54% das agências já aderiram à greve. Perspectiva é de que adesão cresça na próxima semana.
No quarto dia, a adesão à greve dos bancários cresceu e continua ganhando força. O Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região apontou 64 agências paralisadas até esta sexta-feira (09), contabilizando 54% do número de bancos fechados. A perspectiva para a próxima semana é que haja um aumento significativo na paralisação.
De acordo com Douglas Yamagata, presidente do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região, já houve contraproposta, porém foi rejeitada pela categoria e espera-se por um novo parecer da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos). “O setor bancário não pode reclamar da crise, pois só no primeiro semestre de 2015, por exemplo, o lucro do Itaú passou de 9 bilhões para mais de 11 bilhões e do Bradesco saiu de 5 bilhões para mais de 8 bilhões”, contou.
Frente à realidade conquistada nos últimos 11 anos, na qual a luta sindical obteve êxito nas negociações e alcançou índices acima do valor da inflação, é inviável aceitar o que os banqueiros estão oferecendo. “Sabemos que há condições de os banqueiros aceitarem as nossas reivindicações. Não temos como acatar a oferta de 5,5% de reajuste, já que a inflação acumulada está em 9,88%. Por isso, a tendência é que o número de agências fechadas cresça ainda mais na próxima semana, devido ao descontentamento geral da categoria. É importante que todos se mantenham mobilizados nos próximos dias”, ressata Yamagata.
Mesmo com uma adesão significativa à greve nestes primeiros dias, o Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região reforça que a preocupação e respeito com os clientes, usuários e aposentados não foram dispensados, levando em consideração o 5º dia útil e mantendo algumas agências funcionando normalmente.
Conheça as reivindicações dos bancários:
Reajuste salarial de 16% (incluindo reposição da inflação mais 5,7% de aumento real)
PLR: 3 salários mais R$7.246,82
Piso: R$3.299,66 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último).
Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$788,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).
Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.
Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.
Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.
Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.
Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.
Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).