BB: em Dia Nacional de Luta, bancários de todo o país protestam contra mudanças impostas pela direção do banco

Em Jundiaí, Sindicato paralisou agência central da Barão de Jundiaí.

Sindicatos de todo o país realizam o Dia de Mobilização Nacional nas agências do BB contra a reestruturação imposta pelo Banco que reduz salários, reduz PLR e remunerações fixas e causa mais adoecimentos por conta das metas abusivas e da competição interna.

Em Jundiaí, o Sindicato paralisou a agência central na Rua Barão de Jundiaí.
A paralisação foi parcial e as agências permaneceram fechadas até às 11 horas desta quarta-feira.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região, Paulo Malerba, explica que essa é a primeira vez que o banco promove uma redução nominal nos salários. Segundo ele, a reestruturação também vai mexer com a PLR. ”A PLR é calculada com base no valor de referência (VR) da gratificação paga aos funcionários. As mudanças anunciadas pelo banco reduzem o VR e, com isso, a PLR também pode ser reduzida”.

O pretexto do banco, segundo Malerba, é evitar a perda de funcionários para bancos e outras empresas privadas. O banco instituiu um bônus de até quatro salários por ano para quem cumprir metas. Mas, em contrapartida, o banco vai reduzir as remunerações mensais pagas aos funcionários comissionados. 

O presidente lembra que a direção do BB tenta vender gato por lebre, alegando que as mudanças serão benéficas para os funcionários. No entanto, os bancários do BB e suas entidades representativas sabem que o objetivo é impor uma redução salarial.

”Estão impondo uma reestruturação de forma arbitrária, unilateral, sem qualquer negociação com as entidades representativas e os trabalhadores. E o que vemos são funcionários contrariados e muito preocupados com tudo que está acontecendo”, revela Malerba.

O presidente destaca a importância da adesão de todos os funcionários nese momento de ataque frontal aos direitos trabalhistas e ameaças de privatização. ”Temos que mostrar que somos fortes, unidos e que só com nossa luta poderemos garantir nossos direitos”.

Veja detalhes do movimento na entrevista com Paulo Malerba:

Paulo Malerba ao vivo da agência do BB na rua Barão de Jundiaí.
Paulo Malerba durante mobilização desta quarta-feira (12) no BB da Barão de Jundiaí


Diretoria do Sindicato de Jundiaí e região participa de mobilização nacional contra reestruturação no BB

Banco do Brasil é fundamental para o país

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, não esconde seu desejo de ver o banco privatizado. Para ele, o Banco do Brasil é desnecessário. Diz que a Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) suprem as necessidades de fomento do crescimento econômico e social do país.

“O que ele não diz é que a Caixa também está sob ataque e passa por uma reestruturação semelhante à que ocorre no BB. Também não diz que no BNDES há escassez de recursos e o banco vive sob constante ataque. Mudaram sua política de atuação para tonar desinteressante a busca por fomentos do banco”, criticou o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga.

Fukunaga explica que é a tal da reforma administrativa, com a qual o governo quer reestruturar todas as empresas públicas, estabelecer novas regras para contratação, demissão e planos de carreiras. Além de limitar os “gastos” com a saúde dos funcionários, entre outros.

Também querem mudar a política de remuneração dos funcionários, com redução de salários e implantação de sistema de bônus por desempenho.

“O resultado desta política, aplicada em todos os bancos públicos, são as quedas das carteiras de crédito e as baixas taxas de investimento pelo Estado”, explicou o coordenador da CEBB, acrescentando que os bancos regionais e estaduais, como o Banco do Nordeste, o Banco da Amazônia e o Banco do Pará enfrentam a mesma situação.

Por que o BB é fundamental

Mas, para Fukunaga, a população e grande parte das empresas brasileiras precisam dos bancos e das empresas públicas de uma forma geral. “O Banco do Brasil é o responsável por aproximadamente 70% do crédito rural no país. Isso significa que o banco financia o agronegócio, que é quem ajuda a manter o equilíbrio da balança comercial brasileira. Mas, mais importante ainda, é quem financia a produção dos alimentos que chegam à mesa de todos os brasileiros. Sem o BB e a política de incentivo rural dado pelo banco, os alimentos vão ficar ainda mais caros”, afirmou.

“É por isso que lutamos contra a privatização do BB e também contra a política de Estado mínimo, em implantação pelo atual governo. Convocamos todos os funcionários do banco a se mobilizar e participar das atividades contra a venda do BB e toda essa política do governo”, concluiu o coordenador da CEBB.

Para além dos bancos

Mas, a política aplicada pelo governo nos bancos públicos não se restringe ao sistema financeiro. Petrobras, Eletrobras, Correios… todas as empresas públicas vivem a mesma situação.

“Quando o Rubem Novaes fala que o Banco do Brasil é desnecessário, pois já existem outros bancos para suprir a demanda por bancos públicos, precisamos analisar todo o contexto e ver que aqueles que ele diz que suprem as necessidades, também estão sob ataque e que, na verdade, isso faz parte da política de desmonte do Estado, para desobrigá-lo de oferecer serviços públicos para a população, que paga altos impostos justamente para ter esses serviços”, explicou o coordenador da CEBB.


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