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Artigo:Paulo Malerba

Descaminhos

Por Paulo Eduardo Malerba*

 

Um conceito bastante conhecido na Ciência Política é a “Lei de Ferro das Oligarquias”, formulada pelo sociólogo alemão Robert Michels. Criado no início do século XX para analisar a organização partidária, o conceito passou a ser amplamente utilizado na compreensão de várias estruturas políticas modernas.

A cidade de Jundiaí, com a dominação política de um grupo e com o governo de um mesmo partido há 16 anos, é um caso factível cujo estudo esclarece os argumentos utilizados por Michels. Não apenas a falta de alternância no poder que justifica esse tipo de análise, mas, principalmente, o modo como se executa a continuidade política e os métodos utilizados para a dominação política local.

A lei férrica das oligarquias, grosso modo, refere-se à situação de um grupo no poder que se perpetua através do uso da burocracia interna e do conhecimento da máquina política. Aproveitando-se do acesso a informações e da posição privilegiada na pirâmide do poder, a atividade política passa a ser exercida a fim de conseguir prosperar um projeto de continuidade nas esferas decisórias. Esse grupo ainda estabelece o controle dos recursos financeiros conforme seu projeto de domínio; influencia os meios de comunicação e divulgação de informações para atender seus próprios interesses; barra novas iniciativas que possam expor ou colocar em risco sua manutenção no poder, e detém qualquer movimento articulado de oposição, cooptando lideranças e utilizando truculência política. O grupo no poder também organiza a estrutura política em benefício de seu projeto de manutenção – ou seja, seus interesses não são os mesmos daqueles que deveria representar. Dessa forma, a participação dos indivíduos torna-se segmentada, limitada, e amplia-se o poder da classe dirigente, o que permite que quaisquer resistências a estes mecanismos sejam minadas.

Michels analisou de forma perspicaz os mecanismos pelos quais um grupo apropria-se do poder e estabelece uma estrutura para sua manutenção. Em Jundiaí, o trabalho para conseguir romper esta lógica é árduo, de tão enraizados que estão os mandatários locais, acostumados a tantas décadas de dominação política. Eles apenas trocam de siglas e de nomes, mas sempre representam os mesmos interesses.

Sim, trata-se de um trabalho árduo. Mas urgentemente necessário.
 
*Paulo Eduardo Malerba é diretor da FETEC-CUT-SP e Funcionário do BB Jundiaí-Centro



 

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