Com lucro próximo a 21 bilhões, Bradesco fecha 3,2 mil postos de trabalho em 12 meses

O Bradesco anunciou um lucro de R$ 20,970 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, um crescimento de 15,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do resultado recorde, o banco eliminou 3.200 postos de trabalho bancário em 12 meses, sendo 1.002 apenas no terceiro trimestre. A contradição entre o lucro bilionário e a redução do quadro de funcionários foi duramente criticada pela Comissão de Organização dos Empregados (COE) do banco.

Para Erica de Oliveira, coordenadora da COE, a política de cortes é inadmissível. “Um banco que lucra quase R$ 21 bilhões em nove meses não pode continuar fechando milhares de postos. Os trabalhadores pagam a conta com sobrecarga, pressão por metas e insegurança. Estamos falando de pessoas, famílias e direitos”, afirmou.

A reestruturação também atinge a rede de atendimento. Em 12 meses, o Bradesco fechou 318 agências e 550 postos de atendimento (PA e PAE), enquanto sua base de clientes cresceu para 110,7 milhões. A carteira de crédito expandida atingiu R$ 1,150 trilhão, alta de 11,1% no período.

Os números escancaram uma lógica perversa: o banco amplia operações e lucros, mas reduz o número de trabalhadores responsáveis pelo atendimento. “Quem fica precisa dar conta de uma demanda cada vez maior, enquanto os clientes enfrentam dificuldades para conseguir atendimento. A tecnologia pode melhorar os serviços, mas não pode justificar o descarte de trabalhadores e a precarização”, destacou Erica.

As receitas com tarifas bancárias somaram R$ 23,8 bilhões nos nove meses, cobrindo 117,1% das despesas com pessoal, que totalizaram R$ 20,3 bilhões. Mesmo assim, o banco seguiu reduzindo sua estrutura. Ao final de setembro, a holding contava com 79.050 funcionários, dos quais 66.952 eram bancários.

A COE cobra que o Bradesco reveja sua política de cortes e preserve empregos. “Os trabalhadores ajudam a construir esses resultados e não podem ser tratados como custos descartáveis. Queremos respeito, empregos e atendimento de qualidade. O lucro não pode estar acima das pessoas”, concluiu Erica.

Mais informações: Contraf-CUT

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