BB/Nossa Caixa: migração perigosa

No início de novembro, o Banco do Brasil apresentou para a Executiva do Comando do Banco Nossa Caixa um Plano de Demissão Voluntária. Dias depois, o PDV fora anunciado na Convenção de gerentes, juntamente com o detalhamento do plano de migração de funcionários do banco paulista para o banco federal.

O anúncio, no entanto, atropelou processo de negociação entre o banco e as entidades sindicais em torno da questão, face ao atual processo de incorporação.

Muito do que foi apresentado na Convenção de gerentes não era sequer de conhecimento do movimento sindical. Quanto aos pontos já colocados em debate, vários já haviam sido rejeitados pela representação sindical, inclusive com propostas de adequações, como por exemplo no que diz respeito a números e critérios de vagas para preenchimento.

O Banco do Brasil, simplesmente, ignorou tais proposições e anunciou unilateralmente um conjunto de regras para a migração, denotando total desrespeito ao diálogo e ao movimento sindical.

Em análise preliminar, a migração parece não trazer prejuízos para o conjunto do funcionalismo. No entanto, o processo está indefinido para vários seguimentos da Nossa Caixa, a exemplo de algumas áreas administrativas, no setor de TI (tecnologia da informação) e para funcionários com vencimentos mais elevados.

Por outro lado, os planos de migração e de demissão voluntária, comunicados pelo BB, não trouxeram consigo definições para as questões previdenciárias e de saúde. “Se por um lado, a migração possa parecer positiva no primeiro momento, face à manutenção do emprego e até mesmo com algum ganho salarial, da forma como o BB está fazendo, no futuro, a situação é incerta para o trabalhador que decidir pela migração”, avisa o presidente da FETEC/CUT-SP, Sebastião Geraldo Cardozo.

Em nenhum momento, o BB deu esclarecimentos sobre quais são as renúncias que o bancário da Nossa Caixa terá que fazer e o que irá agregar de novo, se optar pela adesão ao regulamento de pessoal do banco federal. “São questões que o trabalhador tem o direito de saber para, então, poder decidir se quer ou não aderir”, adverte Cardozo.

O dirigente explica que, quanto ao PDV, o movimento sindical não irá negociar, uma vez que a luta é pela manutenção do emprego. “Já no que diz respeito à migração, estamos cobrando do banco o esclarecimento das dúvidas e negociações para assegurar ao trabalhador que quiser migrar as garantias de emprego e de direitos também no futuro, além de definições para os planos de saúde e previdência”.

Nessa lógica, o movimento sindical trabalha com o prazo de 02 de dezembro, data estipulada unilateralmente pelo BB para início da migração. Se até essa data não houver movimento positivo por parte do banco federal, a representação sindical irá orientar o funcionalismo pela NÃO adesão ao programa, como forma de pressionar o banco a fazer as necessárias correções.

De imediato, a representação sindical alerta os funcionários para que evitem decisões precipitadas antes que o BB firme um documento de compromissos. “Essa é a única forma de evitarmos problemas futuros e que tenhamos que resolvê-los na Justiça, o que sempre traz inúmeros desgastes”, conclui o presidente da FETEC SP.


Lucimar Cruz Beraldo

Fonte: FETEC/SP

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