocupa o 121º lugar

Oligarcas russos têm sido penalizados por países ocidentais pelo apoio a Putin e à guerra que a Rússia tem empreendido contra a Ucrânia. Até agora, países como França e Itália apreenderam iates de dois bilionários russos. Porém, o Ocidente, representado por Joe Biden – presidente dos EUA – promete outras sanções, como o confisco de residências de luxo e aviões particulares.

Pintados na mídia como bilionários excêntricos e detentores de poderes quase ilimitados, os homens mais ricos da Rússia concentram menos renda em relação à população mais pobre do país do Leste do que os ricos brasileiros.

022, os 10% mais ricos do Brasil detêm cerca de 60% da renda nacional e o 1% da parcela mais rica da população concentra 26,6% da riqueza do País. Já entre os russos, os 10% mais ricos detêm 46,43% e o 1% dos mais ricos – os chamados oligarcas – concentram 21,45%.

De acordo com o mesmo ranking, o Brasil é o 17º país mais desigual do mundo, enquanto a Rússia ocupa o 121º lugar. No mesmo sentido, ao analisar as pessoas mais ricas do mundo, nenhum dos oligarcas russos está presente. Ao contrário, a lista elaborada pela Oxfan traz uma maioria esmagadora de estadunidenses (natos ou naturalizados) e apenas um francês: Elon Musk, Jeff Bezos, Bernard Arnault e família, Bill Gates, Larry Ellison, Larry Page, Sergey Brin, Mark Zuckerberg, Steve Ballmer e Warren Buffet.

O que são oligarcas?
De acordo com Norberto Bobbio, um dos mais respeitados estudiosos sobre formas de governo no mundo, a oligarquia é um governo de poucos, direcionado aos seus próprios interesses. Ou seja, uma classe social abastada que exerce poder e dirige o estado para que este atenda seus interesses pessoais.

Contudo, o sistema de governo da Rússia é a democracia presidencial. Então, por que os bilionários russos são chamados de oligarcas? Conforme pensam alguns historiadores, o momento da dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) propiciou que alguns funcionários do estado em dissolução pudessem se apropriar de estatais russas, e lucrar com o sistema híbrido de preços (congelado e livre) para lucrar com a abertura dos mercados. Isso, segundo eles, pode explicar esse “governo de poucos”.

Essa é a mesma opinião do geógrafo e cientista político especializado em Rússia pós-soviética, Tito Lívio Barcellos. Segundo ele, a diferença entre os oligarcas russos e os bilionários do Ocidente tem mais a ver com a forma como os primeiros enriqueceram durante o colapso da URSS.

Logo, os chamados oligarcas são apenas empresários que aproveitaram “oportunidades” e empreenderam dentro das regras de mercado. A outra acusação que pesa sobre esse grupo de bilionários é a participação no governo para se beneficiar de políticas, algo que acontece no Brasil como a eleição de donos de cadeias de rádios e TVs, ou de grandes latifundiários; e nos EUA e alguns países europeus na forma de lobby político.

Ambas as situações em consonância com as ações de outros bilionários mundo a fora, nada justas, com apenas uma diferença: a nacionalidade. Barcellos inclusive aponta que o termo “oligarca” carrega uma carga negativa muito grande, enquanto bilionário ou empreendedor são vistos socialmente com uma carga semântica neutra, ou até mesmo positiva.

Quem são os bilionários que o Ocidente quer penalizar?
Nem todos os bilionários russos são oligarcas, apenas os que contrariam as disposições do Ocidente, que por ora detém o poder de nomeá-los. Contudo, há um seleto grupo de homens russos, ocupantes e ex-ocupantes de cargos públicos, que atualmente são ricos empresários do ramo financeiro, de petróleo e gás, da internet e presidentes de clubes de futebol, cujos bens estão na mira dos países ocidentais:

Vladimir Putin (Presidente da Rússia)
Alexander Aleksandrovich Vedyakhin
Andrey Sergeyevich Puchkov
Yuriy Alekseyevich Soloviev
Igor Sechin
Andrey Patrushev
Sergei Sergeevich Ivanov
Kirill Shamalov
Yury Slyusar
Petr Fradkov
Gennady Timchenko

fonte Reconta Aí

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