Bancários de Jundiaí e região aprovam aumento real e manutenção dos direitos

Trabalhadores de bancos públicos e privados votaram pelo reajuste, CCT e acordos específicos garantidos por dois anos

Trabalhadores de bancos públicos e privados da base do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e região participaram da assembleia de avaliação das propostas da Campanha Nacional 2018, realizada nesta quinta (31), na sede do Sindicato. Seguindo a orientação do Comando Nacional dos Bancários, a categoria aprovou as propostas apresentadas pela Fenaban, Federação Nacional dos Bancos, pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil.

“Encerramos uma das campanhas salariais mais difíceis das últimas décadas. Corríamos o risco de perder a validade do contrato coletivo, perdendo direitos históricos, ou entrar numa greve longa, com muita incerteza e possibilidade de ficar sem salário. Foi um momento em que achamos que íamos perder muitas conquistas, como ocorreu com os jornalistas que perderam metade dos direitos”, disse Douglas Yamagata, presidente do Sindicato.

Com o risco de perder direitos, os dois anos de garantia da CCT, segundo Douglas, é um avanço nesse momento de instabilidade. “ Temos mais estabilidade e proteção às nossas cláusulas. Mas precisamos estar atentos nessas eleições aos candidatos que já declararam seu voto contra o trabalhador, aprovando a Reforma Trabalhista”.

“A luta contra as privatizações dos bancos públicos, as reestruturações dos bancos privados e a digitalização são o foco da nossa luta, porque estão dizimando nossos empregos”, disse Yamagata. Para o presidente, não adianta haver uma acordo de dois anos e ter bancos demitindo. “Portanto, nossa principal luta será pela derrubada da Reforma Trabalhista e pela manutenção do emprego”.

Caixa

O banco, que já chegou a ter 101 mil trabalhadores, hoje tem cerca de 85 mil, por conta das reestruturações, como o PDV. “Esse quadro tende a se agravar. Porque a meta do governo, segundo nossa representante Maria Rita Serrano, é ter 70 mil funcionários até 2020. E vemos uma diretoria intransigente, com redução de quadros, sem diálogo entre os departamentos”, destaca Paulo Mendonça, diretor do Sindicato e funcionário da Caixa. Paulão lembra que entre as principais conquistas estão a manutenção da PLR social, da mesa única e do custeio do Saúde Caixa, que estavam seriamente ameaçadas.

BB

Paulo Malerba, diretor do Sindicato e funcionário do BB, destacou a questão do descomissionamento. “Continuam necessárias três avaliações, dando maior proteção a quem tem cargo comissionado, por exemplo. Foi um grande embate porque o banco queria descomissionar com apenas uma avaliação”.

Sobre o intervalo de almoço, Malerba disse que quem faz oito horas terá opção de fazer almoço de 30 minutos. “Conseguimos também reverter o banco de horas. O BB queria que todas as horas fossem compensadas. Com a negociação, após seis meses, as horas não compensadas do banco de horas, deverão ser pagas em dinheiro”.

Malerba lembrou que a Cassi não entra no Acordo Coletivo por ser uma autogestão. O banco tem proposta que será submetida a voto dos empregados.

Taxa negocial

O acordo aprovado pelos bancários em assembleias prevê também contribuição negocial de 1,5% sobre o salário e PLR dos trabalhadores, com teto. Esse percentual é menor do que a soma do imposto sindical (que era de 3,33% ou um dia de trabalho descontado em março, sem teto) e da contribuição assistencial de mais 1%. “É necessário para manter a luta, a organização e a mobilização dos funcionários, nos sindicatos, federações e confederações. Em contrapartida, pensamos em uma bonificação dos associados, ainda a ser definida. Quem contribui anualmente com a luta precisa ser tratado de forma diferenciada, porque ajuda a manter as instituições que defendem nossos direitos e realizam essa negociação em nível nacional”, lembra Douglas.

Nova CCT

A nova CCT será assinada nesta sexta-feira (31) e no dia 20 de setembro será paga a primeira parcela da PLR e do adicional.

O reajuste inclui aumento real estimado em 1,18% (diante de um INPC projetado em 3,82% para setembro) e incide sobre vales refeição (vai para R$ 35,18/dia) e alimentação (R$ 609,87/mês), auxílio-creche (R$ 468,42), a regra básica da PLR (valor fixo de R$ 2.355,76 mais 90% do salário) e também na parcela adicional de PLR de R$ 4.711.52 (veja quadro abaixo).

O acordo prevê também a manutenção, por dois anos, de todos os direitos econômicos e sociais previstos na atual convenção, além da reposição total da inflação com aumento real de 1% para salários e todas as demais verbas, além da parte fixa da PLR e do adicional. Isso também a quem recebe acima de dois tetos do INSS (R$ 11.291,60), os chamados hipersuficientes, que a reforma trabalhista do pós-golpe autoriza manter fora dos acordos em negociação direta com os patrões.

seeb Jundiaí

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